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17 março, 2021

[Livro] 10% Mais Feliz (2014)/Dan Harris - Parte 1

 

 

Quando você se afasta de suas emoções (...), elas muitas vezes se manifestam em seu corpo.

 

Com a cocaína, você nunca consegue se saciar. A droga bate, o efeito chega ao pico, depois vai se dissipando – e, quando você menos espera, cada célula do seu corpo está gritando por mais uma dose.

 Infelizmente, a dor que vem quando a droga deixa de fazer efeito tem poder proporcional ao seu momento de pico. A realidade retorna à cena a golpes de picareta. Neurologicamente, o custo disso é altíssimo. Um dia depois de tomar ecstasy, os estoques de serotonina no meu cérebro se esgotaram. Fui dominado por uma sensação de vazio que sugava a minha alma. Eu me sentia apenas a carcaça de um homem.

 

“Quando você tem um pé no futuro e outro no passado, você mija no presente.”

 Buda adotava um truísmo muitas vezes ignorado: nada dura para sempre – incluindo nós mesmos. Nós e todos os que amamos vamos morrer. A fama se dissipa, a beleza se desvanece, até continentes se movem. Nossos corpos são feitos de átomos oriundos das primeiras estrelas da Grande Explosão. E tudo isso acontece num universo infinito. Podemos saber de tudo isso intelectualmente, mas no nível emocional estamos condicionados a negar essa realidade. Nós nos comportamos como se houvesse um solo firme sob nossos pés, como se tivéssemos controle de alguma coisa. Isolamos os idosos em asilos e fingimos que a velhice nunca chegará para nós. Sofremos porque nos afeiçoamos a pessoas e posses que um dia irão desaparecer.

 

A meditação  me dava a impressão de ser a destilação de tudo de mais ridículo no estilo de vida granola. Eu me imaginei sentado numa dolorosa posição de pernas cruzadas, numa sala com cheiro de chulé, ao lado de “praticantes” com ar superior tocando sininhos, olhando para cristais, entoando om e tentando flutuar em direção a alguma nuvem cósmica.

 Sente-se confortavelmente. Você não precisa cruzar as pernas. Acomode-se numa cadeira, numa almofada ou no chão – onde quiser. Apenas certifique-se de que sua coluna esteja ereta. Sinta sua respiração para dentro e para fora. Escolha um ponto (narinas, peito ou barriga) e concentre ali sua atenção para realmente sentir a respiração. Se ajudar a direcionar sua atenção, você pode usar uma suave anotação mental, como “dentro” e “fora”. Sempre que sua atenção se dispersar, perdoe-se e gentilmente retorne à respiração. Você não precisa livrar a mente de todos os pensamentos; isso é impossível. O jogo consiste em pegar a sua mente de volta quando ela fugir e depois devolvê-la à respiração, quantas vezes for preciso.

 Não ficou mais fácil com o tempo. Assim que me sentava, já começava a ter acessos de coceira. Depois vinha a fadiga: era como se uma gosma pegajosa de torpor escorresse da minha testa. Em seguida, o jorro de pensamentos voltava com força total. Tentar frear o pensamento era como varrer um chão infestado de baratas.

Você até conseguia limpar o espaço por alguns instantes, mas logo os insetos voltavam correndo, de todos os lados. Eu sabia que precisava apenas me perdoar, mas, sempre que minha mente vagava, eu sentia vergonha. As coisas que me distraíam eram completamente banais: O que vou comer hoje no almoço? Devo cortar o cabelo? Como Dança com Lobos conseguiu ganhar o Oscar?

 Então passei a ver os momentos entre uma coisa e outra – o minuto antes de entrar no ar, o tempo livre enquanto minha equipe de filmagem aprontava o local para a entrevista – como uma oportunidade de me concentrar na minha respiração ou apenas de observar tudo à minha volta.

Assim que entrei nesse jogo, percebi que passara grande parte da minha vida como sonâmbulo, com minha mente me jogando para a frente e para trás. Eu via o mundo através de um véu formado por pensamentos entrelaçados que criavam uma espécie de barreira entre mim e a realidade.

 

“atenção plena”. 


“A atenção plena nos ajuda a examinar o que não gostamos em nós mesmos sem tentar fazer isso desaparecer nem tentar amá-lo.” Simplesmente estar conscientes do que somos é tremendamente libertador.

Essa expressão significa reconhecer o que está acontecendo em sua mente agora mesmo – raiva, ciúme, tristeza, a dor de bater com o dedão no pé da cama ou o que for – sem se deixar dominar por isso.

De acordo com Buda, temos três respostas habituais para todas as experiências: nós queremos, rejeitamos ou ignoramos. Biscoitos: eu quero. Mosquitos: eu rejeito. Instruções de segurança no avião: eu ignoro. A atenção plena é uma quarta opção, uma forma de ver o conteúdo de nossa mente sob uma perspectiva não julgadora. Eu achava essa teoria bacana mas totalmente impraticável.

 

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