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07 fevereiro, 2021

[Livro] Os Segredos dos Grandes Artistas (2017)/ Mason Currey - Parte 3



Sigmund Freud (1856–1939)
  • Freud levantava-se todos os dias às 7 horas, tomava café da manhã e tinha a barba aparada por um barbeiro que ia à sua casa diariamente. Em seguida, atendia pacientes para análise das 8 às 12 horas. A principal refeição do dia era servida pontualmente às 13 horas. Freud não era um gourmet – não gostava de vinho nem de frango, e preferia uma dieta de classe média, como carne cozida ou assada – mas gostava de comer, e o fazia concentrado, em silêncio.
  • Às 15 horas, dava consultas, que eram seguidas por mais pacientes de análise, muitas vezes até as 21 horas. Então, a família fazia a ceia e Freud jogava cartas com a cunhada ou dava um passeio com a esposa ou uma das filhas, às vezes parando em um café para ler os jornais. O restante da noite ficava em seu estúdio, lendo, escrevendo e executando tarefas editoriais para publicações dedicadas à psicanálise, até 1 hora ou mais tarde.
Gustav Mahler (1860–1911)
  • Acordava às 6 horas ou 6:30 e imediatamente chamava o cozinheiro para preparar seu café da manhã: café moído na hora, leite, pão, manteiga e geleia, que o cozinheiro levava até a cabana de pedra onde Mahler compunha, na floresta.
     
    Mahler trabalhava até o meio-dia, quando, então, voltava em silêncio para o seu quarto, trocava de roupa e ia até o lago para dar um mergulho.

     A refeição era, de acordo com a preferência de Mahler, leve, simples, bem cozida e com um mínimo de temperos. “Seu objetivo era satisfazer-se sem atiçar o apetite ou causar qualquer sensação de peso”, escreveu Alma, a quem a dieta parecia a “dieta de um inválido”. Gustav e Alma Mahler, perto de sua residência de verão, 1909 Após o almoço, Mahler arrastava Alma para uma caminhada de três ou quatro horas ao longo da beira do lago, fazendo paradas ocasionais para anotar ideias em seu caderno, contando o tempo no ar com o lápis.
  

Richard Strauss (1864–1949)


  •  Meu dia de trabalho é muito simples; eu me levanto às 8 horas, tomo um banho e o café da manhã – três ovos, chá, “Eingemachtes” (geleia caseira); então dou um passeio de meia hora pelo Nilo no palmeiral do hotel e trabalho das 10 horas até as 13 horas; a orquestração do primeiro ato avança devagar e sempre. Almoço às 13 horas. Após o almoço, leio meu Schopenhauer ou jogo Bezique com a Sra. Conze, apostando alguns trocados. Trabalho das 15 às 16 horas; tomo chá às 16 horas e depois saio para uma caminhada até as 18 horas,

Henri Matisse (1869–1954)
  • Há mais de 50 anos não paro de trabalhar por um instante. Fico sentado das 9 horas ao meio-dia. Daí almoço. Em seguida, tiro um cochilo e pego nos pincéis novamente às 14 horas, e trabalho até a noite.

Joan Miró (1893–1983)

  • Levantava-se às 6 horas, fazia sua higiene, tomava café e comia algumas fatias de pão. Às 7 horas, ia para o estúdio e trabalhava sem parar até o meio-dia, quando parava para fazer uma hora de exercícios vigorosos, como boxe ou corrida. Às 13 horas, se sentava para um almoço frugal, mas bem preparado, que arrematava com um café e três cigarros, nem mais nem menos. Em seguida, praticava sua “ioga do Mediterrâneo”, um cochilo de apenas cinco minutos. Às 14 horas, recebia a visita de um amigo, tratava de negócios ou escrevia cartas. Às 15 horas, voltava para o estúdio, onde ficava até a hora do jantar, às 20 horas. Após o jantar, lia um pouco ou ouvia música.


Gertrude Stein (1874–1946)

  • nunca conseguiu escrever muito além de meia hora por dia, mas acrescentou: “Se você escrever meia hora por dia, acaba escrevendo muito com o passar dos anos. Para ter certeza de que todos os dias, o dia todo, você fica esperando para escrever aquela meia hora por dia.”

Ernest Hemingway (1899–1961)

  •  Durante a vida adulta, Hemingway levantava-se cedo, às 5:30 ou 6 horas, despertado pelas primeiras luzes do dia.
     
    Escrevia em pé, de frente para uma estante na altura do peito, com uma máquina de escrever e uma lousa de madeira em cima ali apoiadas. Os primeiros esboços eram feitos a lápis em papel para datilografia, dispostos obliquamente pela lousa.
     
    Ele acompanhava sua produção diária de palavras em um gráfico
Henry Miller (1891–1980)

  • escrevia, trabalhando do café da manhã até o almoço. Tirava um cochilo e, em seguida, escrevia novamente durante a tarde e, às vezes, avançava pela noite. Quando foi envelhecendo, porém, descobriu que toda atividade realizada depois do meio-dia era desnecessária e até mesmo contraproducente.

F. Scott Fitzgerald (1896–1940)

  • acreditava que o álcool era essencial para seu processo de criação. (Ele preferia gim puro – o efeito era rápido e, segundo ele, difícil de ser percebido no hálito.)

William Faulkner (1897–1962)

  • “Escrevo quando o espírito me move”, Faulkner disse, “e o espírito me move todos os dias”.


 Continua...
  

25 julho, 2020

[Livro] Os Segredos dos Grandes Artistas (2017)/ Mason Currey - Parte 2



Søren Kierkegaard (1813–1855)
  •  Kierkegaard tinha sua maneira bastante peculiar de beber café: Com enorme prazer, pegava o saco de açúcar e vertia o açúcar para dentro da xícara de café até que estivesse amontoado até a borda. Em seguida, despejava o fortíssimo café preto, que lentamente dissolvia a pirâmide branca. O processo mal estava concluído antes de o estimulante viscoso desaparecer no estômago do mestre, onde se incorporava ao xerez para produzir energia adicional que se infiltrava em seu cérebro fervente e borbulhante
  • Normalmente, escrevia no período da manhã, partia em uma longa caminhada por Copenhague ao meio-dia e retomava seus escritos no restante do dia, avançando na noite. Durante as caminhadas, tinha suas melhores ideias e, às vezes, tinha tanta pressa para registrá-las que, ao voltar para casa, escrevia de pé parado em frente à sua mesa, ainda de chapéu e segurando sua bengala ou guarda-chuva. Kierkegaard

Voltaire (1694–1778)
  •  passava a manhã na cama, lendo e ditando novos textos para um de seus secretários. Ao meio-dia, se levantava e se vestia. Em seguida, recebia visitas. Se não houvesse nenhuma, continuava a trabalhar, consumindo café e chocolate para se nutrir. (Ele não almoçava.) Entre as 14 e as 16 horas, Voltaire e seu secretário principal, Jean-Louis Wagnière, saíam de carruagem para inspecionar a propriedade. Depois, trabalhava novamente até as 20 horas, quando se reunia com a sobrinha viúva (e amante de longa data) Madame Denis e outros convidados para o jantar. 
  • Mas seu dia de trabalho não terminava aí: Voltaire muitas vezes continuava a ditar textos depois da ceia, noite adentro. Wagnière estima que, ao todo, eles trabalhassem de 18 a 20 horas por dia. Para Voltaire, era um arranjo perfeito.  

Benjamin Franklin (1706–1790)

  •  Achei muito mais agradável à minha constituição banhar-me em outro elemento, e quero dizer o ar frio. Com esse propósito, eu me levanto cedo quase todas as manhãs, e sento-me no meu quarto sem roupa alguma, por meia hora ou uma hora, de acordo com a estação do ano, e leio ou escrevo. Essa prática não é nem um pouco dolorosa; ao contrário, é bem agradável. Se eu volto para a cama mais tarde, antes de me vestir, como às vezes acontece, complemento o descanso da noite, dormindo uma ou duas horas do sono mais agradável que alguém possa imaginar.

Anthony Trollope (1815–1882)
  •  Eu costumava sentar-me para trabalhar todos os dias às 5:30;
  • três horas por dia produzem tanto quanto um homem deve        escrever. Mas, para isso, deve ter treinado a si mesmo para ser capaz de trabalhar continuamente durante essas três horas – orientando sua mente para que não seja necessário sentar-se e ficar mordiscando a caneta, e olhando para a parede à sua frente, até encontrar as palavras com que deseja expressar suas ideias.
  • Eu sempre começava a tarefa lendo o trabalho do dia anterior, uma operação que levava meia hora, e que consistia principalmente na ponderação do som das palavras e frases em meu ouvido...


Jane Austen (1775–1817)

  •  Austen nunca viveu sozinha e tinha pouca expectativa de encontrar solitude em sua vida diária.
  • Austen escrevia na sala de estar, “sujeita a todo o tipo de interrupções ocasionais”, lembrou seu sobrinho.


Frédéric Chopin (1810–1849)

  •  Ele se fechava em seu quarto por dias inteiros, chorando, andando, quebrando suas canetas, repetindo e alterando um compasso centenas de vezes, escrevendo-o e apagando-o outras tantas, e recomeçando no dia seguinte com uma perseverança ínfima e desesperada. Levava seis semanas para terminar de escrever uma única página, desde o instante em que fizera sua primeira anotação até concluí-la.

Gustave Flaubert (1821–1880)

  •  A fim de se concentrar na tarefa, Flaubert definiu uma rotina rígida que lhe permitia escrever por várias horas à noite – ele se distraía facilmente com os ruídos durante o dia – enquanto também atendia a algumas obrigações familiares básicas. (Na casa de Croisset, havia, além do autor e de sua mãe-coruja, a sobrinha de Flaubert de 5 anos, Caroline, a governanta inglesa da menina e, frequentemente, o tio de Flaubert.)

Henri de Toulouse-Lautrec (1864–1901)

  •  Toulouse-Lautrec fazia seu melhor trabalho criativo à noite, quando desenhava esboços em cabarés ou montava seu cavalete em bordéis.
  • Depois de uma longa noite de desenhos e bebedeira, costumava acordar cedo para imprimir litografias, em seguida, ir a um café para o almoço, regado a generosas quantidades de vinho.

Thomas Mann (1875–1955)

  • Mann estava sempre desperto às 8 horas. Depois de sair da cama, bebia uma xícara de café com a esposa, tomava um banho e se vestia. O café da manhã, novamente tomado com a esposa, era às 8:30. Em seguida, às 9 horas, Mann fechava a porta de seu estúdio, tornando-se inacessível a visitas, telefonemas ou à sua família. As crianças estavam terminantemente proibidas de fazer qualquer ruído entre as 9 horas e o meio-dia, as horas escolhidas por Mann para escrever.

Karl Marx (1818–1883)

  • Seu estilo de vida consistia em visitas diárias à sala de leitura do Museu Britânico, onde normalmente ficava das 9 horas até seu fechamento, às 19 horas. Em seguida, se dedicava a longas horas de trabalho à noite, quando fumava incessantemente. O cigarro, que era um luxo, passou a ser um bálsamo indispensável. Isso afetou sua saúde de forma permanente e passou a ser vítima frequente de uma doença do fígado, por vezes acompanhada de furúnculos e inflamação nos olhos, que interferiam em seu trabalho, deixavam-no exausto e irritado, e atrapalhavam seu meio incerto de subsistência.




23 maio, 2020

[Livro] Os Segredos dos Grandes Artistas (2017)/ Mason Currey






Artista Selecionado


Destaque da Rotina
 W. H. Auden (1907–1973) 
  •  Auden levantava-se pouco depois das 6 horas, fazia um café e sentava-se rapidamente para trabalhar, às vezes após fazer um pouco de palavras cruzadas. Sua mente era mais aguçada entre as 7 horas e as 11:30, e raramente deixava de tirar proveito dessas horas. (Ele desprezava os notívagos: “Só os ‘Hitlers do mundo’ trabalham à noite; nenhum artista honesto faz isso.”) Auden geralmente retomava o trabalho depois do almoço e seguia até o final da tarde. A hora dos coquetéis começava pontualmente às 18:30, quando o poeta preparava vários vodca martínis fortes para si e para eventuais convidados. Após as bebidas, era servido o jantar, regado a fartas quantidades de vinho, seguido por mais vinho e conversas. Auden ia para a cama cedo, nunca depois das 23 horas, e, conforme foi envelhecendo, por volta das 21:30. Para manter seu nível de energia e concentração, o poeta contava com a ajuda de anfetaminas. 
 Francis Bacon (1909–1992) 
  •  quando não estava pintando, Bacon levava uma vida de hedonismo, saboreando várias refeições requintadas por dia, bebendo quantidades absurdas de álcool, ingerindo qualquer estimulante que estivesse à mão e saindo para se divertir com mais frequência e intensidade do que qualquer um de seus contemporâneos. 
  • Seu único exercício era andar de lá para cá na frente de uma tela, e sua concepção de fazer dieta consistia em ingerir grandes quantidades de pílulas de alho e evitar gemas de ovos, sobremesas e café – enquanto continua a beber avidamente meia dúzia de garrafas de vinho e fazer duas ou mais refeições fartas em restaurantes por dia. 
 Thomas Wolfe (1900–1938) 
  •  Wolfe tentou descobrir o que havia despertado tão súbita mudança – e percebeu que, na janela, estivera, inconscientemente, acariciando seus órgãos genitais, hábito que tinha desde a infância e que, embora não fosse exatamente de natureza sexual (o pênis “permaneceu inerte e não estimulado”, observou em uma carta ao seu editor), promoveu um “sentimento masculino tão bom” que acabara alimentando suas energias criativas. 
 Patricia Highsmith (1921–1995) 
  •  deixava uma garrafa de vodka ao lado da cama, pegando-a assim que acordava e fazendo marcações na garrafa para definir o limite a ser consumido no dia. Também foi fumante inveterada durante a maior parte da vida, tragando um maço de Gauloises por dia. Em matéria de comida, era indiferente. Um conhecido lembrou-se de que “ela só comia bacon, ovos fritos e cereais, tudo isso em horas incomuns do dia”. 
 Federico Fellini (1920–1993) 
  •  era incapaz de dormir por mais de três horas consecutivas. 
 Ingmar Bergman (1918–2007) 
  •  levantava-se às 8 horas, escrevia das 9 horas até o meio-dia e, em seguida, fazia uma refeição frugal. “Ele sempre almoça a mesma coisa”, recorda-se a atriz Bibi Andersson. “O cardápio não muda. É uma espécie de leite azedo batido, bastante gorduroso, e geleia de morango, bem doce – um tipo de comida para bebê que ele come com flocos de milho.” 
  • Após o almoço, Bergman trabalhava novamente das 13 horas às 15 horas, e então dormia por uma hora. No final da tarde, dava uma caminhada ou pegava o ferry até a ilha vizinha para pegar os jornais e a correspondência. À noite, lia, encontrava-se com amigos, exibia um filme de sua imensa coleção ou assistia à televisão (ele gostava especialmente de Dallas). “Nunca faço uso de drogas ou de álcool”, disse Bergman. “O máximo que bebo é uma taça de vinho, e isso me deixa incrivelmente feliz.”   
 Morton Feldman (1926–1987) 
  •  Quando encontrava tempo para compor, Feldman usava a estratégia que John Cage lhe ensinara – foi “o conselho mais importante que alguém já me deu na vida”, Feldman disse durante uma palestra em 1984. “Ele disse que é muito bom compor um pouco, parar e depois copiar o que você compôs. Quando você copia, está pensando sobre o que fez, e as ideias lhe vêm à cabeça. E é assim que trabalho. E a relação entre compor e copiar é maravilhosa, fantástica.” As condições externas – ter a caneta certa, uma boa cadeira – também eram importantes. Feldman escreveu em um ensaio de 1965: “Minha preocupação, às vezes, não vai além de estabelecer uma série de considerações práticas que me permitam trabalhar. Por anos, eu disse que, se conseguisse encontrar uma cadeira confortável, estaria no mesmo nível de Mozart.” 
 Wolfgang Amadeus Mozart (1756–1791) 
  •  tenho o hábito (especialmente quando chego em casa mais cedo) de compor um pouco antes de ir dormir. Muitas vezes escrevo até a 1 hora – e me levanto às 6 horas. 

 Ludwig van Beethoven (1770–1827) 
  •  Beethoven gostava de tomar vinho durante as refeições, e saboreava um copo de cerveja e fumava seu cachimbo após o jantar. Raramente compunha à noite, e recolhia-se cedo, indo para a cama o mais tardar às 22 horas.