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06 outubro, 2021

A Geração Superficial (2010 - Nicholas Carr): Resumo

 


A tecnologia muda a forma do cérebro


 Hoje, finalmente, começam a se dissipar as brumas que obscureciam a inter-relação entre a tecnologia e a mente. As recentes descobertas da neuroplasticidade tornam mais visível a essência do intelecto, e mais fáceis de assinalar seus passos e fronteiras. Elas nos dizem que as ferramentas que o homem usou para apoiar ou estender seu sistema nervoso — aquelas tecnologias que ao longo da história influenciaram como encontramos, armazenamos e interpretamos informação, como direcionamos a nossa atenção e ocupamos os nossos sentidos, como nos lembramos e como esquecemos — modelaram a estrutura física e o funcionamento do cérebro humano.

 Seu uso fortaleceu alguns circuitos neurais e enfraqueceu outros, reforçou certos traços mentais enquanto deixou esmaecer outros. A neuroplasticidade fornece o elo perdido para compreendermos como os meios informacionais e outras tecnologias intelectuais exerceram sua influência sobre o desenvolvimento da civilização e ajudaram a guiar, em um nível biológico, a história da consciência humana.


Entenda  o que perdemos


 a alienação é um subproduto inevitável do uso da tecnologia. Sempre que usamos uma ferramenta para exercer um maior controle sobre o mundo exterior, mudamos a nossa relação com esse mundo. O controle só pode ser exercido com um distanciamento psicológico. Em alguns casos, a alienação é precisamente o que dá o valor a uma ferramenta. Construímos casas e confeccionamos jaquetas de goretex porque queremos ser alienados do vento, da chuva e do frio. Construímos esgotos públicos porque queremos manter uma distância saudável de nossa imundície. A natureza não é nossa inimiga, mas também não é amiga.

(...) As funções mentais que estão perdendo a batalha das células cerebrais da “sobrevivência do mais ocupado” são aquelas que amparam o pensamento calmo, linear — aquelas que usamos para percorrer uma narrativa extensa ou um argumento elaborado, aquelas com as quais contamos quando refletimos sobre nossas experiências ou contemplamos um fenômeno externo ou interno. As vencedoras são aquelas funções que nos auxiliam a localizar, categorizar e avaliar velozmente porções disparatadas de informação em uma variedade de formas, que permitem que nossa mente não se perca quando somos bombardeados por estímulos. Não coincidentemente, essas funções são muito semelhantes às realizadas pelos computadores, que são programados para a transferência a alta velocidade de dados para dentro e para fora da memória. Mais uma vez, parece que estamos assumindo as características de uma nova tecnologia intelectual popular.


Não perca sua Cultura


 Em um ensaio recente, o dramaturgo Richard Foreman descreveu eloquentemente o que está em jogo. “Venho de uma tradição de cultura ocidental”, escreveu, “na qual o ideal (o meu ideal) era a estrutura complexa, densa e ‘ao modo de uma catedral’ da personalidade altamente educada e articulada — um homem ou uma mulher que trazia dentro de si mesmo uma versão pessoalmente construída e única de toda a herança do Ocidente.” 

Mas agora, continua ele, “eu vejo dentro de nós (eu mesmo incluído) a substituição de uma densidade interior complexa por um novo tipo de self — evoluindo sob a pressão da sobrecarga da informação e da tecnologia do ‘instantaneamente disponível’”. Quando drenam o nosso "repertório interior da densa herança cultural”, concluiu Foreman, corremos o risco de nos tornarmos "pessoas panqueca — espalhadas para os lados e finas à medida que nos conectamos com a vasta rede de informação acessada pelo mero toque de um botão”.


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Minimalismo Digital (2019 - Cal Newport): Resumo

 



Faça Caminhadas

 Uso essas caminhadas para vários propósitos. As atividades mais comuns incluem tentar progredir em um problema profissional (como uma prova de matemática para meu trabalho como cientista da computação ou um esboço de capítulo para um livro) e refletir sobre algum aspecto particular da minha vida que eu ache que precise de mais atenção. 

Às vezes, faço o que chamo de “passeios de gratidão”, nos quais desfruto de um clima particularmente bom, deparo-me com um bairro de que gosto ou, se estiver passando por uma fase ocupada ou estressante, busco um sentimento de expectativa por tempos melhores. Às vezes, começo a andar com a intenção de abordar um desses objetivos e logo descubro que minha mente tem outras ideias sobre o que realmente precisa de atenção. 

Nessas circunstâncias, adio minhas inclinações cognitivas e lembro-me do quanto seria difícil captar esses sinais em meio ao ruído que domina a ausência de solidão. Em suma, eu ficaria perdido sem minhas caminhadas, porque se tornaram uma das minhas melhores fontes de solidão. Essa prática propõe que você encontre benefícios semelhantes passando mais tempo sozinho caminhando. Os detalhes dessa prática são simples: regularmente, faça longas caminhadas, de preferência por algum lugar pitoresco. Faça esses passeios sozinho, o que significa também, se possível, sem seu smartphone.


Passe um tempo Sozinho

 O pianista Glenn Gould certa vez propôs uma fórmula matemática para esse ciclo, dizendo a um jornalista: “Sempre tive uma espécie de intuição de que, para cada hora que passa com outros seres humanos, você simplesmente precisa de algumas horas sozinho. 

Agora, quantas horas seriam necessárias não sei… mas é uma proporção substancial.” É exatamente essa alternância entre o tempo com seus pensamentos e a conexão regular que proponho como o segredo para evitar a privação de solidão em uma cultura que exige conexão. 

Como o exemplo de Thoreau enfatiza, não há nada de errado com a conectividade, mas, se você não a equilibrar com doses regulares de solidão, seus benefícios diminuirão.


Seja um minimalista digital

 Minimalismo Digital Uma filosofia de uso da tecnologia em que o período online é dedicado a uma pequena quantidade de atividades cuidadosamente selecionadas e otimizadas de maneira que satisfaçam objetivos predeterminados e dispensem todo o resto do conteúdo. Os chamados minimalistas

 os minimalistas não se preocupam em perder pequenas coisas; o que os preocupa é abrir mão de coisas que eles já sabem que tornam sua vida melhor.

 três princípios básicos a seguir: 

1º Princípio: A bagunça custa caro.

 Os minimalistas digitais percebem que muitos dispositivos, aplicativos e serviços desviam nosso tempo e atenção e têm um custo negativo que neutraliza os pequenos benefícios que cada um provê isoladamente. 

2º Princípio: A otimização é importante.

 Os minimalistas digitais acreditam que optar por uma tecnologia que respalde algum de seus valores é apenas o primeiro passo. Para extrair todos os seus benefícios potenciais é necessário pensar em como utilizarão a tecnologia. 

3º Princípio: A consciência gera satisfação. 

Os minimalistas digitais satisfazem-se com seu compromisso de serem conscientes em relação a como usam as novas tecnologias. Essa fonte de satisfação é independente das decisões específicas que tomam e uma das maiores razões pelas quais o minimalismo tende a ser imensamente significativo.


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02 outubro, 2021

[Livro] A Educação da Vontade (2018)/Jules Payot



"O que é a educação senão o uso de poderosos sentimentos para criar hábitos de pensar, de agir, ou seja, para organizar no espírito da criança sistemas coordenados de ideias com ideias, de ideias com sentimentos, de ideias com atos?"


 Apesar de não me parecer uma leitura essencial nos tempos atuais, não deixa de ser um livro interessante para quem interesse num misto de psicologia aplicada e metodologia de estudo.

Publicada originalmente em 1893, por óbvio está desatualizada em relação a temas como nutrição e exercícios físicos, mas não deixa de ser, no geral, uma obra inspiradora para quem busca se auto educar no decorrer da vida.

Recomendo, com ressalvas.

Grande abraço!

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  • https://www.pensador.com/autor/jules_payot/

01 outubro, 2021

[Livro] Introdução à filosofia chinesa clássica (2018)/Bryan W. Van Norden

 

Plano de leitura - Módulo 1

"(...) não foi uma insuficiência de rigor que impediu a filosofia chinesa de desenvolver a lógica formal; foi uma profunda compreensão das limitações dos padrões de preservação da verdade na linguagem ordinária"


No passado, tinha lido alguma coisa sobre Confúcio e Lao Tse, mas sentia que estava faltando alguma introdução ao tema.

Não dá pra ler com bom aproveitamento um livro escrito há séculos sem algum entendimento do contexto histórico e social da época.

O livro de Bryan W. Van Norden é bem didático e menciona semelhanças entre pensadores chineses e pensadores ocidentais: é curioso perceber que, mesmo separado por séculos e culturas, há uma certa igualdade abordagem em relação a certos temas.

Enfim, um ótimo livro.

Recomendo.

Grande abraço!

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18 setembro, 2021

[Vídeo] A História Da Prostituição No Brasil (2021)/ Eduardo Bueno

 


" Os publicanos e prostitutas entrarão primeiro que vós, fariseus hipócritas, no Reino de Deus. (Matheus 21:31)"

"Nada melhor do que usar a profissão mais antiga do mundo para dar um rasante e fazer uma panorâmica da história do Brasil. Afinal, embora desde bem antes de o país entrar no mapa, a prostituição já existisse, tão logo os ditos "descobridores" chegaram aos tristes trópicos, eles trataram de trazer prostitutas. Assim sendo, a prostituição acompanha o Brasil desde de pequenino! Não é a toa que a nação acabou virando essa espécie de cabaré. Desde 1550, passando pelo império escravista e desfilando pela Era Vargas até chegar os dias de hoje, venha conhecer a história da prostituição à moda brasileira. Mas é melhor se proteger, porque rolou muita sacanagem."


meu primeiro contato com o autor ainda nos anos 90:
"descobri" o livro numa biblioteca pública (obrigado prefeitura do RJ!)

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P.s.: para uma visão moderna da prostituição à luz da Bíblia:



16 setembro, 2021

De volta ao Analógico...

 

Foto de Wallace Chuck no Pexels
bons tempos antes de termos aparelhos "inteligentes"

Intro

"Consumir conteúdo online é excelente, o problema reside na INTENSIDADE desse consumo. Minha experiência própria: passei semanas escutando no excelente podcast “Resumo Cast” resumos debatidos de livros sobre autoajuda e empreendedorismo. Às vezes escutava 3 ou 4 resumos por dia, na velocidade 2x e, em poucas horas, parecia que tinha absorvido a nata de 4 best-sellers. Ledo engano. Até há pouco, assistia diversos vídeos no YouTube por dia e lia vários posts em blogs da internet (não sou fã de ler notícias da atualidade, mas poderia se aplicar).


O fato é que nosso conhecimento está cada vez mais RASO. Pare e reflita: é provável que você se lembre da mensagem de algum livro que leu há 15 ou 20 anos. A razão: você se aprofundou naquele livro; certamente o leu sem interrupções frequentes de um smartphone e, com certeza, não terminou dito livro e imediatamente começou a ler outro. Você aplicadamente concentrou esforços na leitura e, ao terminar, refletiu sobre ela. Quando foi a última vez que você assistiu a um interessante vídeo no YouTube, desligou seu celular e refletiu por alguns minutos sobre o mesmo? Pois é. Eu sei que você em seguida clicou noutro vídeo e, minutos após, esqueceu o que assistiu no tal vídeo interessante." (Aposente Cedo)




Em resumo, a internet deu errado em coisas demais.

Longe de servir como instrumento de educação, cada vez mais se torna um meio de alienação e embrutecimento mental.


Soluções no equilíbrio


A solução? Usar o mínimo possível a internet, sem deixar de aproveitar as melhores comodidades (fazer compras, consultar a conta corrente etc.)

Mais do que nunca, continua sendo importante privilegiar o livro físico, uma das poucas criações humanas que ainda permitem que você foque sua atenção sem ser interrompido por anúncios, notificações, atualizações do sistema 1.0, 2.0, 3.1111; você entendeu?

O kindle ainda é uma solução intermediária, porque tem acesso à internet e todos os problemas decorrentes disso.

vale a pena dar uma lida, estou lendo no kindle no momento,
mas como uso na rua fico sem acesso a internet. bem melhor assim para focar minha atenção.
Tenho pena de quem lê no celular e a todo segundo pode ser interrompido por uma notificação qualquer ou por algum atendente de telemarketing, mas nada supera o livro físico.

Halteres Mentais


O que pesos livres são para os músculos, bons livros são para a mente.

É caro, ocupa espaço, são elitistas: sim. Todo avanço é sempre reservado para uma pequena elite. Nesse caso, uma elite pensante. O povo em geral trabalha tanto que no meio da exploração nem tem tempo de dormir e muito menos de ler.


Sugadores de Atenção


Celulares, tablets e computadores são sangue sugas de foco.

Hoje, me parece que o ideal é usá-los o mínimo possível.


  • Atualização 1 - comprei uma calculadora justamente para parar de usar a do celular. Toda vez que ia fazer uma conta simples, aparecia alguma notificação de algum aplicativo e tirava minha atenção.

Conclusão


  • Livros são resumos da realidade (quando bem escritos).
  • Páginas da internet são resumos de livros ou da opinião sovaquiana, da axila, do autor cuja leitura é interrompida o tempo todo por uma distração de uma distração não desejada (distração ao quadrado ou ao cubo).
  • Evite que seu conhecimento venha apenas da internet e volte a ler livros
  • só o papel liberta (brincadeira!)

Grande abraço!

documentário "o dilema das redes":
sim, essa bosta foi planejada


P.s.: não deletei minhas redes sociais, mas demoro meses para atualizar alguma delas. Do jeito que o mundo anda, não duvido que apareça algum tipo de "passaporte de rede social" da mesma maneira que já há passaportes sanitários ou rankings de crédito
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11 setembro, 2021

[Vìdeos] Greg News | Intervencionismo Americano

 

Foto de Sawyer Sutton no Pexels

Os EUA cometem atrocidades em nome do seu american way of life desde o fim da segunda guerra mundial. A america latina tem milhares de mortos e torturados com suas ditaduras financiadas pelos YANKEES. Jango teve até a morte atribuída à CIA. CIA q colaborou com Moro entre tantas merdas. Muita gente sem membros ou deformadas e muitos soldados norte americanos pirados. "Sniper americano" mostra a loucura por riquezas dos outros e o q causa à seus próprios supremacistas. (Eliana Holanda)




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13 julho, 2021

[Palestra] Críton de Platão (2010)/José Monir Nasser

    




 

Introdução


Críton é um diálogo entre Sócrates e seu amigo rico Críton em matéria de justiça, injustiça, e a resposta apropriada à injustiça. Sócrates acha que a injustiça não pode ser respondida com a injustiça e se recusa a oferta de Críton de financiar sua fuga da prisão. Wikipédia

Mais uma grande palestra sobre um grande livro.


Citação 


"Um fato intermediário é que um amigo de infância de Sócrates, chamado Críto ou Crítão – depende da tradução que você usa – dois dias antes do dia fatal soube da notícia de que o barco tinha saído de Delos e no dia seguinte chegaria a Atenas.
Esse Críto suborna os guardas da prisão para que Sócrates pudesse fugir na noite da antevéspera do dia fatal. Sócrates recusa-se a fugir, e essa história está contada num diálogo chamado Críto. Diz que não vai de jeito nenhum, o que vão falar dele, o que vão achar dele, que passou a vida sendo ajudado pela cidade, e quando a cidade de alguma maneira o persegue, então agora ele foge? Como é que ele vai ter moral para pregar qualquer coisa para qualquer outra pessoa, tendo em vista o fato de que ele fugiu?
O diálogo é maravilhoso, magnífico. E Críton não tendo conseguido convencer Sócrates a fugir, a história toda vai para o dia em que começa o nosso diálogo, que é o último dia da vida desta pessoa extraordinária chamada Sócrates"


Obras Mencionadas


 



 

Conclusão



Enfim, uma ótima oportunidade de conhecer autores clássicos e de forma gratuita.

Recomendo.

Grande abraço!


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  • https://www.monir.com.br/index.php/11-jose-monir-nasser/32-listagem-de-arquivos-de-aulas
  • https://www.sesipr.org.br/cultura/literatura/novas-expedicoes-pelo-mundo-da-cultura-1-27853-367455.shtml

[Palestra] As Seis Doenças do Espírito Contemporâneo (2010)/José Monir Nasser

  


Introdução

Constantin Noica é um filósofo romeno. Seus estudos se distribuíram em todos os campos filosóficos, notadamente epistemologia, filosofia da cultura, axiologia, antropologia filosófica, ontologia e lógica.
 

Mais uma grande palestra sobre um grande livro.


Citação 

 
Nesta que é sua obra fundamental, o filósofo romeno Constantin Noica faz uma análise apurada das seis doenças espirituais do mundo contemporâneo. 

Ao lado das doenças somáticas, que conhecemos há séculos, e das doenças psíquicas, identificadas mais recentemente, existem outras, de ordem superior, denominadas doenças do espírito, ou doenças do ser, que Noica classifica em seis.

Três são provenientes da carência:

  • a todetite, que é a necesidade de encontrar o individual autêntico; 
  • a catolite, que é a carência do geral, típica do ser humano; e 
  • a horetite, que é a ausência de determinação.

As outras três são causadas pela recusa:

  • a acatolia, que é a recusa do indivíduo; 
  • a atodecia, que é a recusa ao geral, ao que é humano e individual; e por fim 
  • a ahorecia, que é a recusa das determinações.

Para chegar a tais conceitos, Noica examina grandes obras da literatura e da filosofia ocidentais, tornando este livro um compêndio de neuroses, de personagens e mitos. Vale conferir este texto extremamente inventivo.

esquema retirado do livro


Obras Mencionadas


 

 
 

Conclusão



Enfim, uma ótima oportunidade de conhecer autores clássicos e de forma gratuita.

Recomendo.

Grande abraço!


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  • https://www.monir.com.br/index.php/11-jose-monir-nasser/32-listagem-de-arquivos-de-aulas
  • https://www.sesipr.org.br/cultura/literatura/novas-expedicoes-pelo-mundo-da-cultura-1-27853-367455.shtml

03 julho, 2021

[Palestra] Eutífron de Platão (2010)/José Monir Nasser

  




 

Introdução

 

"No início da era cristã havia um diretor da biblioteca de Alexandria chamado Trazilo, e este Trazilo dividiu todos os diálogos platônicos em tetralogias, em grupos de quatro. A primeira tetralogia é esta que eu acabei de descrever pra vocês: EutífronApologia de SócratesCríto Fédon. Sendo que Fédonde longe, é o mais complexo e extraordinário. Porque tem toda a filosofia platônica dentro de si" (Monir)


Mais uma grande palestra sobre um grande livro.


Eutífron é um curto diálogo sobre a definição da piedade. Toda a estrutura está ordenada para responder diretamente à pergunta, “o que é a piedade?”. Vale ressaltar que o termo piedade denota uma virtude relacionada ao sagrado ou uma devoção ao divino. Sócrates e o personagem do título se encontram de passagem no pórtico do local reservado aos processos jurídicos. Eutífron acabara de acusar o pai pelo homicídio de um servo. Sócrates, por outro lado, está indo responder pelo crime de fabricar novos deuses e corromper a juventude, que como sabemos, posteriormente, culminará em sua condenação e morte. (mosteirodoconhecimento)
 

Trecho Destacado

 
The Death of Socrates By Jacques Louis David Hand


 Nenhum em especial, vide ainda a palestra sobre Apologia.

Não encontrei material escrito sobre essa palestra.

  

Conclusão

 

"Sócrates consegue que Eutífron volte para o mesmo ponto que havia refutado no início do diálogo, que a piedade seria uma expressão do que é amado pelos deuses. Dessa forma a idéia do adivinho seria instável, girando em círculos sobre o mesmo lugar.

Sócrates diz então: "se não distinguias com firmeza o que é piedoso do que não o é, não havia razão para acusar de homicídio seu velho pai". O filósofo o convida para continuar refletindo e buscando a resposta, até que tenha a firmeza necessária. Eutífron apresenta uma desculpa, falta de tempo, e se despede.

Nesse último ato, Platão mostra que as verdades devem ser buscadas em nós mesmos, em nosso íntimo, e que não é uma tarefa fácil; exige empenho, estudo, dedicação. Não conseguiremos nunca nos aproximar delas se fugirmos de nos indagar e tentar descobrir a sua essência. Devemos recusar o dogmatismo, o utilitarismo, o relativismo, e procurar nossas próprias respostas." (Marcos Junior)

 

Enfim, uma ótima oportunidade de conhecer autores clássicos e de forma gratuita.

Recomendo.

Grande abraço!

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  • https://www.monir.com.br/index.php/11-jose-monir-nasser/32-listagem-de-arquivos-de-aulas
  • https://www.sesipr.org.br/cultura/literatura/novas-expedicoes-pelo-mundo-da-cultura-1-27853-367455.shtml
  • Fontes: Nunes, Carlos Alberto. Marginalia Platônica. Belém: Editora Universitária de UFPA, 1973. Platão. Fedão. Belém: Editora Universitária de UFPA, 2002
  • https://mosteirodoconhecimento.wordpress.com/2016/12/22/eutifron-piedade/
  • http://caminhadafilosofica.com/filosofia-e-religiao/resenhas/platao/eutifron.html

26 junho, 2021

[Palestra] Fédon de Platão (2010)/José Monir Nasser

 

 


 

Introdução

 

"No início da era cristã havia um diretor da biblioteca de Alexandria chamado Trazilo, e este Trazilo dividiu todos os diálogos platônicos em tetralogias, em grupos de quatro. A primeira tetralogia é esta que eu acabei de descrever pra vocês: Eutífron, Apologia de Sócrates, Críto e Fédon. Sendo que Fédonde longe, é o mais complexo e extraordinário. Porque tem toda a filosofia platônica dentro de si" (Monir)


Mais uma grande palestra sobre um grande livro.


Fédon é um dos grandes diálogos de Platão de seu período médio, juntamente com a A República e O Banquete. Fédon, que retrata a morte de Sócrates, também é o quarto e último diálogo de Platão a detalhar os últimos dias do filósofo depois das obras Eutífron, Apologia de Sócrates e Críton. (Wikipédia)

Trecho Destacado

 
The Death of Socrates By Jacques Louis David Hand



A verdade é que Sócrates era uma espécie de pobretão. Era filho de uma parteira chamada Feronete e de um escultor de pedras, não escultor no sentido artístico da palavra, mas no sentido de pedra de cantaria. Sendo filho desse casal, Sócrates não se tornou nunca na vida uma pessoa de posses. 

Passou a vida toda mais ou menos descumprindo as suas obrigações familiares de pai de família. Essa é a verdade. Sócrates só pensava numa única coisa, que era se levantar e ir para a praça pública, a ágora, em Atenas, onde passava o dia inteiro conversando com pessoas, quaisquer que se candidatassem a falar com ele, com o objetivo de, por meio dessa conversa, consertar a cabeça daquele com quem ele estava falando. Essencialmente é o que há aí: Sócrates achava que a sua missão sobre esta terra era ajudar os outros a desembarcarem das auto ilusões, dos enganos, das confusões que se faz nesse mundo das ideias

Cuidado com a expressão “tirano”, porque em português moderno parece sempre um sujeito muito mau. Dentro do conceito grego da palavra, tirano não é necessariamente um sujeito mau; é um rei que governa sem constituição. Um rei que governa arbitrariamente

Há grande diferença entre os diálogos socráticos e os platônicos. Todos são escritos por Platão, mas há esta diferença entre os dois: é que os diálogos  socráticos acabam, de modo geral, em aporias. A palavra “aporia” em grego tem o equivalente de “impasse” em português latino. “Impasse” é quando não consigo mais dar mais nenhum passo. E “aporia” quer dizer a mesma coisa em grego: apodos

Podos é pé em grego e o a é a partícula de negação. Portanto, o diálogo socrático quase sempre acaba numa situação em que ninguém consegue ir pra frente. Isso porque Sócrates não vai dar a resposta – e ele nunca quis dar resposta nenhuma. O que ele queria fazer apenas é que aquela pessoa que estava discursando e falando tivesse consciência de que ela não tinha a menor ideia do que estava falando


é o conceito hindu de metempsicose. Não é o conceito kardecista de reencarnação. Para um kardecista, uma pessoa nunca reencarna num animal, num ser que não seja outro ser humano. Mas, para os hindus, o conceito de reencarnação é assim, você pode reencarnar numa planta. É por isso que os hindus não comem carne, porque têm medo de fazer churrasco com a tia, a avó, o tio, ou coisa que o valha. Compreenderam?

 


Destino das Almas Após a Morte (Segundo o Fédon)

1
Incuráveis

  • Cometeram faltas inaceitáveis.
  • (“roubos de templos, repetidos e graves, homicídios iníquos e contra a lei”).
  • Lançadas para sempre no Tártaro.

2
Curáveis

  • Cometeram crimes graves. (“violência contra pai e mãe e homicídios”) num
  • momento de cólera e se arrependeram.
  • Lançadas no Tártaro e depois de um ano atiradas no rio Cocito (homicidas) e no rio Piriflegetonte (violentos contra pai e mãe), de onde podem passar para o lago Aquerúsia, se perdoadas por suas vítimas.

3
Medianas

  • Cometeram faltas sanáveis.
  • Transportadas pelo rio Aqueronte, passam a residir no lago Aquerúsia onde se purificam pelo tempo “marcado pelo destino” e renascem como animais (e até como seres humanos, caso das melhores).
  • Destino da Maioria das Almas

4
De vida bela e santa
  • Atravessaram a vida com pureza e moderação.
  • Vivem na terra, mas as purificadas pela filosofia são instaladas em lugares boníssimos.


Obras Mencionadas


 
A Sabedoria Das Leis Eternas
 - Mario Ferreira dos Santos


tradução recomendada

Conclusão

 

"Não há nenhum outro diálogo platônico em que ele tenha ido tão a fundo na descrição da teoria das formas como nesse aqui. Portanto, é a referência mais íntegra de todas. Sugiro muitíssimo que vocês leiam essa obra inteira. Porque o resumo que é feito aqui não consegue obviamente dar a dimensão verdadeira do conteúdo da obra."


Enfim, uma ótima oportunidade de conhecer autores clássicos e de forma gratuita.

Recomendo.

Grande abraço!

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  • https://www.monir.com.br/index.php/11-jose-monir-nasser/32-listagem-de-arquivos-de-aulas
  • https://www.sesipr.org.br/cultura/literatura/novas-expedicoes-pelo-mundo-da-cultura-1-27853-367455.shtml
  • Fontes: Nunes, Carlos Alberto. Marginalia Platônica. Belém: Editora Universitária de UFPA, 1973. Platão. Fedão. Belém: Editora Universitária de UFPA, 2002

12 junho, 2021

[Palestra] A Consolação da Filosofia de Boécio (2010)/José Monir Nasser

   


 

Introdução


Mais uma grande palestra sobre um grande livro.


"Escrita na prisão por um condenado à morte, essa obra latina do século VI não deve nada, ou deve muito pouco, às circunstâncias "trágicas" de sua composição. Trata-se de uma obra-prima da literatura e do pensamento europeu; ela se basta, e teria o mesmo valor se ignorássemos tudo a respeito daquele que a concebeu entre duas sessões de tortura, à espera de uma execução. Mas, dado que essa obra-prima não é anônima, nada perde por ter um autor e ser situada em suas circunstâncias, torna-se também, assim, o testemunho da grandeza à qual um homem pode elevar-se pelo pensamento em face da tirania e da morte."(Amazon)


Trecho Destacado


  as musas inspiravam Boécio a reclamar da vida e a se lastimar... quem deixou estas fulaninhas entrar aqui? Ela, a filosofia é quem tem autoridade para curar aquele doente – Boécio está sofrendo esta tensão: está ao mesmo tempo desolado e disposto a entender.

  é muito mais que uma consolação = é uma cura pela filosofia

   Ortega e Gasset diz que o maior projeto que um sujeito pode ter é o de ser um gentleman → significa lidar com serenidade, bom humor, e generosidade mesmo estando em desgraça – o gentleman vive acima do patamar da Fortuna – ele não se deixa iludir nem hipnotizar pela parte boa (portanto não é exibicionista nem esbanjador quando ganha na loteria) nem se lamenta quando perde o dinheiro... lida com as duas situações com a mesma naturalidade

quem se submete à Fortuna é um animalzinho selvagem – a contingência estabelece a sua própria vida nós somos humanos e devemos criar um projeto acima disso

como esquecer das glórias do passado – alguém chegou a uma idade e está impotente, é preciso se lembrar de quantas vezes não esteve impotente; doente que se lembre de quando tinha saúde, e assim por diante.


Obras Mencionadas




  • Livro: O Trivium: As artes liberais da lógica, da gramática e da retórica - Miriam Joseph
Romance por Jean-Paul Sartre



Livro: O Mito de Sísifo, 
de Albert Camus



Conclusão


"Há muitas maneiras pelas quais nós temos acesso a conhecer as coisas tais como elas são, mesmo que essas coisas tais como elas são sejam enigmáticas, e que não se possa saber muito delas a não ser a definição do enigma. O enigma pode ser definido, embora eu não consiga decifrá-lo, em última análise. Definir o enigma já é uma grande coisa. Pra começar a ler filosofia, Boécio é o melhor caminho. "


Enfim, uma ótima oportunidade de conhecer autores clássicos e de forma gratuita.

Recomendo.

Grande abraço!

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  • https://www.monir.com.br/index.php/11-jose-monir-nasser/32-listagem-de-arquivos-de-aulas
  • https://www.sesipr.org.br/cultura/literatura/novas-expedicoes-pelo-mundo-da-cultura-1-27853-367455.shtml

29 maio, 2021

[Livro] Trabalho Focado (2018)/ Cal Newport - Parte I

 



Trabalho Focado: Atividades profissionais realizadas em um estado de concentração livre de distrações que levam suas capacidades cognitivas ao limite. Esse esforço cria novo valor, melhora suas habilidades e é difícil de replicar.

A Hipótese do Trabalho Focado: A capacidade de realizar trabalhos profundos está se tornando cada vez mais rara, ao mesmo tempo em que se torna cada vez mais valiosa em nossa economia. Consequentemente, os poucos que cultivam essa habilidade, e a transformam no centro de sua vida profissional, prosperam.

Quando Carl Jung quis revolucionar o campo da psiquiatria, construiu um retiro na floresta. A Torre de Bollingen de Jung tornou-se um lugar onde conseguia manter sua capacidade de pensar profundamente e aplicá-la à habilidade de produzir trabalhos de uma originalidade tão impressionante que transformou o mundo.

 

Trabalho Superficial: Tarefas que não são cognitivamente exigentes, de estilo logístico, muitas vezes realizadas com distração. Esses esforços não costumam agregar valor ao mundo e são fáceis de replicar.

  

A prática deliberada 

. Seus componentes principais são identificados da seguinte forma: 

(1) sua atenção está focada em uma habilidade específica que tenta melhorar ou uma ideia que tenta dominar; 

(2) você recebe feedback para que corrija sua abordagem para manter sua atenção onde é mais produtivo. 

O primeiro componente é de particular importância para nossa discussão, pois enfatiza que a prática deliberada não pode existir ao lado da distração e que, em vez disso, requer uma concentração ininterrupta.

 

Múltiplas tarefas simultaneamente 


tentar realizar múltiplas tarefas simultaneamente — sobre o desempenho, mas que no escritório moderno do trabalho de conhecimento, uma vez que se chega a um nível suficientemente alto, era mais comum encontrar pessoas trabalhando em múltiplos projetos sequencialmente: “Ir de uma reunião para outra, começar a trabalhar em um projeto e, logo depois, passar para outro é parte da vida nas organizações”, explica Leroy. O problema que a pesquisa identifica nessa estratégia de trabalho é que quando você muda da tarefa A para a tarefa B, sua atenção não é imediata — um resíduo de sua atenção permanece preso pensando na tarefa original. 

Esse resíduo engrossa se seu trabalho na tarefa A era ilimitado e de baixa intensidade antes da troca. Mas mesmo que conclua a tarefa A antes de seguir em frente, sua atenção permanece dividida por um tempo.

 

Produzir no seu nível máximo

para produzir no seu nível máximo, você precisa trabalhar por longos períodos com plena concentração e em uma única tarefa, sem distrações. Dito de outra forma, o tipo de trabalho que otimiza seu desempenho é um trabalho focado. Se não estiver confortável em aprofundar-se por longos períodos de tempo, será difícil elevar seu desempenho ao nível máximo de qualidade e quantidade, cada vez mais necessário para prosperar profissionalmente. A menos que seu talento e habilidade minimizem completamente os da concorrência, quem realiza trabalho focado produzirá mais que você.

 A complexa realidade das tecnologias que as empresas de verdade utilizam para manter-se à frente enfatiza o absurdo da ideia, que agora é comum, de que a exposição a produtos simplistas e voltados para o consumidor — especialmente nas escolas — de alguma forma prepara as pessoas para ter sucesso em uma economia de alta tecnologia. Dar iPads aos alunos ou permitir que filmem o dever de casa no YouTube prepara-os para uma economia de alta tecnologia tanto quanto brincar com Hot Wheels [um game] os prepararia para mecânica de automóveis. (N. A.)


Twitter

George Packer, capturou bem esse medo em um texto sobre por que não tuíta: “O Twitter é o crack dos viciados em mídia. Isso me assusta, não porque eu seja moralmente superior, mas porque acho que não daria conta. Tenho medo de acabar deixando meu filho interessado.


Princípio da Menor Resistência

O Princípio da Menor Resistência: Em um ambiente de negócios, sem um feedback claro sobre o impacto de vários comportamentos no resultado, tenderemos para os comportamentos mais fáceis no momento.


Leitura Mencionada





Os títulos subsequentes incluem BlackBerry de Hamlet, de William Powers, A Tirania do E-mail, de John Freeman, e O Vício da Distração, de Alex Soojung-Kim Pang — que concordam, mais ou menos, que as ferramentas de rede nos distraem do trabalho, que exige uma concentração ininterrupta, reduzindo, simultaneamente, nossa capacidade de manter o foco.


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24 maio, 2021

[Palestra] Gênesis de Moisés (2010)/José Monir Nasser

 

 



Introdução


Mais uma grande palestra sobre um grande livro.


Trecho Destacado



Tradicionalmente atribuída a Moisés, que a teria recebido no Sinai por voltado ano 1400 a.C., a famosa “lei mosaica”, foi escrita, na verdade, por diversos narradores ao longo de muitas centenas de anos, a partir de tradições orais.

 Para os judeus, o Gênesis chama‑se “Bereshit”, que significa “No Princípio”. O nome “Gênesis” (como de resto o dos outros quatro livros) é grego, porque estabelecido na tradução “Septuaginta”, em que setenta rabinos, durante setenta dias, em 260 a.C., traduziram para o grego os originais hebraicos do Velho Testamento para atender judeus de língua grega

A obra que tem cinquenta capítulos narra a cosmologia judaica, o nascimento e a queda do homem, a destruição do mundo pelo dilúvio, seu repovoamento  pelos filhos de Noé, a história de Abraão e o início do povo judeu com as sagas de Isaque, de seu filho Jacó e, filho deste, José. A narrativa acaba com o estabelecimento dos judeus no Egito

Eva significa “desejo”. E o desejo passa a ser a mãe da humanidade. O problema da humanidade passa a ser entender o que fazer com isso. Esse desejo é fundamentalmente descrito aqui nesses três primeiros capítulos que estabelecem toda a estruturação do pensamento judaico. Nesses três capítulos, que nós lemos aqui com pormenores, está estruturada completamente a concepção existencial, a concepção
cosmológica judaica: o homem é um ser no meio, entre o céu e a terra. Quer dizer, ele está entre o espírito e a matéria. E ele tem consciência disso. 

Ele tem consciência de que representa simbolicamente Deus. Ele é uma espécie de modelo divino. Foi criado à imagem e semelhança. No entanto, ao ter comido esse fruto, ou seja, ao ter experimentado os frutos da terra e ter  percebido que há muita coisa nesse mundo que podia ser mais gostosa e mais agradável, o homem cria então uma tensão interna permanente entre o desejo de atender o céu, e subir, e o desejo de descer para a terra. Esse é o mundo em que nós vivemos. Essa é a situação existencial que nós vivemos. Adão! Simbolicamente todos os homens fizeram a escolha errada e fomos então expulsos do paraíso


Autores Mencionados



Conclusão


Enfim, uma ótima oportunidade de conhecer autores clássicos e de forma gratuita.

Recomendo.

Grande abraço!

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  • https://www.monir.com.br/index.php/11-jose-monir-nasser/32-listagem-de-arquivos-de-aulas
  • https://www.sesipr.org.br/cultura/literatura/novas-expedicoes-pelo-mundo-da-cultura-1-27853-367455.shtml
  • https://www.sesipr.org.br/cultura/jose-monir-nasser-e-homenageado-no-teatro-sesi---campus-da-industria-1-14094-247610.shtml


21 maio, 2021

[Palestra] Apologia de Socrátes de Platão (2010)/José Monir Nasser

 



Introdução


Ler grandes obras demanda um grande esforço.

Acredito que o esforço é compensado pelo conteúdo das ideias absorvidas.

Nada como um "facilitador" para tornar essa atividade mais agradável: hoje temos desde livros introdutórios a cursos pagos disponíveis. 

Tenho ouvido as palestras do Prof. Monir Nasser, que estão disponíveis gratuitamente no youtube como uma forma de entender melhor obras que foram escritas há séculos e cujo significado pode ser de complexo entendimento.



Trecho Destacado

 


(...) Sócrates, que quando é condenado à morte, diz assim: “Bom, pessoal, então terminado o julgamento, vamos embora. Eu vou para a morte, vocês vão pra vida. Só Deus sabe quem faz o melhor negócio”. É o que Sócrates diz nas últimas linhas da Apologia. Mostrando que como para ele, Sócrates, nunca interessaram questões do mundo, ele então se encontrava num estado talvez até privilegiado, porque “no outro mundo seguramente haverá pelo menos justiça”, ele diz assim para debochar do tribunal


 Sócrates argumenta que ir para o exílio seria equivalente a desobedecer a um deus e que o “maior bem para um homem é justamente este, falar todos os dias sobre a virtude e os  outros argumentos sobre os quais me ouvistes raciocinar, examinando a mim mesmo e aos outros, e, que uma vida sem exame não é digna de ser vivida”.

 

Autores Mencionados



  • “Apologia de Sócrates”, de Platão, da edição Ediouro, Rio de Janeiro, 18 a edição, tradução de Maria Lacerda de Moura.
  • O Bode Expiatório -  René Girard (o autor é mencionado, mas não o livro)
  • Traduções de obras gregas por Mário da Gama Kuri

Conclusão


Enfim, uma ótima oportunidade de conhecer autores clássicos e de forma gratuita.

Recomendo.

Grande abraço!

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  • https://www.monir.com.br/index.php/11-jose-monir-nasser/32-listagem-de-arquivos-de-aulas
  • https://www.sesipr.org.br/cultura/literatura/novas-expedicoes-pelo-mundo-da-cultura-1-27853-367455.shtml


[Livro] Autobiografia (1791)/ Benjamin Franklin

 





Introdução



Normalmente não tenho muito interesse por autobiografias, pois acredito serem carregadas demais de lisonja, mas nesse caso o que lemos é o relato de um ser humano inteligente e perspicaz, que além de filósofo ajudou a redigir a constituição americana.

O livro também mostra uma realidade americana de 1700 muita parecida com o Brasil de hoje, pois o tempo passa e as pessoas não mudam.


As 13 virtudes de Benjamin Franklin


Um trechos dos mais interessantes do livro é onde ele fala de desenvolver certas qualidade pessoais para viver uma vida melhor.

Para os amantes da frugalidade é uma ótima orientação, pois em certo momento da vida, Franklin vendeu sua empresa e passou a viver de renda. 

Eis suas recomendações:


1. TEMPERANÇA – Não comer até ao embrutecimento, nem beber até a embriaguez.
2. SILÊNCIO – Não falar senão do que pode ser benéfico para os outros ou para nós mesmos; e evitar as conversações frívolas.
3. ORDEM – Um lugar para cada coisa e cada coisa no seu lugar; destinar uma hora para cada uma das nossas tarefas.
4. RESOLUÇÃO – Resolver cumprir o que é dever; e cumprir, sem falhar, o que se resolve.
5. FRUGALIDADE – Não fazer despesas senão em benefício próprio ou em benefício de outrem, isto é, não desperdiçar.
6. APLICAÇÃO – Não perder tempo; ter sempre entre mãos qualquer trabalho útil; suprimir todas as ações desnecessárias.
7. SINCERIDADE – Não recorrer a ludíbrios prejudiciais; pensar sem ideia preconcebida e com Justiça; e ao falar, fazê-lo de conformidade com este princípio.
8. JUSTIÇA – Não prejudicar ninguém fazendo o mal, ou omitindo benefícios que constituem o seu dever.
9. MODERAÇÃO – Evitar os extremos; abster-se de guardar ressentimento pelas injúrias recebidas, na medida em que as considerarmos merecidas.
10. LIMPEZA – Não tolerar a falta de limpeza no corpo, no vestuário ou na habitação. Na mente também.
11. TRANQUILIDADE – Não se perturbar com insignificâncias, nem com acidentes correntes e inevitáveis.
12. CASTIDADE – Usar raramente do prazer da carne e apenas para benefício do organismo e tendo em vista a descendência; jamais até o embrutecimento, ou ao debilitamento, ou em prejuízo da própria paz e reputação, ou da paz e da reputação de outrem.
13. HUMILDADE – Imitar Jesus. E Sócrates.

Conclusão 


Enfim, recomendo o livro, que é curto (216 páginas), fácil de ler e inspirador.

Grande abraço!


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Sites consultados:
  • http://vivendocidade.com/as-13-virtudes-de-benjamin-franklin 
  • http://www.oprumodehiram.com.br/13-virtudes-do-irmao-benjamin-franklin/ 
  • http://www.adriana.blog.br/index.php/as-13-virtudes-eleitas-por-benjamin-franklin/

    15 maio, 2021

    [Livro] Tudo Que É Ruim É Bom Pra Você - Parte I (2012)/Steven Johnson

     

     

    A Curva do Dorminhoco - A cultura popular de hoje pode não estar nos mostrando o caminho da retidão. Mas está nos deixando mais inteligentes.

    Eis a Curva do Dorminhoco: as formas mais depreciadas de diversão em massa – videogames, programas violentos de TV e sitcoms juvenis – acabaram sendo nutritivas, afinal de contas. Durante décadas acreditamos que a cultura de massa segue uma tendência constante de declínio rumo a um mínimo denominador comum, supostamente porque as “massas” desejam prazeres simples e burros e as grandes empresas de comunicação querem dar às massas aquilo que elas desejam. Mas, na verdade, está acontecendo exatamente o contrário: intelectualmente, a cultura está ficando cada vez mais exigente, não menos.
     

    Games - Parte 1

     

    o poder cativante dos jogos está relacionado à capacidade que eles têm de estimular os circuitos naturais do cérebro ligados às recompensas.
     

    A vida real é cheia de recompensas, o que é uma das razões pelas quais existem tantas formas de vício. É possível ser recompensado com relações amorosas ou sociais, sucesso financeiro, drogas, compras, chocolate e assistindo à vitória de seu time. Mas, sem considerar supermercados e shopping centers, a maior parte da vida transcorre sem que as potenciais recompensas disponíveis estejam definidas claramente. Você sabe que gostaria de receber aquela promoção, mas ela está bem longe, e agora você precisa despachar aquele memorando. As recompensas da vida real costumam flutuar nas margens da existência cotidiana – exceção feita às recompensas primárias da alimentação e do sexo, que viciam mais do que videogames. 

    No mundo dos games, as recompensas estão por toda parte. O universo está literalmente cheio de objetos que produzem recompensas articuladas de forma muito clara: mais vidas, acesso a novas fases, novos equipamentos, novos encantamentos. As recompensas dos games são fractais; cada escala contém sua própria rede de recompensas, seja quando você está aprendendo a usar o controle, simplesmente tentando resolver um enigma para ganhar mais dinheiro, seja tentando completar o objetivo principal do jogo.
     

    “Busca” é a palavra perfeita para definir o impulso que esse modelo instila nos jogadores. É claro que você quer ganhar o game, e talvez acompanhar a narrativa completa. Nas etapas iniciais, você talvez fique fascinado pelo visual do game. Mas, na maior parte do tempo, quando já está fisgado pelo jogo, o que o atrai é uma forma elementar de desejo: de descobrir o que vem a seguir. Você quer cruzar aquela ponte para ver como é a zona leste da cidade, ou experimentar aquele módulo de teletransporte, ou construir um aquário no porto. 

    Para quem nunca sentiu essa espécie de compulsão, o motivo subjacente pode parecer um pouco estranho: aproveitando a máxima do montanhismo, você quer construir o aquário não porque ele existe, mas sim porque ele não existe, ou, pelo menos, ainda não existe. Ele não está ali, mas você sabe – porque já leu o manual ou o guia do game, ou porque a interface o está exibindo – que, caso se empenhe, caso passe um pouco mais de tempo cultivando novos habitantes e examinando o orçamento do ano, poderá desfrutar do aquário.
     

    muito mais do que os livros, o cinema e a música, os games obrigam o jogador a tomar decisões. Os romances podem ativar a imaginação, e a música pode despertar emoções poderosas, mas os games forçam a pessoa a decidir, a escolher, a priorizar. Todos os benefícios intelectuais do game derivam dessa virtude fundamental, porque aprender a pensar é, em última análise, aprender a tomar as decisões corretas: comparar indícios, analisar situações, consultar objetivos de longo prazo e então decidir. Nenhuma outra forma cultural pop exige o mesmo tipo de atividade do aparato decisório do cérebro. 

    Vista de fora, a atividade primária de um jogador parece um furioso clicar e atirar, e é por isso que uma parte tão grande do pensamento convencional a respeito de videogames se concentra na coordenação visual-motora. Mas, quando se espia dentro da mente de um jogador, a atividade primária acaba sendo uma coisa completamente distinta: tomar decisões, algumas vezes imediatas, outras levando em consideração estratégias de longo prazo.
     

    Essas decisões baseiam-se em dois modos de trabalho intelectual que são a chave para o aprendizado colateral nos videogames. Chamo-os de sondagem e telescopia.
     

    James Paul Gee, pesquisador especializado em videogames, divide a sondagem em um processo de quatro partes, que ele chama de ciclo de “sondar, criar hipóteses, sondar de novo, repensar”: 

    1.   O jogador deve sondar o mundo virtual (o que significa explorar o ambiente atual, clicar em alguma coisa ou realizar determinada ação). 
    2.   A partir da reflexão feita durante a sondagem e depois dela, o jogador deve formular uma hipótese sobre que significado útil pode haver em algo (um texto, um objeto, um artefato, um evento ou uma ação). 
    3.   O jogador sonda de novo o mundo considerando aquela hipótese, vendo o efeito resultante. 
    4.   O jogador trata esse efeito como informação dada pelo mundo e aceita ou repensa a hipótese original. Em outras palavras: quando os jogadores interagem com esses ambientes, estão aprendendo o procedimento básico do método científico.
     

    Determinar os objetivos parece algo bem simples. Se você parou de jogar no começo da década de 1990, ou se conhece os games apenas através de relatos de terceiros, provavelmente vai supor que os objetivos secundários devem ser alguma coisa como “atire naquele cara ali!”, “fuja dos monstros azuis!” ou “ache a chave mágica!”.
     

    Um mapa dos objetivos de The Wind Waker, um dos jogos da série Zelda, é bem diferente: 

    1. O objetivo final é resgatar sua irmã.     
    2. Para isso, é preciso derrotar o vilão Ganon.         
    3. Para isso, é preciso obter armas lendárias. 
    4. Para localizar as armas, precisa-se da pérola de Din. 
    5. Para conseguir a pérola de Din, é preciso atravessar o oceano. 
    6. Para atravessar o oceano, precisa-se de um barco. 
    7. Para fazer tudo isso acima, é preciso permanecer vivo e saudável. 8. Para fazer tudo isso acima, é preciso mover o controle.
     

    Ao trabalho mental de administrar todos esses objetivos simultâneos dou o nome de “telescopia”, pela maneira como os objetivos se encaixam uns nos outros tal qual um telescópio recolhido. Gosto do termo também porque parte dessa habilidade consiste em dar atenção a problemas imediatos, mantendo, ao mesmo tempo, uma visão de longa distância. 

    Não é possível progredir muito em um game se os quebra-cabeças encontrados pelo caminho forem sendo simplesmente resolvidos; é preciso coordená-los com os objetivos finais que estão no horizonte. Jogadores de talento conseguem manter em mente todos esses diversos objetivos ao mesmo tempo.
     

    Em certo sentido, a analogia mais próxima da maneira como os jogadores pensam é o modo como os programadores pensam quando escrevem códigos: uma série interdependente de instruções com diversas camadas, algumas voltadas para as tarefas básicas de obtenção e armazenamento de informações na memória, outras para funções de nível mais alto, como a representação da atividade do programa para o usuário. 
    Um programa é uma sequência, mas não uma narrativa; jogar videogame gera uma série de eventos que desenham uma narrativa em retrospecto, mas os prazeres e os desafios do jogo não equivalem aos prazeres de acompanhar uma história. A arte de sondagem e telescopia tem algo de profundamente parecido com a vida.
     

    Mas nossas vidas não são histórias, pelo menos não no tempo presente – não somos consumidores passivos de uma trama narrativa. (Transformamos nossas vidas em histórias após o fato, depois que as decisões foram tomadas e os eventos se desdobraram.)
     

    Para não jogadores, os games têm uma ligeira semelhança com clipes musicais: um visual ostensivo; a combinação de camadas de imagem, música e texto; alguns surtos de velocidade, em especial nas sequências pré-renderizadas de abertura. 

    Mas o que de fato se faz quando se joga videogame – a maneira como a mente tem de funcionar – é radicalmente distinto. A questão não é tolerar ou estetizar o caos; é encontrar ordem e significado no mundo e tomar decisões que ajudem a criar essa ordem.
     
    __________________continua...