Arquivos

Mostrando postagens com marcador Livros de Organização Pessoal. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Livros de Organização Pessoal. Mostrar todas as postagens

01 outubro, 2021

[Livro] Quanto Menos, Melhor (2010)/ Leo Babauta




Uma pena estar esgotado, pois é permeado de boas ideias.

Esse livro complementa (acrescenta uns 20% de ideias, em especial o capítulo sobre rotinas) o outro do mesmo autor (Zen To Done), que nunca foi oficialmente lançado no Brasil; mas tem traduções feitas em português do Brasil disponíveis na Web.

Obs.: Aqui no Blog tem um resumo de Zen to Done para quem tiver interesse.

Enfim, se um dia encontrar esquecido em algum sebo, vale a pena muito mais do que a maioria dos outros livros de auto-ajuda.

Grande Abraço!





______________________________________________________

24 fevereiro, 2021

[Livro] Uma bagunça perfeita (2008)/David H. Freedman e Eric Abrahamson - Parte II


 “Se jogamos tinta em uma parede, é vandalismo, mas se colocamos uma moldura em volta da mancha, esta se transforma em arte. As pessoas apenas precisam perceber esse sentimento de ordem e intenção."


 Procrastinação 


· O procrastinador metódico: evita as verdadeiras realizações por estar sempre rearrumando as coisas.

· Protele o máximo que puder o planejamento de um evento, porque, se você planejar com muita antecedência, as circunstâncias provavelmente se modificarão e exigirão um replanejamento.


Método de Yukio Noguchi


· A essência do método de Noguchi é a seguinte: cada documento que entra., independentemente do que seja, é inserido em um grande envelope. O conteúdo é anotado na face do envelope, que é em seguida colocado na vertical em uma prateleira, de maneira que todos os envelopes fiquem alinhados em uma fileira horizontal como se fossem livros. Os novos envelopes são inseridos à esquerda da fileira, e qualquer envelope retirado é posto de volta à esquerda. 

Depois de algum tempo, os envelopes que contêm os documentos mais recentes e mais frequentemente consultados acabarão do lado esquerdo da fileira, ao passo que os mais velhos e menos utilizados estarão à direita. Teoricamente, esse método facilita o acesso aos documentos, já que eles são automaticamente priorizados pela frequência da utilização. 

Se algo parece vagamente familiar a respeito do sistema, talvez seja o seguinte: pegue a fileira de envelopes de maneira que eles fiquem empilhados na vertical em vez de alinhados na horizontal, ponha a pilha sobre sua mesa de trabalho e livre-se dos envelopes. 

Agora você está diante de uma pilha comum de papéis do tipo que você encontraria em qualquer mesa desorganizada, onde os itens mais recentes e mais usados tendem a parar na parte de cima. 

Desse modo, na próxima vez que alguém lhe disser que a sua mesa coberta de pilhas de papéis é bagunçada, você poderá mostrar que ela é apenas hiperorganizada.


 

Companhias Modulares


· Mario Benassi, chama as empresas favoráveis ao desdobramento de companhias “ modulares”, e adota três princípios básicos para elas: crescer por partes em vez de holisticamente, diminuir ou eliminar partes sem vida da empresa com a mesma rapidez com que investe nas partes promissoras; e estar preparado para reorientar as tentativas em torno de qualquer uma das partes.



Método Elbert “Burt” Rutan


· A maneira de criar uma aeronave melhor não era ficar sentado aperfeiçoando um projeto e sim colocar alguma coisa no ar, ver o que acontece e depois tentar corrigir o que estivesse errado.

· Em vez de tentar descobrir a melhor forma de fazer uma coisa e ater-se a ela, simplesmente experimente um método e corrija-o constantemente.

· Minimizar os projetos feitos de antemão, deixar de correlacionar as tarefas dos funcionários com a sua experiência e treinamento, evitar a especialização, criar uma cultura que enalteça as perguntas e os erros, recusar-se a atuar como um diretor.



Fórmula para a experimentação da bagunça


· “Planejar cedo significa planejar duas vezes.”


· Cada administrador que incorpora com sucesso um grau de bagunça na sua empresa parece fazê-lo de um modo diferente. E isso na verdade faz parte da ideia. A bagunça envolve a flexibilidade, a variação, a contradição e o inesperado. Se houvesse uma maneira correta de fazê-lo, a bagunça não seria bagunça. Eis o melhor conselho que posso dar ao dirigente comercial aspirante a ser um grande entendido em desordem: descubra a sua maneira pessoal de promover a bagunça em uma empresa.


· A fórmula para a experimentação com a bagunça é bastante simples e funciona em contextos pessoas, institucionais e técnicos: experimente ser um pouco mais bagunçado de alguma maneira, e verifique se ocorre alguma melhora. Se ocorrer, aumente um pouco a bagunça. Vá em frente até ter a sensação de que em algum momento as coisas pioraram, quando então você deverá tentar ser um pouco mais organizado. Acho que você entendeu.


Criatividade


· O nosso cérebro evoluiu para funcionar em um mundo desorganizado, e, às vezes, quando insistimos em pensar de maneira arrumada e ordenada, estamos na verdade impedindo que a nossa mente faça o que sabe fazer melhor. Na verdade, é exatamente quando o cérebro parece estar arrumando com eficiência e com perfeita ordem o mundo que nos cerca que ele apresenta a maior probabilidade de estar nos desviando do caminho certo.


· a essência do problema da criatividade (...) é que é fácil os pensamentos de uma pessoa se tornarem rotineiros, e tentar simplesmente sair desse padrão por meio do raciocínio pode ser tão eficaz quanto ficar girando as rodas do carro da lama para sair de uma vala. 


Memórias

· as nossas recordações não são um registro preciso do que assimilamos do mundo; mais exatamente, são descrições vívidas das fortemente manipuladas, construídas pelo nosso cérebro, e baseadas parcialmente na realidade e parcialmente no que precisamos, queremos ou esperamos que a realidade seja, o que é uma maneira de arrumar retroativamente o mundo


Jogos de Azar


A propensão do cérebro para sistemas de jogo é provavelmente um efeito colateral do que pode ter evoluído como um problema, às vezes proveitoso, do nosso poder de raciocínio(...). Se fôssemos sempre competentes em reconhecer a nossa incapacidade de controlar a aleatoriedade, ou seja, se aceitássemos por completo que o mundo é extremamente desordenado, poderíamos ficar paralisados pela indecisão ou pela desesperança com excessiva frequência. A rapidez em imaginar que podemos impor a ordem e melhorar as chances em um graus maior do que efetivamente somos capazes é frequentemente o que nos inspira a agir com ousadia.

· os jogadores não apenas têm confiança nos seus sistemas, como também acabam erroneamente se convencendo de que os seus registros de ganhos e perdas confirmam essa convicção. Isso acontece devido a um fenômeno psicológico conhecido como tendência para a confirmação: quando uma pessoa deseja e espera que alguma coisa seja verdade, ela tende a prestar uma atenção especial e se lembrar de tudo que confirma a expectativa e se inclina mais a não dar atenção ou esquecer o que a contradiz. Em outras palavras, o cérebro intervém e arruma a nossa visão de mundo para que ela se harmonize com a maneira como esperamos que o mundo se comporte.

 


Evolução Científica


· É fácil para qualquer pessoa fora do mundo da ciência acha que o progresso acontece de modo gradual, com a colaboração intencional de cientistas que avançam ao longo de um caminho de grande visão. Entretanto, na verdade, a ciência é na maioria das vezes uma grande bagunça, avançando aos trancos e barrancos, mergulhando de cabeça em becos sem saída aqui, alcançando êxito inesperados ali. Não apenas o que parece ser, em última análise, o caminho certo raramente é previsto com antecedência, como também pode ser que apenas retroativamente, depois de décadas de trabalho, de muitos encontros casuais e de outras conexões aleatórias, alguém perceba que afinal de contas houve uma espécie de trajetória.



 
______________________________________Fim_______________________________



10 fevereiro, 2021

[Livro] Scrum - a arte de fazer o dobro de trabalho na metade do tempo (2014)/ Jeff Sutherland - Parte 3

 



O tempo é finito


O meu discurso padrão para equipes grandes e pequenas é: “Vocês querem ser horríveis para o resto da vida? 

É essa a sua motivação? Porque existe uma escolha, sabe? — você não precisa ser assim”. Uma equipe precisa exigir de si mesma a grandiosidade.
 
Pense no seu trabalho. Quanto tempo é desperdiçado enquanto você espera alguém concluir uma tarefa, ou receber alguma informação, ou porque está tentando fazer um monte de coisas ao mesmo tempo? Talvez você prefira trabalhar o dia todo — quanto a mim, eu prefiro surfar. 

Trate-o dessa forma:

  • Divida seu trabalho em unidades que possam ser realizadas em um período definido, curto e regular — o ideal são quatro semanas. E, se você pegar a febre Scrum, pode chamar essas unidades de Sprint. Demonstre ou morra. No final de cada Sprint, você precisa ter algo pronto — algo que possa ser usado (para voar, dirigir ou qualquer outra coisa). 
  • Jogue seus cartões de visita fora. 
  • Cargos são marcadores especializados de status. Seja conhecido pelo que faz e não pelo modo como as pessoas se referem a você. 
  • Todo mundo sabe de tudo. A saturação da comunicação acelera o trabalho. 
  • Uma reunião por dia. Quando se trata de verificar o trabalho da equipe, uma vez por dia é o suficiente. Reúna-se por 15 minutos na reunião diária, veja o que pode ser feito para aumentar a velocidade e faça isso.
 

Ser multitarefa emburrece


Quando entro em uma empresa, em geral, me deparo com cerca de 85% de esforço desperdiçado. Apenas um sexto do trabalho feito realmente produz algo de valor. Bem no fundo, enquanto repetimos o ritmo dos nossos dias, sabemos que isso é verdade. É por isso que rimos, às vezes meio nervosamente, quando ouvimos piadas sobre a insanidade e o desperdício de vida que encontramos em uma corporação moderna.
 
  •  “concluir” significa um produto completo que pode ser entregue e usado por um cliente. Se algo está feito pela metade no final do Sprint, você está pior do que se nem tivesse começado. Você gastou recursos, esforço e tempo e não conseguiu nada que se encontre em um estado que pode ser entregue. Você tem um carro pela metade. Talvez tivesse sido melhor criar algo menor — algo que realmente funcione.
 
Nós só conseguimos lembrar de algumas coisas; só podemos nos concentrar de verdade em uma coisa de cada vez. Essa tendência para o processo de corrigir coisas fica mais difícil quando se passa mais tempo — representa uma limitação semelhante. 

Quando você está trabalhando em um projeto, cria um espaço em volta dele na sua mente. Você conhece todos os motivos diferentes que explicam por que algo está sendo feito, e mantém uma construção bastante complexa na sua cabeça. Recriar isso uma semana depois é difícil. 

É preciso se lembrar de todos os fatores considerados quando se fez determinada escolha, e recriar o processo de pensamento que o levou a tomar determinada decisão. Você tem que se tornar a pessoa que era no passado de novo, colocar-se de volta dentro de uma mente que não existe mais. Fazer isso demora, e demora muito. Vinte e quatro vezes mais tempo do que você levaria se corrigisse o problema assim que o descobrisse.
 

Esgotamento do ego


Por que será que se você trabalhar menos horas, consegue uma produção maior? Não parece realmente fazer sentido. Scott explica que as pessoas que trabalham horas demais começam a cometer erros, o que, como já vimos, pode exigir mais esforço, porque consertar leva mais tempo do que para criar. Funcionários que trabalham além da conta tendem a se distrair mais e a começar a distrair os outros. Logo eles começam a tomar decisões ruins.
 
Os pesquisadores observaram o horário em que os juízes tomaram suas decisões, se tinham demonstrando clemência e quanto tempo fazia desde que tinham lanchado. 

Se eles tivessem acabado de chegar ao trabalho, ou se tivessem voltado de um intervalo para comer alguma coisa, ou se tinham voltado do almoço, eles tomavam decisões favoráveis em mais de 60% dos casos. Essa taxa caía para perto de zero conforme se aproximava o horário do intervalo seguinte. Basicamente, um pouco depois de um intervalo curto, os juízes apresentavam uma atitude mais positiva e tomavam decisões mais lenientes. Eles demonstravam mais imaginação e capacidade de ver que o mundo e as pessoas podiam mudar, podiam ser diferentes. Mas, à medida que queimavam suas reservas de energia, começavam a tomar cada vez mais decisões que mantinham o status quo.


  • Esse fenômeno foi chamado de “esgotamento do ego”. A ideia é que fazer qualquer escolha envolve um gasto de energia. É um tipo estranho de exaustão — você não se sente fisicamente cansado, mas a sua capacidade de tomar boas decisões diminui. O que realmente muda é seu autocontrole — sua capacidade de ser disciplinado, cuidadoso e previdente.

  •  existe um número limitado de decisões sensatas que você pode tomar em qualquer dia, e, à medida que vai tomando decisões, diminui a capacidade de controlar seu próprio comportamento. Você começa a cometer erros — e pode acabar cometendo erros sérios. Conforme a curva de Maxwell mostra, essas decisões ruins têm um impacto na produtividade. 
    • Então, volte para casa às cinco horas da tarde. Desligue o celular no fim de semana. Assista a um filme. Talvez mais importante: coma um sanduíche. Ao não trabalhar demais, você vai conseguir produzir mais e com mais qualidade. O Scrum pede às pessoas que adotam esse método para quebrar o paradigma de medir o trabalho apenas em horas. A hora por si só representa um custo. Em vez disso, a medida deve ser feita em resultados. Quem se importa com o número de horas que alguém trabalhou em algo? Tudo que importa é a rapidez e a qualidade com que ele é entregue.
_____________________________ continua...

07 fevereiro, 2021

[Livro] Os Segredos dos Grandes Artistas (2017)/ Mason Currey - Parte 3



Sigmund Freud (1856–1939)
  • Freud levantava-se todos os dias às 7 horas, tomava café da manhã e tinha a barba aparada por um barbeiro que ia à sua casa diariamente. Em seguida, atendia pacientes para análise das 8 às 12 horas. A principal refeição do dia era servida pontualmente às 13 horas. Freud não era um gourmet – não gostava de vinho nem de frango, e preferia uma dieta de classe média, como carne cozida ou assada – mas gostava de comer, e o fazia concentrado, em silêncio.
  • Às 15 horas, dava consultas, que eram seguidas por mais pacientes de análise, muitas vezes até as 21 horas. Então, a família fazia a ceia e Freud jogava cartas com a cunhada ou dava um passeio com a esposa ou uma das filhas, às vezes parando em um café para ler os jornais. O restante da noite ficava em seu estúdio, lendo, escrevendo e executando tarefas editoriais para publicações dedicadas à psicanálise, até 1 hora ou mais tarde.
Gustav Mahler (1860–1911)
  • Acordava às 6 horas ou 6:30 e imediatamente chamava o cozinheiro para preparar seu café da manhã: café moído na hora, leite, pão, manteiga e geleia, que o cozinheiro levava até a cabana de pedra onde Mahler compunha, na floresta.
     
    Mahler trabalhava até o meio-dia, quando, então, voltava em silêncio para o seu quarto, trocava de roupa e ia até o lago para dar um mergulho.

     A refeição era, de acordo com a preferência de Mahler, leve, simples, bem cozida e com um mínimo de temperos. “Seu objetivo era satisfazer-se sem atiçar o apetite ou causar qualquer sensação de peso”, escreveu Alma, a quem a dieta parecia a “dieta de um inválido”. Gustav e Alma Mahler, perto de sua residência de verão, 1909 Após o almoço, Mahler arrastava Alma para uma caminhada de três ou quatro horas ao longo da beira do lago, fazendo paradas ocasionais para anotar ideias em seu caderno, contando o tempo no ar com o lápis.
  

Richard Strauss (1864–1949)


  •  Meu dia de trabalho é muito simples; eu me levanto às 8 horas, tomo um banho e o café da manhã – três ovos, chá, “Eingemachtes” (geleia caseira); então dou um passeio de meia hora pelo Nilo no palmeiral do hotel e trabalho das 10 horas até as 13 horas; a orquestração do primeiro ato avança devagar e sempre. Almoço às 13 horas. Após o almoço, leio meu Schopenhauer ou jogo Bezique com a Sra. Conze, apostando alguns trocados. Trabalho das 15 às 16 horas; tomo chá às 16 horas e depois saio para uma caminhada até as 18 horas,

Henri Matisse (1869–1954)
  • Há mais de 50 anos não paro de trabalhar por um instante. Fico sentado das 9 horas ao meio-dia. Daí almoço. Em seguida, tiro um cochilo e pego nos pincéis novamente às 14 horas, e trabalho até a noite.

Joan Miró (1893–1983)

  • Levantava-se às 6 horas, fazia sua higiene, tomava café e comia algumas fatias de pão. Às 7 horas, ia para o estúdio e trabalhava sem parar até o meio-dia, quando parava para fazer uma hora de exercícios vigorosos, como boxe ou corrida. Às 13 horas, se sentava para um almoço frugal, mas bem preparado, que arrematava com um café e três cigarros, nem mais nem menos. Em seguida, praticava sua “ioga do Mediterrâneo”, um cochilo de apenas cinco minutos. Às 14 horas, recebia a visita de um amigo, tratava de negócios ou escrevia cartas. Às 15 horas, voltava para o estúdio, onde ficava até a hora do jantar, às 20 horas. Após o jantar, lia um pouco ou ouvia música.


Gertrude Stein (1874–1946)

  • nunca conseguiu escrever muito além de meia hora por dia, mas acrescentou: “Se você escrever meia hora por dia, acaba escrevendo muito com o passar dos anos. Para ter certeza de que todos os dias, o dia todo, você fica esperando para escrever aquela meia hora por dia.”

Ernest Hemingway (1899–1961)

  •  Durante a vida adulta, Hemingway levantava-se cedo, às 5:30 ou 6 horas, despertado pelas primeiras luzes do dia.
     
    Escrevia em pé, de frente para uma estante na altura do peito, com uma máquina de escrever e uma lousa de madeira em cima ali apoiadas. Os primeiros esboços eram feitos a lápis em papel para datilografia, dispostos obliquamente pela lousa.
     
    Ele acompanhava sua produção diária de palavras em um gráfico
Henry Miller (1891–1980)

  • escrevia, trabalhando do café da manhã até o almoço. Tirava um cochilo e, em seguida, escrevia novamente durante a tarde e, às vezes, avançava pela noite. Quando foi envelhecendo, porém, descobriu que toda atividade realizada depois do meio-dia era desnecessária e até mesmo contraproducente.

F. Scott Fitzgerald (1896–1940)

  • acreditava que o álcool era essencial para seu processo de criação. (Ele preferia gim puro – o efeito era rápido e, segundo ele, difícil de ser percebido no hálito.)

William Faulkner (1897–1962)

  • “Escrevo quando o espírito me move”, Faulkner disse, “e o espírito me move todos os dias”.


 Continua...
  

03 janeiro, 2021

[Lista] Livros Sobre Organização no Blog!

 

Foto de Sharad kachhi no Pexels



Título 

Autor 
Resenha


1 - Arrume a Sua Bagunça e Transforme a Sua Vida (2016)/ 

Kingston, Karen



2 - Casa em ordem (2009)/

 Natalia Zanar Ortiz





3 - Checklist - Como fazer as coisas benfeitas (2011)


Atul Gawande

4 - Chega de Desperdício! (2010)

John Naish

Livro maravilhoso:



5 - Menos é Mais (2016)  

Jay, Francine



6 - O Ócio Criativo (2000)

Domenico de Masi



7 - Organização Pessoal: para Usuários de Agenda de Papel Ou no Computador (2003)

Marcelo Andrade



8 - Os Sete Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes (1989)

Stephen Covey



9 - Técnicas de Arquivo e Controle de Documentos (2005)

Sebastiana Batista Vieira



10 - Terapia do Apartamento (2007)

Maxwell Gillingham-Ryan

Esse livro é bom demais




11 - Uma bagunça perfeita (2008)

David H. Freedman e Eric Abrahamson








12 - Organize-se (2006)

Caunt, John

 13 - Blogging Heroes (2009)

Michael A. Banks



14 - Scrum - a arte de fazer o dobro de trabalho na metade do tempo (2014)

Jeff Sutherland


15 - Segredos dos Grandes Artistas (2017)

Mason Currey



16 - Feng Shui no Trabalho (2008)

Darrin Zeer


17 - 
17 - Administração do Tempo (2014)/ 
Alberto Dell'isola e William Douglas



18 - Listomania: Organizando Pensamentos (2014)

Paula Rizzo



19 - Não Deixe para Depois o que você pode fazer agora (2008)
 Rita Emmett


20 - Acabe com bagunça - Organize sua casa, melhore a limpeza e ponha fim nos caos (2007)

Ewer, Cynthia Towley



21 - O Prazer de Ficar em Casa (2007)
 Letícia Ferreira Braga 
 






22 - Sua Playlist Pode Mudar Sua Vida (2014)

Don DuRousseau, Galina Mindlin e Joseph Cardillo

 
_________________________________________

30 dezembro, 2020

[Livro] Uma bagunça perfeita (2008)/David H. Freedman e Eric Abrahamson - Parte I





Ideia de Bagunça

· A bagunça não é necessariamente uma ausência da ordem.

· Em linhas gerais, um sistema é desorganizado se os seus elementos estão espalhados, misturados ou variam de alguma maneira devido a algum grau de aleatoriedade, ou se para todos os efeitos práticos ele parece aleatório a partir do ponto de vista de alguém. (...) Ser bagunceiro, desordenado e desorganizado, na nossa acepção, é bem o que você provavelmente pensa que é: espalhar objetos, misturar coisas, deixar coisas se empilharem, fala assuntos fora de ordem, ser incoerente, improvisar. Você sabe do que estou falando.

· Quase todo tipo de bagunça encontrado na vida do dia-a-dia é uma ordem fracassada: alguém tinha um sistema de organização em mente que por um ou outro motivo não funcionou.


Bagunça adequada

É difícil argumentar que as usinas nucleares, os cadastros dos impostos ou os estacionamentos não devam ser bem organizados. Entretanto, existem também muitos elementos na nossa vida que, embora frequentemente mantidos arrumados e extremamente ordenados, se comportariam melhor se fossem deixados pelo menos um pouco desorganizados, como por exemplo as férias, a amizade, a arte, os cochilos, as memórias, os animais de estimação, o divórcio, o esporte, as sobremesas, o namoro, o jogo, ser demitido da empresa, ler, o sexo, o combate, a criação dos filhos e a morte.

Cheryl Mendelson, Home comforts: The Art and Science of Keeping House, que faz o seguinte comentário sobre os entusiastas da ordem doméstica: Eles arrumam os sapatos ao longo do espectro das cores em linha reta e são dominados pela ansiedade se as toalhas na prateleira não estão todas voltadas para o mesmo lado. Eles despendem um enorme esforço no que consideram uma boa administração doméstica, mas a casa deles nem sempre é acolhedora. Quem pode se sentir à vontade em um lugar onde a exigência a exigência da ordem é tão exagerada? Na administração doméstica, mas nem sempre é melhor. A ordem e a arrumação não devem custar mais do que o valor que proporcionam em saúde, eficiência e conveniência.

· Fazer a cama quando nos levantamos pela manhã é como amarrar o cadarço de um sapato depois de tirá-lo do pé.

· Organizar de uma maneira envolve bagunça de outra.

· O elemento mais importante da arrumação é, de longe, simplesmente nos livrarmos de um vasto mar de objetos que não são mais necessários.

· Parte do problema é que na hora de se organizar, as pessoas tendem a pensar em projetos do tipo Big Bang destinados a exterminar a bagunça. Essa atitude conduz à eliminação maciça de um grande percentual de bens, algo que além de ter a tendência de resultar em uma experiência dolorosa também aumenta as chances de jogarmos fora coisas das quais sentiremos muita falta. Em vez disso, por que não jogar fora apenas o suficiente para recuperar uma quantidade confortável de espaço e de ordem, limitando o massacre aos objetos que se revelam fáceis de discernir na hora de separar o que é inútil das coisas boas? Afinal de contas, o melhor lugar para manter alguma bagunça sentimental é em casa, não é mesmo?

Um parâmetro melhor do que a frequência de utilização é o valor potencial e a substituibilidade.




Os benefícios da bagunça



· Flexibilidade: os sistemas desorganizados se adaptam e mudam mais rápido, mais radicalmente, de maneira mais variada e mais ampla, e com menos esforço. Os sistemas organizados tendem a responder com mais rapidez e lentidão às exigências da mudança, aos eventos inesperados e a novas informações.


· Totalidade: os sistemas bagunçados podem tolerar com tranquilidade em conjunto exaustivo de entidades heterogêneas. Os sistemas arrumados tendem a reduzir a quantidade e a diversidade dos elementos, eliminando alguns que teriam se revelado uteis ou até mesmo críticos.


· Ressonância: a bagunça tende a ajudar o sistema a se harmonizar com o seu ambiente e com fontes de informação e mudança normalmente evasivas, extraindo delas uma influência proveitosa. A ordem e a organização tendem a isolar o sistema dessas influências e a permanecer em conflito com elas.

Ressonância estocástica - Em poucas palavras, a ressonância estocástica se aplica a uma situação aparentemente paradoxal na qual a adição de algum tipo de aleatoriedade a um sistema o torna mais eficaz , ou seja, como se quanto mais estática você captasse em uma estação de rádio, mais claramente você ouvisse a música.

· Invenção: a bagunça aleatoriamente justapõe e altera os elementos de um sistema e os faz gerar para uma posição mais proeminente na qual eles são mais facilmente percebidos, o que conduz a novas soluções. A organização e a ordem tendem a limitar a inovação e o inesperado, bem como a pô-los de lado quando surgem.

As pessoas estão excessivamente condicionadas a agir todos os dias da mesma forma (...) o que frequentemente significa que ficam presas a hábitos nocivos. Em outras palavras, a concentração e a coerência tornam-se as barreiras para a solução dos problemas.



· Eficiência: os sistemas desorganizados frequentemente atingem metas com um modesto consumo de recursos, podendo às vezes deslocar parte da carga de trabalho para o mundo exterior. Ser organizado requer um constante dispêndio de recursos e tende a deixa a carga de trabalho aprisionada no sistema.


· Robustez: como a bagunça tende a reunir de forma vaga elementos discrepantes, os sistemas desorganizados resistem mais à destruição, ao fracasso e à limitação. Os sistemas organizados tendem a ter pontos fortes e fracos mais definidos, e portanto são frequentemente frágeis, facilmente frustrados ou perturbados, e copiados sem esforço.



Mesas bagunçadas


· E se o custo de ser metódico e bem organizado frequentemente sobrepujarem os benefícios? E se o fato de sermos um tanto ou quanto desorganizados, em um sentindo mais amplo, for melhor negócio?

· Uma mesa bagunçada pode ser um sistema altamente eficaz de priorização e acesso. As pessoas com mesas desarrumadas reúnem várias estratégias diferentes, com frequência de modo inconsciente, para manter á mão o trabalho de que precisam. Em geral, a mesa desorganizada tende a assumir um formato no qual os assuntos mais importantes e urgentes ficam mais próximos e no alto das pilhas, enquanto os assuntos que podem ser desprezados com segurança ficam longe e embaixo de tudo, o que faz perfeitamente sentido.

· uma das grandes características da mesa desarrumada é que ela tende a refletir a maneira como pensamos e trabalhamos. O pensamento e o trabalho são imprevisíveis, variáveis e ambíguos. São bagunçados. Por que a sua mesa também não deveria sê-lo.


Ponto de entrada do trabalho. O que no seu ambiente do escritório o ajuda a descobrir como recomeçar onde você parou ou iniciar uma nova tarefa quando você é interrompido, deixa o escritório, troca de tarefa ou termina uma tarefa? Ele descobriu que os “organizados” dependem de um pequeno número de “estruturas de coordenação explícitas” como listas, agendas e caixas de entrada para determinar com rapidez e segurança o que fazer a seguir. Os “bagunceiros”, por outro lado, são “impulsionados pelos dados”, ou seja, não planejam ou especificam explicitamente o que fazem, valendo-se do do ambiente imediato para obter pistas e informações, sob a forma de documentos que estão sobre a mesa, pastas empilhadas em cima do arquivo, comentários rabiscados em envelopes, recados adesivos (os quais, surpreendentemente, são desprezados por muitos organizados) colocados aqui e ali, livros deixados abertos no chão, e assim por diante.

· Mas os bagunceiros costumam tirar grande vantagem das indicações ao seu redor, notando, por exemplo, quando uma pasta pela qual não estavam procurando revela-se útil para a tarefa em questão ou sugere outra tarefa ainda mais proveitosa. David Kirsh compara o oportunismo nas tarefas do bagunceiro ao consumidor que vai a uma loja compra costeletas de carneiro para o jantar mas acaba levando um grande peso de salmão que por acaso está na oferta.



Planejamento Estratégico Empresarial 

· O planejamento estratégico empresarial de modo geral, ao lado de outras formas de planejamento formal a longo prazo, era uma perda de tempo.

· Os executivos que se sintam tentados a se manifestar contra essas distorções temem poder ser considerados criadores de caso e pessimistas. Além disso, os executivos tendem a adotar o ponto de vista assumido por seus superiores, de modo que quando os altos executivos, que em geral estão distantes demais da linha de frente para observar diretamente o que está acontecendo na sua própria organização, que dirá no mundo exterior, pedem informações aos seus subordinados, acabam ouvindo “ecos da sua próprias vozes”(...). A distorção torna-se ainda pior no planejamento estratégico, no qual a necessidade de produzir e justificar planos específicos levam os executivos a manipular ainda mais os dados para dar a impressão de que os planos deram certo. O resultado é um círculo vicioso de interpretações errôneas que engendram interpretações piores ainda, e assim por diante.

Mesmo que os executivos tivessem informações incríveis a respeito de sua empresa, setor e mercado, o planejamento formal a longo prazo ainda estaria condenado ao fracasso (...). Isso se deve ao fato de que previsões no mundo dos negócios que se estendem além de alguns meses equivalem a jogar uma moeda para o alto.(...) planejamento a logo prazo provavelmente exerce um efeito adverso. Isso acontece porque o planejamento formal pode acabar limitando as empresas a estratégias defeituosas, concentrando a energia de todas as pessoas em oportunidades que nunca se materializam e fazendo com que as empresas deixem passar as verdadeiras oportunidades que surgem no seu caminho.

· No entanto, segundo os dados, as empresas que fortemente comprometidas com o planejamento estratégico formal não tem em média um desempenho pior do que as companhias que fazem menos planejamento. Não se saem nem melhor nem pior.


______________________________continua...

25 julho, 2020

[Livro] Os Segredos dos Grandes Artistas (2017)/ Mason Currey - Parte 2



Søren Kierkegaard (1813–1855)
  •  Kierkegaard tinha sua maneira bastante peculiar de beber café: Com enorme prazer, pegava o saco de açúcar e vertia o açúcar para dentro da xícara de café até que estivesse amontoado até a borda. Em seguida, despejava o fortíssimo café preto, que lentamente dissolvia a pirâmide branca. O processo mal estava concluído antes de o estimulante viscoso desaparecer no estômago do mestre, onde se incorporava ao xerez para produzir energia adicional que se infiltrava em seu cérebro fervente e borbulhante
  • Normalmente, escrevia no período da manhã, partia em uma longa caminhada por Copenhague ao meio-dia e retomava seus escritos no restante do dia, avançando na noite. Durante as caminhadas, tinha suas melhores ideias e, às vezes, tinha tanta pressa para registrá-las que, ao voltar para casa, escrevia de pé parado em frente à sua mesa, ainda de chapéu e segurando sua bengala ou guarda-chuva. Kierkegaard

Voltaire (1694–1778)
  •  passava a manhã na cama, lendo e ditando novos textos para um de seus secretários. Ao meio-dia, se levantava e se vestia. Em seguida, recebia visitas. Se não houvesse nenhuma, continuava a trabalhar, consumindo café e chocolate para se nutrir. (Ele não almoçava.) Entre as 14 e as 16 horas, Voltaire e seu secretário principal, Jean-Louis Wagnière, saíam de carruagem para inspecionar a propriedade. Depois, trabalhava novamente até as 20 horas, quando se reunia com a sobrinha viúva (e amante de longa data) Madame Denis e outros convidados para o jantar. 
  • Mas seu dia de trabalho não terminava aí: Voltaire muitas vezes continuava a ditar textos depois da ceia, noite adentro. Wagnière estima que, ao todo, eles trabalhassem de 18 a 20 horas por dia. Para Voltaire, era um arranjo perfeito.  

Benjamin Franklin (1706–1790)

  •  Achei muito mais agradável à minha constituição banhar-me em outro elemento, e quero dizer o ar frio. Com esse propósito, eu me levanto cedo quase todas as manhãs, e sento-me no meu quarto sem roupa alguma, por meia hora ou uma hora, de acordo com a estação do ano, e leio ou escrevo. Essa prática não é nem um pouco dolorosa; ao contrário, é bem agradável. Se eu volto para a cama mais tarde, antes de me vestir, como às vezes acontece, complemento o descanso da noite, dormindo uma ou duas horas do sono mais agradável que alguém possa imaginar.

Anthony Trollope (1815–1882)
  •  Eu costumava sentar-me para trabalhar todos os dias às 5:30;
  • três horas por dia produzem tanto quanto um homem deve        escrever. Mas, para isso, deve ter treinado a si mesmo para ser capaz de trabalhar continuamente durante essas três horas – orientando sua mente para que não seja necessário sentar-se e ficar mordiscando a caneta, e olhando para a parede à sua frente, até encontrar as palavras com que deseja expressar suas ideias.
  • Eu sempre começava a tarefa lendo o trabalho do dia anterior, uma operação que levava meia hora, e que consistia principalmente na ponderação do som das palavras e frases em meu ouvido...


Jane Austen (1775–1817)

  •  Austen nunca viveu sozinha e tinha pouca expectativa de encontrar solitude em sua vida diária.
  • Austen escrevia na sala de estar, “sujeita a todo o tipo de interrupções ocasionais”, lembrou seu sobrinho.


Frédéric Chopin (1810–1849)

  •  Ele se fechava em seu quarto por dias inteiros, chorando, andando, quebrando suas canetas, repetindo e alterando um compasso centenas de vezes, escrevendo-o e apagando-o outras tantas, e recomeçando no dia seguinte com uma perseverança ínfima e desesperada. Levava seis semanas para terminar de escrever uma única página, desde o instante em que fizera sua primeira anotação até concluí-la.

Gustave Flaubert (1821–1880)

  •  A fim de se concentrar na tarefa, Flaubert definiu uma rotina rígida que lhe permitia escrever por várias horas à noite – ele se distraía facilmente com os ruídos durante o dia – enquanto também atendia a algumas obrigações familiares básicas. (Na casa de Croisset, havia, além do autor e de sua mãe-coruja, a sobrinha de Flaubert de 5 anos, Caroline, a governanta inglesa da menina e, frequentemente, o tio de Flaubert.)

Henri de Toulouse-Lautrec (1864–1901)

  •  Toulouse-Lautrec fazia seu melhor trabalho criativo à noite, quando desenhava esboços em cabarés ou montava seu cavalete em bordéis.
  • Depois de uma longa noite de desenhos e bebedeira, costumava acordar cedo para imprimir litografias, em seguida, ir a um café para o almoço, regado a generosas quantidades de vinho.

Thomas Mann (1875–1955)

  • Mann estava sempre desperto às 8 horas. Depois de sair da cama, bebia uma xícara de café com a esposa, tomava um banho e se vestia. O café da manhã, novamente tomado com a esposa, era às 8:30. Em seguida, às 9 horas, Mann fechava a porta de seu estúdio, tornando-se inacessível a visitas, telefonemas ou à sua família. As crianças estavam terminantemente proibidas de fazer qualquer ruído entre as 9 horas e o meio-dia, as horas escolhidas por Mann para escrever.

Karl Marx (1818–1883)

  • Seu estilo de vida consistia em visitas diárias à sala de leitura do Museu Britânico, onde normalmente ficava das 9 horas até seu fechamento, às 19 horas. Em seguida, se dedicava a longas horas de trabalho à noite, quando fumava incessantemente. O cigarro, que era um luxo, passou a ser um bálsamo indispensável. Isso afetou sua saúde de forma permanente e passou a ser vítima frequente de uma doença do fígado, por vezes acompanhada de furúnculos e inflamação nos olhos, que interferiam em seu trabalho, deixavam-no exausto e irritado, e atrapalhavam seu meio incerto de subsistência.