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06 dezembro, 2019

[Livro] A Última Grande Lição (1997)/ Mitch Albom

 
Photo by Luriko Yamaguchi from Pexels


A - Introdução


A vida um dia acaba e o fim inesperado do Viver de Construção nos mostra o quanto ela é preciosa.

Esse livro busca ensinar quais são os  ativos mais importantes de nossas vidas: nossos relacionamentos.

B - Lições 


Falas de Morrie (professor)


- Estar morrendo é apenas uma circunstância triste, Mitch. Viver infeliz é diferente. Muitas das pessoas que me visitam são infelizes. Por quê? - Porque a cultura que temos não contribui para que as pessoas estejam satisfeitas com elas mesmas. 

Estamos ensinando coisas erradas. E é preciso ser forte para dizer que, se a cultura não serve, não interessa ficar com ela. Que é melhor criar a sua própria. A maioria das pessoas não consegue fazer isso. São mais infelizes do que eu, mesmo na situação em que estou.

"A cultura que temos não contribui para que as pessoas se sintam felizes com elas mesmas. É preciso ser forte para dizer que, se acultura não serve, não interessa ficar com ela.".

"Tanta gente anda de um lado para outro levando vidas sem sentido. Parecem semiadormecidas, mesmo quando ocupadas em coisas que julgam importantes. Isso acontece porque estão correndo atrás do objetivo errado. Só podemos dar sentido à vida dedicando-nos a nossos semelhantes e a comunidade e nos empenhando na criação de alguma coisa que tenha alcance e sentido.".

O mais importante na vida é aprender a dar amor e a recebê-lo.

Deixe o amor vir. Pensamos que não merecemos amor; pensamos que, se nos submetemos a ele, nos enfraquecemos. Mas um sábio chamado Levine disse a palavra certa: "O amor é o único ato racional."

Às vezes, não acreditamos no que vemos e precisamos acreditar no que sentimos. E, se quisermos que os outros confiem em nós, precisamos sentir que nós confiamos neles. Mesmo que estejamos no escuro. Mesmo quando estamos caindo.

a cultura não nos ajuda a pensar nessas coisas quando a morte ainda parece longe. Vivemos tão enrolados em objetivos egoístas, carreira, família, ter dinheiro, pagar a hipoteca, comprar carro novo, consertar o aquecedor. Vivemos envolvidos em trilhões de pequenas coisas apenas para continuar tocando para a frente. Por isso, não adquirimos o hábito de dar uma parada, olhar n ossa vida e dizer: é só isso? É só isso que eu quero? Não está me faltando alguma coisa? Fez uma pausa. - Precisamos que alguém nos empurre nessa direção. Não é coisa que venha automaticamente.
  

Todo mundo sabe que vai morrer - repetiu Morrie -, mas ninguém acredita. Se acreditássemos, mudaríamos nosso comportamento. - De maneira que nos iludimos a respeito da morte - sugeri. - Isso. Mas há uma abordagem melhor. Saber que se vai morrer e preparar-se para receber a morte a qualquer momento. Assim é melhor. Assim, podemos ficar mais envolvidos com a vida enquanto vivemos. - Como podemos nos preparar para morrer? - perguntei. - Fazendo como os budistas. No começo de cada dia ter um passarinho pousado no ombro, que pergunta: "É hoje que vou morrer? Estou preparado? Estou fazendo tudo que preciso fazer? Estou sendo a pessoa que quero ser?"

- Ah, a maioria de nós anda em círculos, como sonâmbulos. Não experimentamos a vida em sua plenitude, porque vivemos semiadormecidos, praticando atos que automaticamente achamos que precisamos praticar.

- E encarar a morte muda tudo? - Claro que muda. A pessoa descarta toda essa tralha e se concentra no que é essencial. Quando se descobre que se vai morrer, vê-se o mundo de maneira bem diferente - ele suspirou. - Como eu disse, aprenda a morrer e aprenderá a viver.

 A verdade é que não existe base, não existe um fundamento sólido no qual as pessoas possam se apoiar hoje em dia, a não ser a família. Depois que adoeci, isso ficou claro para mim. Quem não tem o apoio, o amor, os cuidados de uma família, não tem muito com que contar. O amor é supremamente importante. Como disse o nosso grande poeta, Auden, "Amem-se uns aos outros, ou pereçam".

Foi disso que senti tanta falta quando minha mãe morreu. Falta do que eu chamo de "segurança espiritual", de saber que existe uma família cuidando sempre da gente. Nada substitui isso. Nem dinheiro. Nem fama. - Nesse ponto ele olhou para mim e acrescentou: - Nem trabalho.

Sempre que me perguntam sobre ter filhos ou não ter filhos, nunca digo o que devem fazer - disse Morrie olhando uma fotografia do filho mais velho. -Só digo que não existe emoção comparável à de ter filhos. Nada substitui essa experiência. Não se pode experimentá-la com um amigo. não se pode experimentá-la com uma amante. Quem quiser experimentar a emoção de assumir responsabilidade total por outro ser humano, e aprender a amar e se dedicar no grau mais alto precisa ter filhos.
- Tome qualquer emoção: amor por uma mulher, sofrimento por um ente querido, ou isso por que estou passando, medo e dor causados por uma doença mortal. Se você bloquear suas emoções, se não se permitir ir fundo nelas, nunca conseguirá se desapegar, estará muito ocupado em ter medo. Terá medo da dor, medo do sofrimento. Terá medo da vulnerabilidade que o amor traz com ele. - Mas atirando-se a essas emoções, mergulhando nelas até o fim, até se afogar nelas, você as experimenta em toda a plenitude, completamente. Saberá o que é dor. Saberá o que é amor. Saberá o que é sofrimento. Só então poderá dizer, muito bem, experimentei essa emoção. Eu a reconheço. Agora preciso me desapegar dela por um momento.
O mesmo se aplica à solidão. Abra-se, deixe as lágrimas correrem, sinta a solidão em sua plenitude, e chegará o momento de se poder dizer, "muito bem, esse foi o meu momento de solidão, não tenho medo de me sentir solitário, mas agora vou afastar essa solidão do meu caminho e reconhecer que existem outras emoções no mundo e que quero experimentá-las também’. Desapegue-se - repetiu Morrie.

A verdade é que, quando nossas mães nos pegavam, nos embalavam, nos acariciavam, sempre queríamos mais. Todos desejaríamos voltar àqueles dias em que éramos completamente cuidados. Amor incondicional, atenção incondicional. A maioria de nós ficou carente. Eu sei que fiquei.

À medida que se cresce, aprende-se mais. Se ficássemos parados nos vinte e dois anos, ficaríamos sempre ignorantes como quando tínhamos vinte e dois. Envelhecer não é só decair fisicamente. É crescer. E mais do que o fato negativo de que se vai morrer, é também o fato positivo de que se compreende que se vai morrer e que se pode viver melhor por causa disso.
É - eu disse -, mas se envelhecer fosse tão valioso, por que as pessoas vivem dizendo, "ah, se eu ainda fosse jovem..."? Nunca ouvimos ninguém dizer,"quem me dera já ter sessenta e cinco!". Ele sorriu e acrescentou: - Sabe o que significa isso? Vidas insatisfeitas. Vidas sem realizações. Vidas que não encontraram um sentido. Quem encontra um sentido para a vida não deseja voltar atrás. Deseja irem frente. Quer ver mais, fazer mais. Não se pode ficar esperando chegar aos sessenta e cinco.
Quem passa o tempo batalhando contra o envelhecimento sempre será infeliz, porque o envelhecimento é inexorável.

- Temos uma forma de lavagem cerebral em nosso país - disse suspirando. - Sabe como se lavam cérebros? Repete-se uma coisa constantemente. É isso que fazem em nosso país. Possuir coisas é bom. Mais dinheiro é bom. Mais posses é bom. Mais consumo é bom. Mais é bom. Mais é bom. Repetimos isso, e nos repetem isso constantemente, até ninguém sequer pensarem pensar diferente. O cidadão comum fica tão zonzo com tudo isso que perde a perspectiva do que é verdadeiramente importante. - Em toda parte por onde andei, conheci pessoas querendo abocanhar alguma coisa. Abocanhar um carro novo. Uma nova propriedade. O brinquedinho mais recente. Depois que abocanham, precisam contar aos outros: "Sabe o que comprei!" Adivinhe o que comprei."- Sabe como sempre interpretei isso? São pessoas tão famintas de amor que aceitam substitutos. Abraçam coisas materiais e ficam esperando que essas coisas retribuam o abraço. Nunca dá certo. Não se pode substituir amor, ou suavidade, ou ternura, ou companheirismo, por coisas materiais. Dinheiro não substitui ternura, poder não substitui ternura. Escreva o que estou dizendo, sentado aqui perto da morte: quando mais se precisa dos sentimentos que nos faltam, nem dinheiro nem poder nos podem dá-los, não importa quanto dinheiro nem quanto poder possuímos.


Ninguém precisa do último carro esporte, ninguém precisa daquela casa maior. - Essas coisas não trazem satisfação. Sabe o que traz satisfação? - O quê? - Oferecer aos outros o que temos para dar. - Parece conversa de escoteiro. - Não falo de dinheiro. Mitch. Falo de tempo útil. Do interesse por outros. De contar-lhes histórias. Não é tão difícil. Abriram aqui perto um centro para a terceira idade. Dúzias de idosos vão a ele todos os dias. Qualquer jovem, homem ou mulher, que domine um conhecimento, é convidado a ir lá ensiná-lo.

se você está querendo se exibir para pessoas que estão por cima, desista. Faça o que fizer, elas olharão para você com superioridade. E se está querendo se exibir para os que estão por baixo, desista também. Eles invejarão você, só isso. Posição não leva a nada. Só um coração aberto permite à pessoa flutuar em igualdade entre os semelhantes.

Por que acha que é tão importante para mim escutar os problemas dos outros? Já não estou carregado de dor e sofrimentos? É claro que estou. Mas doar-me a outros é o que me faz sentir vivo. Não é a minha casa nem o meu carro. Não é o que o espelho me mostra. Quando doo o meu tempo a alguém, quando consigo fazer alguém que está triste sorrir, sinto-me quase tão sadio como fui antes.

- Parte do problema, Mitch, é que todo mundo tem muita pressa - disse Morrie. - As pessoas não encontraram sentido na vida, por isso correm o tempo todo procurando-o. Pensam no novo carro, na nova casa, no novo emprego. Depois percebem que tudo isso também é vazio; e continuam correndo.

há algumas normas aplicáveis a amor e casamento: se não respeitarmos a outra pessoa, vamos ter muitos problemas. Se não soubermos ceder aqui e ali, vamos ter muitos problemas. Se não conseguirmos falar abertamente sobre o que está acontecendo entre os dois, vamos ter muitos problemas. E se não tivermos um conjunto de valores em comum com a outra pessoa, vamos ter muitos problemas. Os valores devem ser semelhantes.

As pessoas só ficam mesquinhas quando ameaçadas disse nesse mesmo dia - e isso é consequência da nossa cultura. Consequência da nossa economia. Até os que têm trabalho em nossa economia estão ameaçados, porque receiam perder o emprego. E, quando estamos ameaçados, passamos a nos preocupar só com nós mesmos. Passamos a fazer do dinheiro um deus. É da cultura - ele expirou. - Por isso é que não entro no jogo.

Toda sociedade tem seus problemas - disse Morrie, erguendo as sobrancelhas. - A solução não é fugir. Precisamos trabalhar para criar a nossa própria cultura. - Não importa onde vivamos, o maior problema dos seres humanos é a miopia intelectual. Não enxergamos o que podemos ser. Devíamos atentar para o nosso potencial e nos esforçarmos por alcançar tudo o que podemos ser. Mas quando se vive cercado de pessoas que dizem "quero o meu agora", acaba-se tendo poucas pessoas possuindo tudo e uma organização militar para impedir os pobres de se levantarem e roubarem.


O problema, Mitch, é não acreditarmos que os seres humanos são muito parecidos. Brancos e negros, católicos e protestantes, homens e mulheres. Se olhássemos uns para os outros como iguais, talvez sentíssemos o desejo de nos unirmos, formando uma grande família humana no mundo, e nos dedicarmos a essa família como nos dedicamos à nossa família particular.

No começo da vida, quando somos criancinhas, precisamos de outros para viver, certo? E no fim da vida, quando chegamos ao estado em que cheguei, precisamos de outros para viver, certo? A voz dele reduziu-se a um murmúrio. - Mas o segredo é que, entre a infância e o fim, também precisamos de outros.

"Não ir tão cedo, mas não se agarrar por muito tempo.".

Perdoe a si mesmo antes de morrer. Depois, perdoe os outros.

Não devemos ficar presos ao remorso do que não aconteceu quando devia acontecer.

Enquanto pudermos amar uns aos outros, e recordarmos a sensação de amor que tivemos, podemos morrer sem desaparecer. Todo o amor que criamos fica. Todas as lembranças ficam. Continuamos vivendo. Nos corações daqueles que tocamos e acalentamos enquanto estivemos aqui.

- A morte é o fim de uma vida, mas não de um relacionamento.

Não existem fórmulas para relacionamentos. Elas precisam ser negociadas em clima de amor, com espaço para ambas as partes, para o que querem e o que necessitam, para o que podem fazer, levando em conta a vida de cada uma. - No comércio, as pessoas negociam para ganhar. Para alcançar o que desejam. Talvez você esteja muito habituado a isso. O amor é diferente. O amor existe quando estamos tão preocupados com a situação do outro como estamos com a nossa.

Falas de Mitch (Aluno)


Antes da faculdade, eu não sabia que o estudo das relações humanas podia ser considerado matéria acadêmica. Antes de conhecer Morrie, não acreditava que pudesse. Mas o amor dele pelos livros é autêntico e contagioso. Passamos a discutir assuntos sérios depois da aula, quando a sala está vazia. Ele me indaga sobre a minha vida, cita passagens de Erich From, Martin Buber, Erik Erikson. As vezes, concorda com eles, mas acrescentando a sua opinião sem negar a concordância. É nessas ocasiões que percebo que ele é mesmo um professor, não um tio.

Tensão dos opostos? - A vida é uma série de puxões para a frente e para trás. Queremos fazer uma coisa, mas somos forçados afazer outra. Algumas coisas nos machucam, apesar de sabermos que não . Aceitamos certas coisas como inquestionáveis, mesmo sabendo que não devemos aceitar nada como absoluto. - Tensão de opostos, o estiramento de uma tira de borracha. A maioria de nós vive mais ou menos no meio. - Parece luta livre - pondero. - Luta livre - ele repete, e ri. - É. Pode-se definir a vida dessa forma. - E que lado vence? - pergunto. - Que lado vence? Ele sorri para mim, os olhos enrugados, os dentes tortos. - O amor vence. Sempre.
Eu sabia o que ele estava dizendo. Na vida, todos precisamos de professores. E o meu estava ali na minha frente.

C - Conclusão 


Carpe Diem.

Recomendo.

Grande abraço!



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