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22 agosto, 2020

[Guest Post] Sedução do consumo - Como me defendi? (2020)/Surfista Calhorda




A sedução do consumo foi a última batalha que precisei vivenciar para me manter na caminha de acumulo de patrimônio, na verdade essa batalha está presente sempre na vida de todos, porém como eu já havia me conscientizado em relação as compras a prazo, no início da jornada esse não foi um problema para mim.

Se você está no início da jornada, corra das dívidas, mas corra mesmo, elas serão um potencializador para você comprar aquilo que não pode pagar e muitas vezes comprar coisas que nem precisa de verdade.

Pois bem, vamos trazer a discussão para minha realidade atual, alguém que está no meio da caminhada e que já tem algum patrimônio para comprar itens com um valor mais elevado.

Ponto de atenção! Eu estou falando da minha realidade e com o meu padrão de vida. Ter um custo de vida baixo ajuda muito a chegar mais rápido na IF!!!

O primeiro desafio recente que enfrentei, foi a vontade de comprar um carro que me conferisse um nível maior de status dentro da minha rede de relacionamento, trocando em miúdos, comprar aquele carro que seria comentado e admirado pelos parentes, pelos amigos e pelos invejosos.

E o segundo desafio foi a vontade comprar uma casa na praia, com o argumento que iria conferir mais conforto para minha família e me proporcionaria mais horas de surf, permitindo que eu ficasse a maioria dos finais de semana na praia.

Pois bem o primeiro desafio acho que é mais fácil de vencer, pois está atrelado apenas à vontade de aparecer, já o segundo desafio eu tive mais dificuldade, pois ele ficou atrelado a um hobbie que eu tenho em alta conta e ainda tinha a questão de conforto para a família.

Muito bom, mas como você fez para resistir a tentação surfista?

No fundo, no fundo a resposta é bem simples, eu apenas reforcei aquilo que era prioritário pra mim.

Mas para fazer isso eu fiz algumas contas e criei um gatilho, que em um certo momento, vai permitir que eu pense em alguns itens de conforto adicionais... 

E fazer essas contas foi necessário por causa da segunda sedução de consumo, a casa na praia... O carro eu consegui rebater com apenas uma pequena reflexão mental básica. 

Novamente itens de consumo podem seduzir mais uns que outros, tem gente que não resiste a um carro novo ou uma bolsa Louis Vuitton nova eu já fraquejei de maneira mais severa com a casa na praia.

Vamos direto ao ponto agora, vou explicar qual foi a estratégia que eu utilizei para postergar esses itens de conforto.

O método da recompensa planejada.

Primeiro passo:
1 - Listar todos itens de necessidade básica.
No meu caso fiz a seguinte lista (valores mensais).
  • Condomínio R$ 500,00
  • Água e Luz R$ 300,00
  • Tv a Cabo R$ 150,00
  • Internet R$ 150,00
  • Celular R$ 60,00
  • IPTU R$ 200,00
  • Alimentação R$ 800,00
  • Plano de Saúde R$ 1200,00
  • Escola das Crianças R$ 2000,00

Segundo passo:
2 - Verificar quais itens de necessidade básica* já estão cobertos com 5% do meu patrimônio.
Como meu patrimônio está próximo de 620k, considero que tenho um valor anual de R$ 31.000,00 'garantido'.
  • Condomínio R$ 500,00 (Realizado!)
  • Água e Luz R$ 300,00 (Realizado!)
  • Tv a Cabo R$ 150,00 (Realizado!)
  • Internet R$ 150,00 (Realizado!)
  • Celular R$ 60,00 (Realizado!)
  • IPTU R$ 200,00 (Realizado!)
  • Alimentação R$ 800,00 (Realizado!)
  • Plano de Saúde R$ 1200,00 (35,2% Realizado)
  • Escola das Crianças R$ 2000,00 (0% Realizado)
* Os itens de necessidade básica vão ser diferentes para cada pessoa, esses são os meus.

Terceiro passo:
3 - Calcular o valor das despesas básicas não cobertas pelo atual patrimônio.
Despesas Básicas não cobertas (Patrimônio Atual R$ 620k):
  • Plano de Saúde R$ 776,67 (65% do valor total)
  • Escola das Crianças R$ 2000,00
  • Valor anual não coberto R$ 33.320,00

Quarto passo:
4 - Calcular o patrimônio faltante para cobrir as despesas básicas
Patrimônio necessário para cobrir R$ 33.320,00 de despesas (Regra dos 5%):
  • R$ 670.000,00

Quinto passo:
5 - Calcular o patrimônio total para todas as despesas básicas
Patrimônio final para despesas básicas:
  • R$ 1.290.000,00 (620k já realizados + 670k pendentes)

Reflexão...
... Neste ponto eu já consegui me convencer que estou próximo da Independência Financeira e não faz sentido estragar o meu plano, é muito mais difícil e demorado sair do zero e chegar em 620k e é muito mais fácil sair de 620k para 1,29MM. 

Esses 5 passos me deram a seguinte informação, eu só vou adquirir/comprar mais alguma coisa na vida quando o patrimônio estiver acima do patamar para custear o básico. (O patamar de 1,29MM deve ser reajustado, pois o custo de vida aumenta com a inflação)

Agora vamos a mais um passo importante e prazeroso.
 
Sexto passo :
6 - Otimizar renda produzida pelo trabalho (afinal de contas eu continuo trabalhando).
  • Despesas Básica Mensal R$ 5.360,00
  • Itens de conforto prioritários:
    • Viagens com família R$ 25.000,00 (Anual)
    • Surf Trip R$ 10.000,00 (Anual)
  • Itens de conforto não prioritários:
    • Comprar casa na praia R$ ???
    • Comprar carro mais caro R$ ??? (Eu acho que nunca vou comprar um modelo do ano)
Enfim para atender o meu atual padrão de vida, eu preciso gerar 100k de renda por ano, assim pago as minhas necessidades básicas e sempre faço uma viagem com a família e uma surf trip anualmente e posso deixar meu patrimônio crescendo sozinho.

O que passa dos 100k anuais, eu dedico para os aportes e acumulo de patrimônio, para um dia ter a casa na praia e depois bem depois ter um carro melhor... Já acho que o carro mais caro nunca será necessário.

Com os 6 passos que descrevi acima, fica claro que o que eu fiz foi basicamente reforçar o que é prioridade pra mim e definir um momento que vou me permitir gastar um qualquer de maneira mais descompromissada. 

Sendo bem honesto, eu adorei quando cheguei no passo 6, pois perceber que você não precisa mais aportar e que já está num ponto de apenas proteger o patrimônio é gratificante... Isso tudo aliado a um colchão de segurança para 1 ano, dá uma sensação de liberdade. 

Eu perdi a vontade de parar de trabalhar, quero continuar trabalhando até o fim da vida, mas agora me sujeito muito menos a situações extremas de stress e conflito.

Conclusões:
1 - IF de despesas básicas está em R$ 1.290.000,00; 
2 - IF com itens de conforto prioritários está em R$ 2.000.000,00;

O que vocês acham mas difícil? Ir de zero a 620k ou ir de 620k até 1,29MM?

Dependendo de como eu vou chegar nos R$ 1,29MM, acredito que existem grandes chances de empurrar o gatilho para os R$ 2.00MM, afinal de contas eu deveria dar prioridade para as viagens... Mas também não é todo ruim deixar as viagens atreladas ao trabalho!!!

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05 julho, 2020

[Guest Post] Sobre o padrão de vida e os "hiatos" da economia (2020)/ Mago Economista

https://www.pexels.com/photo/business-charts-commerce-computer-265087/




O padrão de vida que uma pessoa pode ter, em termos materiais, é  determinado por sua renda. O erro que muitos cometem no mundo todo é querer gastar quase tudo, ou até mais, do que ganham. 

A lição óbvia (e imortal) das finanças pessoais: nunca gaste mais do que você ganha. Ela é óbvia e tão velha quanto o dinheiro, mas vemos todos os dias inúmeras pessoas que parecem ser incapazes de entender isso. Algumas por burrice, hedonismo, etc. e outras, infelizmente, por serem extremamente pobres e seus ganhos não cobrirem sequer os custos mínimos de vida. 

Para aqueles que podem, entretanto, é muito importante aplicar a velha lição e ajustar seu padrão de vida a ela.


Por exemplo, se você ganha um salário líquido (é o líquido que importa, porque é com ele que você se acostuma a viver no dia a dia) de R$ 4.000,00, você não pode ter um "padrão de vida de R$ 4.000,00". Você precisa ter um padrão de vida de R$ 3.000,00 ou menos. Eu diria que de R$3.500,00 no máximo, porque o aporte precisa fazer parte do orçamento doméstico. 

No exemplo acima, ganhando 4K e guardando 1K, a cada 4 meses você guardaria 1 salário, ou seja, em um ano você  conseguiu guardar 3 salários, então mantendo este ritmo por 4 anos, você terá 1 ano de salário economizado (fora os juros), caso não tenha precisado sacar nada para cobrir algum problema, o que é uma reserva de emergência interessante, pois caso perca o emprego você aguentaria ficar 1 ano sem receber enquanto se requalifica e procura outro trabalho, e no meio tempo ainda vai poder fazer bicos para não consumir tanto da sua reserva (ifood, uber, qualquer bico honesto).  

Na verdade, se considerarmos um trabalhador em regime CLT, que tem o 13º salário, você conseguiria montar essa reserva em 3 anos, caso conseguisse economizar 100% do 13º. Vejam esta simples demonstração:

1º ano: 1K/mês *12 meses + 4K (do 13º) = 16K (4 salários)
2º ano: 1K/mês *12 meses + 4K (do 13º) = 32K (8 salários)
3º ano: 1K/mês *12 meses + 4K (do 13º) = 48K (12 salários)

Por isso eu recomendo a todos aqueles que puderem: guardem 100% do 13º salário (ou usem-no para pagar dívidas).

O exemplo do salário líquido de R$4.000,00 foi apenas para facilitar a conta. A matemática é o que importa: poupando 25% do salário mensal e 100% do 13º, consegue-se fazer em 3 anos uma reserva de emergência equivalente a 1 ano de salário, o que é muito bom para começar, pois dá uma relativa segurança ao trabalhador, diminui um pouco o medo de ser demitido e essa maior confiança pode resultar em um rendimento melhor no trabalho. Se o salário líquido é de R$2.000,00, então o padrão de vida desta pessoa deveria ser de R$1.500,00 para que ela possa guardar R$500,00 por mês (25%) e assim sua reserva no final de 3 anos seria de R$ 24K, o que equivale a 1 ano de salário.

E se a pessoa guardasse um terço do salário? É uma fração "cabalística" que eu já vi muito ser recomendada por aí. Vejamos ela aplicada no exemplo dos R$4K:


1º ano: R$ 1.333,33 *12 + R$4K (do 13º) = R$ 20K (5 salários)

2º ano: 40K (10 salários)
3º ano: R$ 60K (15 salários)

Ao final de 3 anos a pessoa que economizasse 1 terço do salário teria 15 salários guardados, e teria atingido a meta de 1 ano de salários na metade do segundo ano de economia.


Na minha opinião pessoal, essa reserva de emergência deveria ficar aplicada no ativo de renda fixa mais líquido possível, pois ela não tem o objetivo de render e dar ganhos de capital, mas de suprir emergências, salvar o trabalhador de apertos que surgem no cotidiano, como por exemplo uma consulta médica cara, a compra de um remédio caro, uma multa de trânsito, uma cota extra inesperada do condomínio, uma obra necessária para se fazer em casa, etc. que são gastos que fogem de nosso controle (exceto a multa, que temos algum grau de controle). 

Por isso, ao contrário do que "gurus" de finanças e analistas "especialistas" falam, eu recomendaria que pelo menos uma parte deste valor ficasse na poupança, e esta deve ser uma parte que a pessoa se sinta confortável e segura (por exemplo, 1 ou 2 salários líquidos, de modo que haja 1 ou 2 meses de "sobrevida" para pronto uso), e o restante aplicado em alguma renda fixa que possa ser sacada rapidamente em caso de emergências realmente sérias ou em caso de desemprego. A importância de algum pequeno valor ser deixado na poupança é a extrema liquidez da mesma: o valor pode ser transferido para a conta-corrente aos sábados, domingos e feriados, inclusive de madrugada, sem depender de intermediários, horários bancários, etc. o que pode te salvar de apertos.

Porém esse raciocínio não é possível de ser aplicado para muitas pessoasHá uma certa faixa salarial na qual não é possível ter custos de vida que permitam poupar 25% ou mais do salário, talvez nem 10% (outra porcentagem "cabalística"), dependendo do caso.  Não sei onde exatamente essa fronteira se encontra, pois ela depende do custo de vida em cada cidade (e ele pode ser muito diferente de cidade para cidade), mas acho seguro dizer que quem ganha 1 salário mínimo não é capaz de economizar nada caso tenha como renda apenas o próprio salário. 

Isto é o que eu chamo de um "hiato" na economia: um abismo que separa diferentes realidades econômicas, difícil de ser atravessado. Neste caso, o hiato é a realidade das pessoas que vivem com salário mínimo: seus rendimentos são incapazes de cobrir totalmente os custos mínimos de vida (moradia, luz, água, gás, alimentação, internet e saúde) e  tais pessoas provavelmente não conseguem trocar de emprego porque seus rendimentos também não lhes permitem investir em qualificação. 

Na minha opinião, ganhar 1 salário mínimo é, grosso modo, uma forma de escravidão moderna, e cabe a cada um que se encontra nesta situação "comprar sua liberdade" dando um jeito de aumentar sua renda. Não adianta nada pedir ao governo que aumente o salário mínimo com uma canetada: ao fazer isso, os custos de todas as empresas subirão simultaneamente, provocando 2 efeitos: demissões e aumentos de preços de produtos (não se iludam, o custo sempre é repassado ao consumidor), o que anula automaticamente qualquer "ganho" obtido com o aumento do salário mínimo. Na minha humilde opinião, o salário mínimo não deveria nem existir, porque ele destrói empregos.

Um salário mínimo, dependendo de onde a pessoa mora, não é capaz nem de pagar o aluguel do apartamento mais humilde, então não é surpreendente vermos em grandes cidades (Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília são as que tem em geral os aluguéis mais caros) pessoas que, mesmo com emprego, literalmente moram na rua durante a semana e vão para suas residências (caso as tenham) nos fins de semana, às vezes em uma cidade menor vizinha, por não serem capazes de pagar o aluguel na mesma cidade onde trabalham e/ou não serem capazes de cobrir os gastos com transporte que incorreriam se fizessem o trajeto casa-trabalho-casa todos os dias. Qualquer evento que fuja da normalidade é devastador para o orçamento de uma pessoa que viva assim, forçando-as a se endividarem e gerando uma bola de neve que culminará em sua miséria.


A dura realidade é: se você ganha salário mínimo, não adianta investir em nada que não seja a sua própria qualificação. E se você mora sozinho, sem ninguém para dividir as despesas, pode ser que nem isso seja possível. Quem ganha salário mínimo, caso seja possível, deveria continuar morando com os pais, e investir o máximo possível de sua renda em sua formação, e estar disposto a aguentar uma jornada dupla, trabalhando durante o dia e estudando à noite, por algum tempo - de dois a cinco anos (a duração de um curso técnico ou de uma faculdade) e fazendo bicos sempre que puder, para complementar a renda. Caso não seja possível morar com os pais, deveria se juntar com outra pessoa que também tenha alguma renda (nem que seja de 1 salário mínimo) para dividir os custos de habitação e focar na formação pessoal, do mesmo jeito. 


Outro "hiato" na economia: ainda é bastante difícil juntar R$ 100.000,00 (uma das primeiras milestones da finansfera), porém esta não é mais, há muito tempo, uma quantia que realmente mude a vida da pessoa, e geralmente servirá no máximo para comprar um imóvel (provavelmente só para dar entrada na compra) - eu sei que para quem ganha 1 salário mínimo 100 mil reais é uma quantia que "muda a vida" da pessoa, mas quem realmente vive com salário mínimo simplesmente não consegue juntar 100 mil reais só com seu trabalho. Só se morasse com os pais e fosse totalmente bancado por eles, mas mesmo assim teria que economizar 100% do salário e demoraria por volta de 8 anos, a não ser que desse muita, mas muita sorte na renda variável, o que é bastante improvável. Quem conseguiria viver assim, sem gastar nada durante quase uma década? Será que os pais aceitariam isso? Será que os pais teriam condições para isso? 


Para os poucos brasileiros que são capazes de juntar R$100K através de trabalho honesto, 100 mil reais é "pouco" dinheiro, e ao mesmo tempo não é: servem para dar segurança, caso não sejam usados para adquirir imóvel (e dependendo da localização serviriam somente como entrada, e talvez nem isso) e, conforme o post anterior, não garantiriam nem 1 salário mínimo de proventos de FII, embora rendessem uma boa renda passiva (provavelmente algo entre 500 e 700 reais). Ainda assim, repito, juntar R$ 100K é um hiato - um abismo difícil de ser atravessado.


Para os poucos capazes de juntar  R$100K  com seu trabalho (e muitos da blogosfera das finanças são capazes), eu concito: façam caridade. Para um porteiro, uma diarista, um vendedor de doce na rua, etc. R$ 50 a mais no orçamento fazem muita diferença, e para vocês não. Ajudem estas pessoas. Comprem doces do homem que fica o dia inteiro na rua com seu pote de paçocas, se puderem comprem um estoque novo para ele poder vender, vocês estarão dando dignidade para ele, que é mais importante que dinheiro. Deem R$20, R$ 30 a mais para a diarista que faz faxina em suas residências para ajudá-la a pagar a passagem e não ter que consumir do valor ganho com a faxina. Não hesitem em contribuir para a caixinha de Natal do porteiro do prédio onde vocês moram, sejam generosos. Ajudem seus parentes que estão em dificuldades, ainda mais hoje em dia por causa da pandemia. Às vezes é porque faltam R$100,00 para inteirar o aluguel que uma pessoa é despejada e passa a viver na rua, e daí começa uma verdadeira avalanche que destrói sua vida. Ajudem os pequenos comerciantes, ajudem os pequenos negócios, para protegerem os empregos que eles geram. Façam caridade, da maneira como puderem, mas façam caridade. É dever de todos perante o Criador.


Forte Abraço! Fiquem com Deus!




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25 junho, 2020

O Lugar das Coisas

Photo by Juan Pablo Serrano Arenas from Pexels


Introdução



Coisas são um meio.

Usamos o quanto precisamos das coisas para ajudar a alcançar um fim e nos livramos delas tanto quanto elas nos impedem de alcançar o mesmo fim.

A coisa mais "coisa" de todas é o dinheiro: por meio dele, obtemos tudo que ele pode comprar; ainda que ele não tenha valor para a aquisição do que não tem preço e vale mais que tudo: amor, fidelidade, saúde, paz, família.


Apego Afetivo 


Ao longo da vida, nos apegamos emocionalmente a objetos, hábitos e lugares: uma caneca, um jeito de beber o café, uma cidade. 

Tudo isso é reconfortante enquanto o tempo passa, pois ficamos mais calmos sabendo que algumas coisas permanecem inalteradas enquanto todo o resto mudar irremediavelmente.

Esse apego é apenas uma maneira irracional de combater o sentimento de caminhar no cadafalso em direção ao nada. O tempo não se apega afetivamente a nós.

Limpeza Final 


Um dos momentos mais tristes quando se perde alguém é quando temos que voltar a casa da pessoa amada para fazer a limpeza final

uma insensível organização de pertences de quem parece que vai voltar a qualquer momento, mas que nunca retornará.

Nessa hora percebo o valor das coisas: nenhum.

Conclusão 


As Coisas são só um meio.

É perda de vida passar a vida planejando meios enquanto a vida acontece enquanto criamos esses planos.

Grande abraço!


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14 fevereiro, 2020

($) Previdência Complementar

Fonte: AA40


Introdução


Não confie em ninguém.

Como nenhuma pessoa jurídica é mais confiável que eu mesmo, prefiro não colocar mais dinheiro do que sou obrigado em sistema ou fundos de previdência, seja ele público ou privado.

Ao contrário do que alguns possam pensar, fundos de previdência públicos não são mais confiáveis que fundos de previdência privada: pode haver fraude em ambos, basta lembrar dos finados fundos de previdência da Varig (fundo privado) e dos Correios (fundo público).

Todo mês, meu salário é descontado para a previdência. Como é um desconto obrigatório, não posso fazer nada - faz parte do jogo. Por outro lado não farei nada para aumentar tal desconto, pois não dá pra confiar no Estado.


Exceções à Regra

Em todo mercado, há sempre uma minoria com acesso a regras diferenciadas e mais benéficas. 

Há pessoas que recebem um incentivo financeiro de seu empregador que simplesmente torna irresistível aplicar uma parte de seus ganhos em um fundos de previdência complementar e depois ainda tem opção de fazer algum tipo de portabilidade ou simplesmente sacar o dinheiro antes da aposentadoria.

Como cada caso é um caso e esse não é meu caso, não posso falar nada a respeito disso.


Uma possível solução 


Conforme a imagem que abre esse post, escolhi criar uma carteira diversificada de investimentos, alimentando-a pelas próximas décadas com o dinheiro que me sobra para devorá-la aos poucos quando de minha aposentadoria.

Isso se eu estiver vivo até lá.

Conclusão


Se eu não morrer nos próximos 30-40 anos, talvez funcione.

Grande abraço!

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16 dezembro, 2019

O Hábito de Não Inflacionar o Padrão de Vida

Photo by Marcelo Chagas from Pexels

1 - Introdução



Comprar é uma necessidade

Em nossa sociedade capitalista industrializada, comprar é mais do que um prazer ou exercício de ganância: não podemos sobreviver sem fazer compras.
Não costuramos nossas roupas. Não plantamos e colhemos nossos alimentos. Não projetamos e construímos nossos móveis ou eletroeletrônicos. Não fazemos nada sozinhos.
Há oito anos saí da casa da minha mãe, minha renda dobrou e as contas nunca acabam, pois há sempre algo para trocar: mobília, celulares, máquina de lavar etc. Todo semestre alguma coisa estraga, mas tenho que aportar mensalmente.

Minha conclusão: gaste apenas com itens de valor mediano, nunca mire itens de luxo ou lançamentos bombásticos ovacionados pela mídia. Mantenha-se frugal e sem dívidas. Claro que sempre haverá algum tipo de inflação no padrão de vida conforme vai se ganhando mais dinheiro, pois conforto é viciante, mas a ideia é não torrar toda a grana e continuar investindo.


2 - Por que gastar de forma mediana?


Tudo mudou com a obsolescência planejada ou programada.
Antes dela, os produtos eram projetados para durar e se justificava pagar caro pelo tempo a mais que se teria ao usufruir de um bem. Geladeiras duravam décadas, móveis durariam séculos e você só mudaria a decoração da sua casa por tédio.
Hoje não há garantia de durabilidade, substitui-se materiais nobres (ferro, madeira, aço etc) por materiais vagabundos como plásticos, ligas metálicas fracas, compensado etc.

Gastar mais em um produto não é garantia, por si só, de se conseguir mais qualidade-durabilidade.


3 - Teto de Gastos


Sugiro limitar o gasto com qualquer objeto (móveis, eletroeletrônicos, acessórios, vestuário etc) a um valor equivalente a 50% a 100% do aluguel da sua residência.

Caso você more em imóvel próprio, o cálculo tomará por base o aluguel que você ganharia pelo mesmo imóvel caso tivesse que alugá-lo.

Todo mundo que acompanha o blog sabe como é importante manter um orçamento doméstico e uma reserva de emergência para imprevistos e que o ideal é não gastar mais do que 30% dos seus rendimentos líquidos com aluguel.

  • Minha experiência: comprei dois monitores de 29 polegadas da LG esperando que durasse pelo menos 5 anos cada um e gastei cerca de 1500 reais em cada um. Um dele durou 1 ano e o outro 2 anos. Se eu tivesse comprado dois monitores de 600 reais com 24 polegadas, minha necessidade estaria satisfeita e quando quebrassem sentiria metade do prejuízo.


4 - Exceções à regra do Teto


Gastos com:

  • Ferramentas de trabalho - sua carreira gera sua renda, não há razão para economizar no que gera retorno financeiro.
  • Objetos especiais -  no Brasil, eventualmente você perceberá que o mercado não oferece opções baratas viáveis para um determinado objeto dentro do valor do teto. A solução é buscar um segundo teto. Nesse caso deve-se buscar um valor equivalente a 101% a 200% do aluguel da sua residência.
  • Minha experiência: sou grande e peso mais de 100 quilos. Quando fui comprar uma cadeira para o computador e depois uma bicicleta ergométrica percebi que seria necessário pagar o dobro ou triplo do valor de um modelo comum pela certeza de uma durabilidade média para esses produtos. Para mim não havia outra solução: modelos mais baratos não aguentariam meu peso por anos. 


5 - Conclusão


Seja Low Profile e não inflacione seu padrão de vida. Os valores mencionados no post são meramente ilustrativos: servem apenas para incitar o começo de uma reflexão.

Conforme explica o Seu Madruga:
"Então minha dica aos amigos da blogosfera é: sempre procurem o bem-estar, mas façam isso sabendo que ele não necessariamente se encontra vinculado a um aumento no "padrão de vida", e se você sentir bem-estar sem se submeter ao efeito Diderot, você tende a ser recompensado em termos de acúmulo patrimonial."

Gaste, em regra, apenas com itens de valor mediano, nunca mire itens de luxo ou lançamentos bombásticos ovacionados pela mídia.


Grande abraço!


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12 novembro, 2019

[Guest Post] Dez Controles de Gastos (2019)/ Jotabê

 
Foto de Tima Miroshnichenko no Pexels


Este post é uma expansão de resposta dada a meu recente amigo virtual Scant. Resolvi postá-la aqui no blog, na linha da “blogoteca”.


Creio que foi em 1980 que passei a dividir uma sala com mais dois colegas de serviço. Um deles era o Pintão, amigo mais que citado aqui no blog. O outro era um engenheiro um pouco mais velho que eu, super competente e organizado. Tão competente e organizado que acabou merecidamente chefiando a seção onde trabalhávamos. Seu senso de organização - como era fácil prever - extravazava para sua vida pessoal. Naquela época de zero microcomputadores mantinha uma caderneta tipo "Deve-Haver" onde anotava meticulosamente as despesas realizadas, indexando cada uma à sua conta correspondente. No final de cada mês, provavelmente para ter uma referência mais estável, convertia os gastos para valores em dólar.


Como eu sempre tive tendência a ser um "Maria-vai-com-as-outras", não demorou muito para que comprasse uma caderneta igual, onde passei a lançar minhas despesas. E, claro, criei também algumas contas para indexar o que gastava. No final do mês, o jumento aqui, em vez de dólar, utilizava a ORTN - Obrigação Reajustável do Tesouro Nacional, algum tempo depois substituída pela OTN - Obrigação do Tesouro Nacional, que deu lugar ao BTN - Bônus do Tesouro Nacional, etc. Resumindo, minha brilhante escolha serviu para que acabasse não tendo uma série histórica de gastos minimamente confiável. Acabei chamando o cabo corneteiro para executar o toque de foda-se, ou melhor, joguei no lixo a porra da caderneta e nunca mais me preocupei com isso.


Tudo mudou depois de minha aposentadoria, graças à minha mulher. Quando nos casamos, ela tinha tudo para seguir uma brilhante carreira, mas decidiu abrir mão de seus sonhos profissionais para cuidar de nossos filhos. Como ela sempre foi no limite de sua capacidade em tudo o que fazia e ainda faz, tornou-se "a" supermãe. Por isso, ao me aposentar e para compensar o sacrifício que ela mesma se impôs, disse que era dela todo o dinheiro liberado pelo FGTS e que poderia fazer com a grana o que bem entendesse. A resposta imediata foi "então vou reformar a casa!"


Dois anos depois e a um custo três vezes superior ao valor do fundo de garantia, a reforma foi concluída (ou melhor, paralisada, pois não havia mais de onde tirar dinheiro para a "cereja do bolo"). Durante esse tempo, para me planejar e não ser surpreendido, fui obrigado a bolar um sistema de controle de gastos que alimentasse um cronograma de despesas diárias e mensais previstas. Como meu conhecimento de informática é muito limitado, acabei criando algumas planilhas em Excel que se alimentavam com as informações sobre gastos reais e, a partir daí, gerando projeções diárias sobre o desembolso da grana


Antes de continuar, preciso fazer uma pausa para contar sobre meu primeiro contato com uma planilha Excel. Na prática, foi também meu primeiro contato com um microcomputador, pois, embora tivesse comprado um para meus filhos, não chegava nem perto. E na empresa eu era do tipo "usuário" ("faz aí"). Até 1994, quando fiquei sem emprego (eu tinha 44 anos). De repente, estava desempregado, na super merda e sem nenhuma perspectiva detectável. Na época, o mar não estava para peixe nem para engenheiros mais velhos. Apareceu um serviço que exigia a apresentação em Excel. Quem me atirou a boia foi meu filho mais velho, à época com 18 anos. Entrou no tutorial do Excel e fez brotar uma planilha (cheia de defeitos, mas capaz de atender meu contratante). A partir daí, bem devagarinho, mas prestando atenção em tudo o que via e ouvia, acabei ficando razoável em Excel. Aliás, só conheço Word e Excel, mais nada.


Voltemos agora ao tema deste post. Depois de me aposentar em 2009 e graças à mega reforma que fizemos, passei a anotar cada centavo (literalmente) que é gasto em nossa casa. Para isso, utilizo uma planilha com três abas principais: "gastos diários" (efetivamente realizados), “mensal” (previsão de gastos no dia a dia, feita a partir dos dados coletados mês a mês na planilha "gastos diários") e uma previsão anual, alimentada com os gastos realmente ocorridos em cada mês Essa planilha anual gera projeções na base da média dos últimos meses. Para concluir, preciso dizer que as três planilhas acompanham 55 itens específicos, agrupados em 20 contas diferentes. A título de exemplo, eu separo o lazer cotidiano do eventual, etc. Coisa de louco, não?


Meu recente amigo virtual Scant pediu que eu detalhasse essas contas. E esse é o motivo do post atual. Por isso, aí vai:


CRÉDITOS MÊS
Saldo mês anterior
INSS
Previdência complementar
Poupança
Empréstimos
Outros

DESPESAS ROTINEIRAS
Concessionárias
Água
Luz
Telefone / Internet
Recarga celular

Supermercado, Padaria, Açougue
Padaria
Supermercado, Sacolão, Açougue

Refeições, Lanches, Sorvetes
Restaurantes
Salgados, Sorvetes, etc.

Saúde
Farmácia
Pilates

Transporte
Gasolina
Estacionamento
Passagens ônibus, taxi
Manut. Carro
IPVA, taxas Detran
Seguro carro

Lazer
TV a cabo
Academia

Impostos e Taxas
Taxas / Juros / IOF / Tributos
IPTU
Imposto Renda

Despesas Diversas
Salão
Lojas 1,99/ Utilidades
Xerox, etc.
Presentes
Festas
Roupas Família
Conserto eletro./ manut casa
Despesas diversas


DESPESAS EVENTUAIS
Saúde
Plano de saúde
Médicos e dentistas fora do plano

Transporte
Pneus
Financiamento de carro novo

Lazer
Viagens e passeios

Compra de Eletroeletrônicos // Móveis
Cartão de Crédito // Cheque Pré-datado
Boleto Bancário

Amortização de Empréstimos
Amortização Empréstimo

DESPESAS COM OBRAS E REFORMA
Manutenção, Reparos e Conservação
Mão de Obra
Materiais/ Equipamentos

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  • Fonte: https://blogsoncrusoe.blogspot.com/2019/11/dez-controles-de-gastos.html