Arquivos

Mostrando postagens com marcador Minha História. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Minha História. Mostrar todas as postagens

03 abril, 2019

Minha Carreira Profissional: Como Cheguei Até Aqui ?





Introdução


Esse post foi inspirado na trajetória do executivo pobre e os valores de renda são os valores brutos de cada época.

Desde o ensino médio, percebi que a única solução para um zé ninguém como eu era estudar para uma carreira pública, um caminho que poderia ser trilhado por qualquer pessoa no Brasil.

Uma de minhas inspirações era a mãe de um amigo que mesmo já tendo trabalhado em empregos simples, como por ex. trocadora de ônibus, conseguiu passar em um concurso top e se tornar uma alta autoridade pública, com um rendimento no teto constitucional.



Por onde Andei


1 - Estagiário de ensino médio (20-21 anos) - R$ 230,63 / mês:

No final do curso técnico em administração que nunca cheguei a concluir, fui fazer estágio obrigatório. Comecei fazendo no Arsenal de Marinha no centro do RJ, onde eu ficava em um setor escaneando instruções técnicas de construção de um submarino que estava sendo montado na época.

Depois de uns poucos dias, consegui estágio na Casa da Moeda do Brasil, na zona oeste do RJ, onde fui trabalhar no almoxarifado e ficava na maior parte do tempo arrumando notas fiscais ou outro trabalho burocrático. 

Pude entender na prática um pouco mais sobre o funcionamento de uma grande empresa. Além disso, lá era legal porque essa empresa tem linhas de ônibus alugadas para pegar os funcionários e também comida de boa qualidade e gratuita na hora do almoço.


2 - Estagiário de ensino superior incompleto (23- 24 anos) - R$ 0,00 / mês:

Cheguei a passar em último lugar em um concurso para estágio remunerado na Defensoria Pública da União, no centro do RJ, mas optei por estagiar gratuitamente na defensoria estadual do meu bairro, onde eu podia ir a pé depois de almoçar em casa.

Comecei na área de família e depois fui para a cível e pude ver como o cidadão comum desconhece as leis mais básicas, tem filho com qualquer uma e depois é caçado pela polícia para pagar pensão e se mete em financiamentos que não consegue quitar.


3 - Cargo de Ensino médio estadual (25 - 26 anos) - R$ 2.182,03 / mês:

No final da faculdade, passei para um cargo na área jurídica (técnico administrativo do MPRJ).


Havia 82.145 candidatos, 114 vagas (percentual de 720,54 candidato/vaga)

Contudo, fiquei mal colocado e me lotaram no interior. Demorava 4 horas para chegar na repartição, trabalhava 7 horas de trabalho burocrático e levava mais 4 para voltar para casa, acabei desistindo depois de três meses e optei por me dedicar a concluir a faculdade.

Fiquei triste por voltar a depender financeiramente da minha mãe, mas o tempo é o senhor da razão e hoje vejo que foi uma decisão difícil mas acertada.
Anos depois colocaram 62 servidores desse concurso na rua por fraudarem a prova.


4 - Cargo de Ensino Superior 1 estadual (27- 28 anos) - R$ 3.359,31/ mês:

Após quase dois anos de estudo depois da faculdade vivendo de ajuda de custo materna, o que já expliquei, passei em outra prova.

Aqui minha vida melhorou bastante, pois consegui colocar um pouco de dinheiro na poupança e fui lotado no bairro em que cresci e moro. Os colegas de trabalho eram muito legais e o trabalho era fazer petições judiciais para público leigo.

Consegui alugar um pequeno apartamento na rua em que trabalhava e pude chamar a patroa para morar comigo.


5 - Cargo de Ensino Superior 2  - Federal (30- 31 anos) - R$ 9.238,69/ mês:



Depois de mais dois anos estudando, passei em um cargo melhor em um tribunal, raspando na nota mínima de redação. Gostava bastante do cargo anterior, mas a perspectiva salarial era sombria.



Passei a ganhar mais, mas passei a perder 4 horas por dia em deslocamento no trânsito e com isso minha qualidade de vida caiu bastante. 



Por outro lado, ganhei mais experiência de vida, pois trabalhei tanto na área judicial quanto na área administrativa. Ganhei e perdi funções comissionadas, aprendi muito sobre organização e fiz bons colegas de trabalho.


6 - Cargo de Ensino Superior 3 Federal (33-36 anos - atual) - R$ 11.428,38/ mês:

Fui para outro tribunal e tive que morar um tempo no interior, mas consegui voltar ao meu bairro natal e trabalhar razoavelmente próximo de casa, recuperando minha qualidade de vida.

Conclusão


Pelo que ganho, nunca vou ficar rico ou ter a carteira do Frugal Simple


Além disso estou longe do teto do serviço público, sendo apenas um servidor de baixo escalão, mas pelo menos, e se Deus quiser, não passarei necessidades materiais.

Enfim, concurso público é o caminho das pessoas comuns e o tempo recompensa a constância de objetivos nessa área, ainda que você tenha várias reprovações como eu.

Grande abraço!

30 junho, 2017

Concursos em que Fui Reprovado

pexels


Introdução 

Atualizado em 17/02/2020

Uma das premissas básicas da qual parte a evolução pessoal do indivíduo é conhecer a si mesmo, não como se gostaria de ser, mas como se é.


Isso ajuda muito ao se preparar para concurso público, pois reprovar é normal.


E de reprovações conheço bastante, pois antes da faculdade era um aluno abaixo da média e com mínimo interesse em estudos, tendo ficado reprovado várias vezes durante o ensino fundamental e médio. 


Minhas Reprovações


Provas que exigiam Ensino Fundamental


  • Auxiliar Judiciário TRF2
  • Agente de Controle de Endemias
  • Colégio Naval


=>Essa foi uma das fases mais sem rumo de minha vida, quando atirava em qualquer coisa que se movia. William Douglas, com sua metodologia, salvou minha carreira de concurseiro.


Provas de Ensino Médio 



  • Escriturário do Banco do Brasil


=>Não fiquei reprovado em mais, pq só tentei 3 cargos de ensino médio e passei em 2, pois passei a focar em concursos da área jurídica e sabia o que queria.
=>Cheguei também a estudar para a polícia civil/RJ, mas a prova demorou demais para sair e acabei desistindo. Foi a melhor coisa que fiz.

Provas de Ensino Superior


  • Defensor Público RJ (duas vezes) 
  • Juiz federal TRF2
  • Oficial de Justiça Federal TRF2
  • Oficial de Justiça Federal TRT-RJ
  • Procurador da Fazenda Nacional
  • Analista Judiciário TJ-RJ
  • Procurador TCM-RJ


=>Já de posse do "canudo", ficou mais fácil mirar melhores alvos, mas a complexidade das provas subiu exponencialmente.
=> Demorei muito a encontrar meu rumo e descobrir que carreira me interessava, mas agora só pretendo focar AGU e MPF.


Cotas e Concurso 



Cotas para negros, índios, pardos e descendentes são previstas em lei e o STF já disse que são constitucionais, pois são ações afirmativas:

O ministro Joaquim Barbosa definiu as ações afirmativas como políticas públicas voltadas à concretização do princípio constitucional da igualdade material e à neutralização dos efeitos perversos da discriminação racial, de gênero, de idade, de origem nacional e de compleição física. “A igualdade deixa de ser simplesmente um princípio jurídico a ser respeitado por todos, e passa a ser um objetivo constitucional a ser alcançado pelo Estado e pela sociedade”, ressaltou.
O ministro lembrou que as ações afirmativas não são ações típicas de governos, podendo ser adotadas pela iniciativa privada e até pelo Poder Judiciário, em casos extremos. “Há, no Direito Comparado, vários casos de medidas de ações afirmativas desenhadas pelo Poder Judiciário em casos em que a discriminação é tão flagrante e a exclusão é tão absoluta, que o Judiciário não teve outra alternativa senão, ele próprio, determinar e desenhar medidas de ação afirmativa, como ocorreu, por exemplo, nos Estados Unidos, especialmente em alguns estados do sul”, afirmou o ministro.


Essas cotas existem para vagas em universidades públicas e para concursos públicos.
Passei em 5 concursos e em nenhum desses usei tal cota (não existia na época ou não aplicaram), mas as utilizei em dois concursos em que não passei, ambos em 2015

Em um desses consegui chegar a 2ª fase do certame e no outro minha pulou de 115º para 16º, mas como só havia uma ou duas vagas me dei mal (se tivesse me dado bem estaria ganhando 30 mil mensais) - mesmo assim, para quem faz juz às cotas, elas são uma mão na roda.


Conclusão 


Acredito que devemos retirar pontos positivos de nossas reprovações e aprender com elas, por mais doloroso que isso possa ser, tudo no melhor estilo "fênix se erguendo das cinzas".


Para mim, um dos maiores mérito dessa vida de concurseiro foi ter despertado em mim a vontade de aprender, o que motivou a ler vários livros sobre como estudar e até a escrever um pouco sobre eles nesse blog.



Enfim, reprovação não é sinal de fracasso a menos que você desista.

Grande abraço!


P.S.: Passei (aprovação + nomeação) apenas em 5 concursos públicos durante minha vida (2 de ensino médio e 3 de nível superior, todos bastante concorridos) e atualmente ocupo um deles e é o que paga minhas contas.

________________________________________________________________

27 março, 2017

Minha Vida Até o Ensino Médio

Uma das 6 escolas particulares por onde passei antes de terminar o ensino fundamental.

I - Introdução


Entender sua própria trajetória, por mais tortuosa que ela seja, é fundamental para entender um pouco mais de si mesmo.

Visando complementar vários posts que tratam de minha insignificante existência, segue a cronologia abaixo.

II - Os primeiros 18 anos



>>Infância: De 0 aos 12 Incompletos

Minha infância, apesar de não se perfeita, é foi dotada de uma ignorância sobre as vicissitudes desse mundo. Isso me permitiu um sensação predominante de felicidade. 


Sempre fui pobre, mas nunca passei por privações. Apenas deixei de ter certos confortos e experiências positivas.

Não entender nada era uma benção.



>>Adolescência: Dos 12 aos 15 anos 

Meu boletim da 8ª série


Hobbies e Vida Social


  • Minha maior ambição era colecionar quadrinhos, pois mulheres, viagens e outros prazeres eram extremamente inacessíveis a um adolescente gordo, feio e pobre. 
>>Nessa época, lembro-me de uma vez cantar uma jovem mulher na rua e ela caçoar de mim dizendo que eu fedia a leite. A vida de um beta não começa com facilidades. Eu devia ter uns 14 anos e percebi que teria que fracassar muitas vezes para obter sucesso amoroso.
  • Jogar vídeo-game também o ponto alto do meu dia. Sim, sempre fui nerd. Era a década de 90 e o auge da primeira versão do playstation.
  • Assistir tela quente ou sessão da tarde na Globo eram o ponto alto de minha rotina pré-internet. Alugar fitas cassetes também parecia uma maravilha nessa época.
  • Minha vida social se resumia a conversar com outros nerds e elaborar planos infalíveis para conquistar garotas. Meus colegas tiveram muito mais sucesso nisso que eu.  

Atividade Física
  • Cheguei a tentar convencer minha mãe a me matricular em uma academia ou fazer artes marciais, mas como ela achava tudo isso muito violento o jeito era continuar gordo, com maminhas e sem academia. 
  • Minha única atividade física era caminhar cerca de 30 minutos até a escola, onde chegava fedendo e suado. 

Estudos
  • Até então só tinha estudado em escolas particulares, o que com certeza ajudou meu desenvolvimento mental e me afastou de problemas.
  • Reprovações: Fiquei reprovado em matemática e outras matérias exatas por mais de uma vez no primeiro grau (graças a Deus a escola tinha sistema de dependência escolar).
  • Minha meta já era estudar para concursos no futuro e as matérias que mais focava nessa época era Português e História (sempre fugi de matemática).
  • Minha maior ambição na escola era bater papo com os colegas e rir de qualquer idiotice.


>>Adolescência: Dos 16 aos 18


Fui morar com meu pai e as dificuldades por que passei me fizeram me desenvolver como indivíduo.

 III - Vida no Ensino Médio



Minha escola: tempos difíceis.



No final da década de 90 minha mãe me enviou para morar com meu pai. Foi a primeira e a última vez que um evento desse ocorreu. Anos depois voltei a morar com ela e assim continuou até alguns anos depois de terminar a faculdade.


Minha vida no ensino médio não foi nada fácil. Eu era muito mais: feio, pobre, gordo, burro, indisciplinado, desleixado, preguiçoso e sem grandes objetivos na vida: tudo de ruim para qualquer um ser na difícil fase da adolescência. 

Ingresso


Foi a primeira aprovação que tive em algo semelhante a um concurso público (aprovação para cursar o ensino médio técnico em administração em uma fundação pública estadual no Escola Técnica Estadual Oscar Tenório - ETEOT em 1999).


Fiquei em uma colocação medíocre, mas fui chamado. Não era um exame muito disputado por candidatos preparados e apesar de eu mesmo não ser bom aluno, acabei passando por que vinha de colégio particular a vida toda e a prova foi muito elementar.


Eu era muito tosco nessa época em metodologia de estudo, sendo que o único cuidado que tive foi pegar umas provas anteriores que eram vendidas informalmente em um compilado feito por algum servidor da instituição.

Aspectos Positivos


  • O ensino médio era técnico em administração e por isso tive contato com muitos conceitos (estatística, matemática financeira, administração, marketing, Direito, Contabilidade etc) fora do meu mundinho de vida, que era um bairro pequeno do subúrbio.
  • Conheci muita gente diferente e que vinha de diferentes bairros e classes sociais do RJ.
  • Comecei pela primeira vez na vida a praticar esporte (taekwondo) e consegui emagrecer bastante.
  • Como não pagava passagem de ônibus pude viajar gratuitamente, com e sem rumo, pelo RJ.
  • Arranjei minha primeira namorada. 
  • Fiz cursos de informática, inclusive de montagem e manutenção de micros, que me ajudaram por toda a vida;
  • Pude morar com meu pai pela primeira e única vez na vida, o que me permitiu conhecê-lo melhor, para bem e para mal.
  • Eu não tinha que trabalhar (pelo menos não fora de casa).


Aspectos Negativos


  • Ensino fraco: para mim que já era desinteressado gerou um vácuo de conhecimento e dificultou o planejamento de passar em qualquer vestibular para uma faculdade pública, mesmo assim fiquei reprovado em razão do meu desleixo com estudos;
  • O namoro não deu certo e acabou cerca de 3 meses depois, deixando-me deprimido por muito mais tempo (minha vida amorosa só voltou a melhorar na faculdade).
  • Morar com meu pai foi um saco. Além disso, ele, como era pobre, utilizou minha força de trabalho como servente na reforma de seu própria casa.
  • Minha madrasta era bem chata. Era uma família totalmente beta, sem muitos conhecimentos básicos de educação financeira, nutrição ou de qualquer outro tipo.
  • Não fiz muitas amizades profundas e duradouras.
  • Era muito, muito difícil para mim conseguir sair com alguma menina. Claro que o pouco dinheiro atrapalhava, mas o principal era minha falta de lábia e timidez: minha incapacidade de me comunicar adequadamente para conquistar atenção amorosa do sexo oposto.



IV - Conclusão


Foi uma época difícil e fico feliz que tenha passado. Claro, Continuo feio, mas menos burro e gordo. 

Voltei a morar com minha mãe e consegui terminar uma faculdade particular. Consegui diferentes empregos e pude  sair de casa e pagar minhas próprias contas e obter autonomia financeira. 

Atualmente, tenho mais facilidade em me comunicar com o sexo oposto, mas hoje, na casa dos 30 e com um relacionamento estável, o interesse é bem menor. 

Sobre a experiência sofrida; um pouco de sofrimento faz bem, pois "a necessidade faz o sapo pular". Acho que errei tanto em tantas coisas e por tanto tempo que aprendi a fazer algumas coisas da maneira correta.


Somos o maior especialista do mundo em nós mesmos e conhecer a si mesmo é o princípio básico do auto-desenvolvimento

Enfim, essa época  foi importante para mim em vários aspectos.


Grande abraço!



____________________________________________________________

  • http://www.mv1.com.br/
  • http://acervoscantales.blogspot.com.br/2018/03/os-anos-90-para-nerds-pobres-bancas-e.html
  • https://acervoscantales.blogspot.com.br/2016/06/textos-como-era-sua-vida-no-ensino-medio.html
  • https://acervoscantales.blogspot.com.br/2018/01/como-se-tornar-um-biografo-de-si-mesmo.html



03 abril, 2016

Minha Vida na Faculdade (E Depois...)

Meu difícil começo...



Depois de fazer um ensino médio lixoso, fiquei um ano estudando para fazer um concurso para a polícia civil carioca, mas o concurso demorou muito e acabei desistindo com medo de morrer realizando as atribuições do cargo.

Então comecei a cursar faculdade de Direito numa dessas uniesquinas da vida das quais o antigo blog do pobreta sempre falava mal. A faculdade era problemática:

Pontos Negativos

  • Biblioteca desatualizada (o que me forçou a procurar materiais melhores desde cedo);
  • Professores quase todos ruins (tinha um de tributário excelente e só);
  • Provas fáceis (por isso tive um coeficiente de rendimento extremamente alto)



O excelente nível das aulas.

Pontos Positivos

  • Proximidade da minha residência (ia e voltava a pé);
  • Boa infraestrutura física (cadeiras, ar condicionado);
  • Preço (uns R$ 500 ou R$ 600 na época - minha família podia pagar, por isso não tive que recorrer a financiamento educacional);
  • Reconhecida pelo MEC (isso é uma das coisas essenciais)

Sempre acreditei que o aluno era mais importante que a faculdade na busca do conhecimento, tanto que um dos meus colegas de classe se tornou notário há pouco tempo e alguns alunos mais antigos também obtiveram sucesso profissional.

Sei que casos assim são exceção, mas eles mostram a capacidade que o indivíduo tem de vencer as dificuldades. Dessa forma adotei o livro do Willian Douglas como base metodológica desde o primeiro ano de faculdade.





Minha Rotina na Época

Como a maioria das mulheres 

na faculdade me viam.


Minha vida nessa época era forçadamente frugal:


  • Não tinha dinheiro sobrando para comprar livros e fazer cursos;
  • Não trabalhava e só estudava;
  • Shows e viagens nem pensar (só fui viajar anos depois e para lugares baratos)
  • Fazia taekwondo e depois fiquei só na musculação;
  • Conheci minha namorada (com ela vivo atualmente) que também veio de família humilde, então compreendia a razão de meus escassos recursos;
  • Minha casa não tinha internet nem telefone;
  • Minha principal fonte de lazer era ler scans na internet (salvava num pendrive para poder ler no computador de casa, aquele que montei com o dinheiro do estágio do ensino médio);
  • minha maior ambição era passar num concurso para poder melhorar meu quarto, comprando coisas legais.
  • A maioria de meus colegas, principalmente as mulheres, me achavam um retardado mental, estilo Patrick:
  • no final da faculdade passei em um concurso de nível médio que pagava razoavelmente bem, mas pedi exoneração porque fui lotado em Angra dos Reis (4 horas de viagem de ônibus da minha casa) e não havia compatibilidade de horário com a faculdade. Lembro que na época me senti arrasado, mas percebi que estava no caminho certo.
  • "Modo monge de viver (monk mode)" era o padrão normal da minha vida.
  • Apesar das dificuldades, era feliz.


A Importância de uma Faculdade Renomada para Concurso


Conforme explica o Eduardo Gonçalves, Procurador MPF:

(...) para fins de concurso público, atualmente, estudar na USP, UERJ, UFRJ, UFPE, UFCE, UEL, UEM, UFPR não significa absolutamente NADA.




Na AGU não me perguntaram de que Faculdade eu vim. No MPF muito menos. No concurso de analista do MPU também não...


Conclusão


Olhando para trás, cinco anos fazendo trabalhos chatos e aturando professores incompetentes passaram rápido. 

Para mim, que nunca tinha dado valor ao estudo, foi a chance de fazer a diferença, mas mesmo me formando entre os melhores alunos da turma não obtive qualquer convite de emprego. 

Só restava dedicar um tempo indefinido para estudar para concursos após me formar, o que sempre foi meu objetivo. 

Minha vida depois da faculdade estava fadada a continuar forçadamente frugal por um bom tempo, mas isso será objeto de um outro post.

Grande abraço!

_____________________________________________________

A vida não ficou mais
fácil depois da faculdade

Introdução


Depois de cinco anos mais ou menos calmos e frugais cursando uma uniesquina cheguei onde já esperava chegar: um diploma na mão e sem um centavo no bolso, dependendo da aposentadoria de minha genitora (nem meu pai acreditava em mim)  para dar prosseguimento ao estudos.



Meus Esforços


>>Estudos


Foram dois anos de estudos voluntários necessários, tanto no cursinho como em casa. Abaixo segue o resumo dessa pequena jornada:

  • morava na zona oeste do RJ e estudava na parte da manhã no centro: precisava acordar de madrugada, andar a pé por trinta minutos e pegar o ônibus executivo e, depois de duas horas, chegar à tempo na aula;
  • Muitas vezes peguei longos engarrafamentos, dias chuvosos, dias calorentos e outros apertos, mas como pobre estudante formado sem perspectiva não tinha outra escolha viável;
  • Na sala de aula do cursinho, onde quase todos moravam perto, pois moravam na zona sul ou zona norte e vinham de carro, ônibus ou metrô, eu era o mais pobre;
  • Sempre precisei de descontos ou bolsas para estudar nesses cursinhos, não que minha mãe não pudesse pagar o preço integral, mas "a colcha é curta", entendem? Acho que sim.
  • Como na faculdade, não tinha muito dinheiro sobrando para gastar com material didático e então meus cadernos eram muito bem cuidados (fazia capa, mandava encadernar as folhas de fichário, caprichava na anotação etc);  
  •  Os poucos livros que comprava eram muito, muito bem escolhidos.
  • Fazia muitos resumos no computador e que quem lia elogiava, pois me esforçava muito para que ficassem perfeitos como, por exemplo, o Graal do MPF (nunca chegaram nesse nível, mas eram bons); 
  • A única matéria que tive que treinar sozinho foi português, mas já tinha estudado tanto dela nessa vida (já tinha feito literalmente milhares de exercícios) que ela não era mais um obstáculo.
  • Na saída do curso não tinha muito dinheiro para comer na rua, então pegava o ônibus para chegar logo em casa e poder comer, dormir (eu apagava de tarde depois do almoço) e no final da tarde voltar a estudar, fazendo meus resumos.
  • O ônibus que eu pegava na volta no primeiro ano não tinha ar condicionado, mas era muito rápido (o motorista devia ser ser fã de fórmula 1 ou coisa assim): eu quase sempre dormia. Algumas vezes eu até passava do ponto, então não tenho muitas lembranças da viagem de volta.
  • No segundo ano de estudo em cursinho, troquei de curso porque ganhei um bom desconto em uma prova de bolsa, o que já indicava que eu estava no caminho certo. Minha ideia era simples: assistir aulas no cursinho pela manhã e estudar sozinho no final da tarde até passar em um concurso. 
  •  No segundo ano de cursinho comecei a fazer inclusive aulas aos sábados para tirar minha pós-graduação, pois o primeiro curso tinha opção de valer como pós se o aluno cursasse mais duas matérias durante seis meses  (acho que era didática e metodologia) em uma determinada faculdade. Novamente minha mãe acreditou em meu potencial e me patrocinou;

Levando essa rotina indefinidamente tinha fé em minha aprovação, pois o conhecimento acabaria entrando por "osmose" ou por hábito.


>> Atividades Físicas


Em todo esse período nunca deixei de fazer musculação duas a três vezes por semana e vejo que a prática de atividade física realmente ajuda na capacidade de concentração.


>>Atividades Sociais


Outras coisas que me ajudaram nessa época foram: namorar seguir minha religião (que não importa qual é). 

De qualquer forma, nunca fui de ir a boates e de beber.


Recompensas


Todo esse esforço rendeu frutos, pois em 2010 passei de primeira na prova da OAB (minha 2ª fase fase foi em Civil), que já era difícil nessa época (a banca era o CESPE/CEBRASPE), mas não tanto como agora (FGV).

Além disso, no final do 2º ano de estudo passei, ao mesmo tempo em dois concursos para diferentes cargos da mesma instituição (um cargo era de ensino médio e outro de nível superior). 

Tomei posse no de nível superior e pude trabalhar perto de casa (finalmente fiquei um tempo sem ter que pegar buzão).


Conclusão


A diferença entre sonho e realidade está em uma certa quantidade de tempo e esforço racionalmente empregados.

Enfim,  minha luta não tinha terminado, pois o salário era baixo e a carreira ruim. Então não havia como parar de estudar. Mas isso é assunto para outra postagem.

Grande abraço!

Sites Consultados:



http://www.eduardorgoncalves.com.br/2017/10/a-importancia-de-fazer-uma-faculdade.html