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07 fevereiro, 2021

[Livro] Os Segredos dos Grandes Artistas (2017)/ Mason Currey - Parte 3



Sigmund Freud (1856–1939)
  • Freud levantava-se todos os dias às 7 horas, tomava café da manhã e tinha a barba aparada por um barbeiro que ia à sua casa diariamente. Em seguida, atendia pacientes para análise das 8 às 12 horas. A principal refeição do dia era servida pontualmente às 13 horas. Freud não era um gourmet – não gostava de vinho nem de frango, e preferia uma dieta de classe média, como carne cozida ou assada – mas gostava de comer, e o fazia concentrado, em silêncio.
  • Às 15 horas, dava consultas, que eram seguidas por mais pacientes de análise, muitas vezes até as 21 horas. Então, a família fazia a ceia e Freud jogava cartas com a cunhada ou dava um passeio com a esposa ou uma das filhas, às vezes parando em um café para ler os jornais. O restante da noite ficava em seu estúdio, lendo, escrevendo e executando tarefas editoriais para publicações dedicadas à psicanálise, até 1 hora ou mais tarde.
Gustav Mahler (1860–1911)
  • Acordava às 6 horas ou 6:30 e imediatamente chamava o cozinheiro para preparar seu café da manhã: café moído na hora, leite, pão, manteiga e geleia, que o cozinheiro levava até a cabana de pedra onde Mahler compunha, na floresta.
     
    Mahler trabalhava até o meio-dia, quando, então, voltava em silêncio para o seu quarto, trocava de roupa e ia até o lago para dar um mergulho.

     A refeição era, de acordo com a preferência de Mahler, leve, simples, bem cozida e com um mínimo de temperos. “Seu objetivo era satisfazer-se sem atiçar o apetite ou causar qualquer sensação de peso”, escreveu Alma, a quem a dieta parecia a “dieta de um inválido”. Gustav e Alma Mahler, perto de sua residência de verão, 1909 Após o almoço, Mahler arrastava Alma para uma caminhada de três ou quatro horas ao longo da beira do lago, fazendo paradas ocasionais para anotar ideias em seu caderno, contando o tempo no ar com o lápis.
  

Richard Strauss (1864–1949)


  •  Meu dia de trabalho é muito simples; eu me levanto às 8 horas, tomo um banho e o café da manhã – três ovos, chá, “Eingemachtes” (geleia caseira); então dou um passeio de meia hora pelo Nilo no palmeiral do hotel e trabalho das 10 horas até as 13 horas; a orquestração do primeiro ato avança devagar e sempre. Almoço às 13 horas. Após o almoço, leio meu Schopenhauer ou jogo Bezique com a Sra. Conze, apostando alguns trocados. Trabalho das 15 às 16 horas; tomo chá às 16 horas e depois saio para uma caminhada até as 18 horas,

Henri Matisse (1869–1954)
  • Há mais de 50 anos não paro de trabalhar por um instante. Fico sentado das 9 horas ao meio-dia. Daí almoço. Em seguida, tiro um cochilo e pego nos pincéis novamente às 14 horas, e trabalho até a noite.

Joan Miró (1893–1983)

  • Levantava-se às 6 horas, fazia sua higiene, tomava café e comia algumas fatias de pão. Às 7 horas, ia para o estúdio e trabalhava sem parar até o meio-dia, quando parava para fazer uma hora de exercícios vigorosos, como boxe ou corrida. Às 13 horas, se sentava para um almoço frugal, mas bem preparado, que arrematava com um café e três cigarros, nem mais nem menos. Em seguida, praticava sua “ioga do Mediterrâneo”, um cochilo de apenas cinco minutos. Às 14 horas, recebia a visita de um amigo, tratava de negócios ou escrevia cartas. Às 15 horas, voltava para o estúdio, onde ficava até a hora do jantar, às 20 horas. Após o jantar, lia um pouco ou ouvia música.


Gertrude Stein (1874–1946)

  • nunca conseguiu escrever muito além de meia hora por dia, mas acrescentou: “Se você escrever meia hora por dia, acaba escrevendo muito com o passar dos anos. Para ter certeza de que todos os dias, o dia todo, você fica esperando para escrever aquela meia hora por dia.”

Ernest Hemingway (1899–1961)

  •  Durante a vida adulta, Hemingway levantava-se cedo, às 5:30 ou 6 horas, despertado pelas primeiras luzes do dia.
     
    Escrevia em pé, de frente para uma estante na altura do peito, com uma máquina de escrever e uma lousa de madeira em cima ali apoiadas. Os primeiros esboços eram feitos a lápis em papel para datilografia, dispostos obliquamente pela lousa.
     
    Ele acompanhava sua produção diária de palavras em um gráfico
Henry Miller (1891–1980)

  • escrevia, trabalhando do café da manhã até o almoço. Tirava um cochilo e, em seguida, escrevia novamente durante a tarde e, às vezes, avançava pela noite. Quando foi envelhecendo, porém, descobriu que toda atividade realizada depois do meio-dia era desnecessária e até mesmo contraproducente.

F. Scott Fitzgerald (1896–1940)

  • acreditava que o álcool era essencial para seu processo de criação. (Ele preferia gim puro – o efeito era rápido e, segundo ele, difícil de ser percebido no hálito.)

William Faulkner (1897–1962)

  • “Escrevo quando o espírito me move”, Faulkner disse, “e o espírito me move todos os dias”.


 Continua...
  

16 dezembro, 2020

[Livro] Stephen King, a biografia: Coração assombrado (2017)/ Lisa Rogak - Parte 2

 

Photo by Nicolas Postiglioni from Pexels



 “Há sempre o impulso de ver alguém que não seja você morto”, disse ele. “Esse impulso não muda porque a civilização ou a sociedade querem, ele está programado na psique humana, é uma necessidade perfeitamente humana de dizer ‘Estou ok’, e a maneira pela qual julgo isso é a de que essas pessoas não estão ok.”


Quando Steve trabalhou na fábrica da Worumbo Mills, ficou fascinado pelas hordas de ratos que circulavam o tempo todo no local. “Enquanto esperava que meu cesto enchesse, eu atirava latas nos ratos”, contou. “Eles eram grandalhões, e alguns deles ficavam de pé nas patas traseiras, pedindo comida como cachorros.”


Seu irmão, David, entrara na universidade anos antes. Quando os dois eram estudantes, Ruth mandava cinco dólares para cada um toda semana, a fim de que eles tivessem algum dinheiro para as despesas cotidianas. “Depois de sua morte, muitos anos depois, descobri que ela várias vezes deixou de fazer refeições para nos mandar aquele dinheiro, que nós aceitávamos sem pensar muito”, disse ele. “Foi muito perturbador.”


“Steve tinha um ponto de vista muito especial”, disse seu colega Michael Alpert. “Ele não acreditava nem um pouco no cânone oficial – o currículo de Harvard. Para ele, muitos dos autores mais populares tinham mais a dizer. Ele não se referia apenas ao tema, mas à linguagem. Sua sensibilidade já estava formada naquela época.”


“Ele era uma dessas pessoas que não conseguem passar despercebidas”, disse MacLeod, contando como Steve era alto mas estava sempre tentando disfarçar sua altura ficando ligeiramente curvado. Também era difícil não notar seu cabelo preto, longo e oleoso, chegando aos ombros, seus óculos de fundo de garrafa e sua maneira desleixada de se vestir. “Ele sentava na borda do círculo, pigarreando e fazendo comentários sobre um poema ou o que os outros estudantes estavam dizendo”, acrescentou MacLeod. “Ele sempre tinha uma opinião diferente, raramente concordando com o grupo. Ele gostava de discutir com as pessoas só para ser diferente.”


Mais tarde, Steve daria detalhes sobre seu consumo de drogas nos anos da universidade. “Tomei um bocado de LSD, peiote e mescalina, mais de sessenta viagens ao todo”, ele disse. “Nunca tentei converter ninguém para o ácido ou outras drogas alucinógenas, porque algumas pessoas encaram bem as viagens, outras têm uma viagem ruim, e esta última categoria pode sofrer sérios danos emocionais.”


“A literatura deve ser algo tórrido e próximo”, disse. “Quero que ela alcance a pessoa, agarre-a e a prenda em um abraço ardente, sem deixá-la partir. Sempre busquei machucar o leitor e, ao mesmo tempo, diverti-lo. Acho que um livro deve ser uma coisa realmente viva e perigosa, em várias maneiras.”


Na coluna de 18 de dezembro de 1969, ele escreveu: “Talvez haja um buraco em nosso mundo, talvez no tecido de nosso Universo, pelo qual as Coisas vêm e vão. Pode ser que em algum outro mundo todos os nossos antigos bichos-papões existam, andem e falem – e ocasionalmente se percam em nossa esfera”.


Como professor de inglês do ensino médio, ele estava finalmente colocando em uso seu diploma de graduação, apesar de rapidamente descobrir que ensinar não era aquilo que imaginara. “Eu pensava que dar aulas me garantiria uma vida de classe média, não imaginava que fosse significar pobreza”, afirmou. “Ser professor do ensino médio é como ter cabos para bateria conectados nas suas orelhas, sugando toda a energia que há em você. Você chega em casa, tem provas para corrigir e fica sem vontade de escrever. Pretendíamos ter um carro, esperava-se que fôssemos ter uma vida decente, mas estávamos piores do que quando eu trabalhava na lavanderia.”


“Comecei a beber demais e a jogar dinheiro fora com pôquer e sinuca. É a clássica cena: é sexta-feira à noite, você desconta o cheque do pagamento da semana no bar e começa a virar, e, quando se dá conta, já se foi metade do orçamento semanal para comprar comida. Para mim, o objetivo era sempre ficar tão chapado quanto possível. Nunca entendi o que chamam de beber socialmente, para mim parecia com beijar sua irmã. Até hoje não consigo imaginar por que alguém quer beber apenas socialmente.”


“Normalmente não descrevo os personagens sobre os quais escrevo porque não acho necessário”, disse. “Se os leitores pensarem neles como pessoas de verdade, colocarão neles o rosto que desejarem.

 
“Eu havia escrito O Iluminado sem perceber que estava escrevendo sobre mim mesmo”, disse. “Nunca fui a pessoa mais autoanalítica do mundo. As pessoas sempre me pedem para analisar o significado de minhas histórias, para relacioná-las com a minha vida. Ainda que eu nunca tenha negado que elas... têm alguma relação com a minha vida, eu sempre fico perplexo quando me dou conta, anos mais tarde, de que de alguma maneira eu estava delineando meus próprios problemas e, de certa forma, me autopsicanalisando.”


“O dinheiro deixa você um pouco mais são”, disse. “Você não tem de fazer coisas que não quer.”


“Basicamente, o que faço é falar coisas que as outras pessoas têm medo de dizer. Esse trabalho não é muito diferente do de um autor de comédias. Do que é que ninguém quer falar, o equivalente a pegar um garfo e arranhar um quadro-negro com ele, ou fazer com que alguém morda um limão? Quando descubro que coisa é essa, geralmente a reação dos leitores ou espectadores é ‘Obrigado por dizer isso, por articular esse pensamento’”.


“Amo o fogo, amo a destruição. É sensacional, é sinistro e é excitante. A Dança da Morte me trouxe muita satisfação porque nele tive uma chance de remover a raça humana, e uau, foi divertido! Boa parte do sentimento compulsivo e de urgência que tive enquanto trabalhava em A Dança da Morte vinha da emoção de imaginar toda uma ordem social estabelecida destruída de um só golpe. É a faceta de bombardeador maluco da minha personalidade, suponho.”


“Há algumas coisas que faço quando sento para escrever”, explicou. “Eu pego um copo de água e uma xícara de chá. Há um horário certo para sentar, entre oito e oito e meia, em algum momento desse intervalo de meia hora todas as manhãs. Tenho minhas vitaminas e minha música, sento na mesma cadeira, e os papéis ficam dispostos nos mesmos lugares. O objetivo é fazer as coisas da mesma maneira todas as manhãs, é dizer para a mente ‘Você estará sonhando em breve’.” “Não é diferente da rotina para dormir. Você vai para a cama de um jeito diferente toda noite? Há um lado da cama no qual você dorme? Quero dizer, normalmente escovo meus dentes, lavo minhas mãos. Por que alguém lavaria suas mãos antes de se deitar? Não sei. E os travesseiros têm de estar em uma determinada posição. O lado aberto da fronha tem de estar voltado para dentro, para o outro lado da cama. Não sei por quê.”


03 outubro, 2020

[Livro] Stephen King, a biografia: Coração assombrado (2017)/ Lisa Rogak - Parte 1

Photo by Nicolas Postiglioni from Pexels



“Faço a pesquisa [depois de escrever]”, disse. “Porque quando estou escrevendo um livro, minha atitude é ‘Não me confunda com fatos. Apenas me deixe seguir adiante com meu trabalho’.”

“Sim, sou um romântico”, afirmou ele em 1988. “Acredito em todas essas coisas ternas e românticas, de que as crianças são boas, de que o bem vence o mal, de que é melhor ter amado e perdido seu amor que nunca ter amado. Realmente acredito em toda essa bobagem. Não posso fazer nada. Vejo muito disso acontecer.”

“Uma das minhas histórias prediletas era de um time de beisebol que estripava os vilões e marcava as bases com seus intestinos”, contou Steve. “Eles usavam uma cabeça como bola, e um olho saltava quando ela era acertada com o bastão.”

Além de ler gibis e escrever histórias, Steve adorava filmes. Quando morava em Connecticut, ele assistiu ao programa de televisão Million Dollar Movie o máximo que pôde. Este consistia em um filme em preto e branco, normalmente da década de 1940, que era reprisado todas as noites durante uma semana. Steve ficava colado na tela e começou a estudar a estrutura, a linguagem e os efeitos especiais de cada filme, e começou a aplicar as lições aprendidas àquilo que escrevia. “Comecei a ver as coisas enquanto escrevia, em um quadro, como uma tela de cinema”, afirmou.

Mas ele não era muito seletivo em seu gosto cinematográfico, também adorava filmes sobre a Segunda Guerra Mundial, como Até o Último Homem (1950), Iwo Jima – O Portal da Glória (1949) e Gung Ho! (1943).

Apesar de Steve ignorar parte dos ditados, dois causaram um profundo efeito nele, ainda que com certa variação: “Se você imaginar o pior, este não pode acontecer” e “Se você não tem nada de bom para dizer, então fique de boca fechada”.

“Eu ouvia muito falar em fogo e enxofre quando era criança”, disse Steve. “Parte de mim sempre será aquele menino metodista a quem diziam que você não se salva apenas pelas obras, e que o fogo do inferno durava muito.” Uma história que ele ouviu sobre a vida após a morte falava de uma pomba que voa para uma montanha feita de ferro para esfregar seu bico no metal a cada mil anos, e que o tempo que levou para a erosão da montanha é o equivalente ao primeiro segundo no inferno. “Quando se tem seis ou sete anos, esse tipo de coisa fica preso em sua mente”, afirmou, prontamente admitindo que as imagens da igreja tiveram forte influência em seus contos e romances.


25 julho, 2020

[Doc] Icarus (2017)





O filme explica de que pelo menos desde de 1968 há um esquema informal e ilegal de fornecimento de dopping para atletas russos mantido pelo próprio governo russo.

Isso na prática é mantido por laboratórios governamentais que atuam sob ordens diretas do ministério dos esportes e conta também com ajuda de membras da policia secreta russa (antiga KGB). No passado eles compravam drogas da China e hoje sabe lá de onde vem essas vitaminas.
Recentemente (2012-2016) foi percebido que esse esquema, que beneficiou mais de 1000 atletas olímpicos russos, inviabilizava o ideal de competição justa nas provas internacionais.

Mesmo assim, após fartas provas (mais de 1.600 documentos) e investigações dos órgãos esportivos internacionais responsáveis por administrar medidas antidoping no sentido de que essa fraude é mantida pelo governo da Rússia, a instituição responsável pelos jogos olímpicos preferiu não banir os atletas, sob o argumento de que a política não pode prevalecer sobre o esporte.

Fica a sensação de que grandes esquemas de fraude (aqueles mantidos pelas instituições mais poderosas de uma nação) não podem ser derrubados e vida que segue.

Remissões: essa sensação de impunidade é mesma que senti ao ver documentários como Hard Nox (2018) e Mestre do Universo (2013), respectivamente sobre a indústria automobilística  multinacional Volkswagen e as instituições financeiras na Alemanha. O jogo premia o trapaceiro.

Recomendo o filme.

Grande abraço!


P.s.: vi no Netflix


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[Livro] Os Segredos dos Grandes Artistas (2017)/ Mason Currey - Parte 2



Søren Kierkegaard (1813–1855)
  •  Kierkegaard tinha sua maneira bastante peculiar de beber café: Com enorme prazer, pegava o saco de açúcar e vertia o açúcar para dentro da xícara de café até que estivesse amontoado até a borda. Em seguida, despejava o fortíssimo café preto, que lentamente dissolvia a pirâmide branca. O processo mal estava concluído antes de o estimulante viscoso desaparecer no estômago do mestre, onde se incorporava ao xerez para produzir energia adicional que se infiltrava em seu cérebro fervente e borbulhante
  • Normalmente, escrevia no período da manhã, partia em uma longa caminhada por Copenhague ao meio-dia e retomava seus escritos no restante do dia, avançando na noite. Durante as caminhadas, tinha suas melhores ideias e, às vezes, tinha tanta pressa para registrá-las que, ao voltar para casa, escrevia de pé parado em frente à sua mesa, ainda de chapéu e segurando sua bengala ou guarda-chuva. Kierkegaard

Voltaire (1694–1778)
  •  passava a manhã na cama, lendo e ditando novos textos para um de seus secretários. Ao meio-dia, se levantava e se vestia. Em seguida, recebia visitas. Se não houvesse nenhuma, continuava a trabalhar, consumindo café e chocolate para se nutrir. (Ele não almoçava.) Entre as 14 e as 16 horas, Voltaire e seu secretário principal, Jean-Louis Wagnière, saíam de carruagem para inspecionar a propriedade. Depois, trabalhava novamente até as 20 horas, quando se reunia com a sobrinha viúva (e amante de longa data) Madame Denis e outros convidados para o jantar. 
  • Mas seu dia de trabalho não terminava aí: Voltaire muitas vezes continuava a ditar textos depois da ceia, noite adentro. Wagnière estima que, ao todo, eles trabalhassem de 18 a 20 horas por dia. Para Voltaire, era um arranjo perfeito.  

Benjamin Franklin (1706–1790)

  •  Achei muito mais agradável à minha constituição banhar-me em outro elemento, e quero dizer o ar frio. Com esse propósito, eu me levanto cedo quase todas as manhãs, e sento-me no meu quarto sem roupa alguma, por meia hora ou uma hora, de acordo com a estação do ano, e leio ou escrevo. Essa prática não é nem um pouco dolorosa; ao contrário, é bem agradável. Se eu volto para a cama mais tarde, antes de me vestir, como às vezes acontece, complemento o descanso da noite, dormindo uma ou duas horas do sono mais agradável que alguém possa imaginar.

Anthony Trollope (1815–1882)
  •  Eu costumava sentar-me para trabalhar todos os dias às 5:30;
  • três horas por dia produzem tanto quanto um homem deve        escrever. Mas, para isso, deve ter treinado a si mesmo para ser capaz de trabalhar continuamente durante essas três horas – orientando sua mente para que não seja necessário sentar-se e ficar mordiscando a caneta, e olhando para a parede à sua frente, até encontrar as palavras com que deseja expressar suas ideias.
  • Eu sempre começava a tarefa lendo o trabalho do dia anterior, uma operação que levava meia hora, e que consistia principalmente na ponderação do som das palavras e frases em meu ouvido...


Jane Austen (1775–1817)

  •  Austen nunca viveu sozinha e tinha pouca expectativa de encontrar solitude em sua vida diária.
  • Austen escrevia na sala de estar, “sujeita a todo o tipo de interrupções ocasionais”, lembrou seu sobrinho.


Frédéric Chopin (1810–1849)

  •  Ele se fechava em seu quarto por dias inteiros, chorando, andando, quebrando suas canetas, repetindo e alterando um compasso centenas de vezes, escrevendo-o e apagando-o outras tantas, e recomeçando no dia seguinte com uma perseverança ínfima e desesperada. Levava seis semanas para terminar de escrever uma única página, desde o instante em que fizera sua primeira anotação até concluí-la.

Gustave Flaubert (1821–1880)

  •  A fim de se concentrar na tarefa, Flaubert definiu uma rotina rígida que lhe permitia escrever por várias horas à noite – ele se distraía facilmente com os ruídos durante o dia – enquanto também atendia a algumas obrigações familiares básicas. (Na casa de Croisset, havia, além do autor e de sua mãe-coruja, a sobrinha de Flaubert de 5 anos, Caroline, a governanta inglesa da menina e, frequentemente, o tio de Flaubert.)

Henri de Toulouse-Lautrec (1864–1901)

  •  Toulouse-Lautrec fazia seu melhor trabalho criativo à noite, quando desenhava esboços em cabarés ou montava seu cavalete em bordéis.
  • Depois de uma longa noite de desenhos e bebedeira, costumava acordar cedo para imprimir litografias, em seguida, ir a um café para o almoço, regado a generosas quantidades de vinho.

Thomas Mann (1875–1955)

  • Mann estava sempre desperto às 8 horas. Depois de sair da cama, bebia uma xícara de café com a esposa, tomava um banho e se vestia. O café da manhã, novamente tomado com a esposa, era às 8:30. Em seguida, às 9 horas, Mann fechava a porta de seu estúdio, tornando-se inacessível a visitas, telefonemas ou à sua família. As crianças estavam terminantemente proibidas de fazer qualquer ruído entre as 9 horas e o meio-dia, as horas escolhidas por Mann para escrever.

Karl Marx (1818–1883)

  • Seu estilo de vida consistia em visitas diárias à sala de leitura do Museu Britânico, onde normalmente ficava das 9 horas até seu fechamento, às 19 horas. Em seguida, se dedicava a longas horas de trabalho à noite, quando fumava incessantemente. O cigarro, que era um luxo, passou a ser um bálsamo indispensável. Isso afetou sua saúde de forma permanente e passou a ser vítima frequente de uma doença do fígado, por vezes acompanhada de furúnculos e inflamação nos olhos, que interferiam em seu trabalho, deixavam-no exausto e irritado, e atrapalhavam seu meio incerto de subsistência.




19 julho, 2020

[Doc] All Day (2017)




Esse documentário retrata a trajetória de um fisiculturista profissional: da derrota em Ohio/EUA ao triunfo no Brasil. 

Toda história de superação do atleta que nunca desiste de lutar pelo topo no esporte.

A película tem uma grande carga motivacional, pois não importa o que aconteça (e as dificuldades são grandes): Jorlan continua treinando como uma máquina. Isso é inspirador.

O filme mostra as dificuldades da preparação de Jorlan e o trabalho duro na preparação para o próximo campeonato.

Um dos pontos altos é a cena de treinamento de perna na rua, no melhor estilo Ronnie Coleman, avançando dezenas de metros com peso nas costas sob o sol: muito suor e poeira pelo caminho.

Outro momento interessante é o da rotina de alimentação:

mesmo em quarto de hotel ele tem de manter as refeições balanceadas - solução é comprar um grill  e um microondas para cozinhar no apertado ambiente. Nada mais old school que isso.


Recomendo o filme.

Grande abraço!


P.s.: está disponível completo no youtube.

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23 maio, 2020

[Livro] Os Segredos dos Grandes Artistas (2017)/ Mason Currey






Artista Selecionado


Destaque da Rotina
 W. H. Auden (1907–1973) 
  •  Auden levantava-se pouco depois das 6 horas, fazia um café e sentava-se rapidamente para trabalhar, às vezes após fazer um pouco de palavras cruzadas. Sua mente era mais aguçada entre as 7 horas e as 11:30, e raramente deixava de tirar proveito dessas horas. (Ele desprezava os notívagos: “Só os ‘Hitlers do mundo’ trabalham à noite; nenhum artista honesto faz isso.”) Auden geralmente retomava o trabalho depois do almoço e seguia até o final da tarde. A hora dos coquetéis começava pontualmente às 18:30, quando o poeta preparava vários vodca martínis fortes para si e para eventuais convidados. Após as bebidas, era servido o jantar, regado a fartas quantidades de vinho, seguido por mais vinho e conversas. Auden ia para a cama cedo, nunca depois das 23 horas, e, conforme foi envelhecendo, por volta das 21:30. Para manter seu nível de energia e concentração, o poeta contava com a ajuda de anfetaminas. 
 Francis Bacon (1909–1992) 
  •  quando não estava pintando, Bacon levava uma vida de hedonismo, saboreando várias refeições requintadas por dia, bebendo quantidades absurdas de álcool, ingerindo qualquer estimulante que estivesse à mão e saindo para se divertir com mais frequência e intensidade do que qualquer um de seus contemporâneos. 
  • Seu único exercício era andar de lá para cá na frente de uma tela, e sua concepção de fazer dieta consistia em ingerir grandes quantidades de pílulas de alho e evitar gemas de ovos, sobremesas e café – enquanto continua a beber avidamente meia dúzia de garrafas de vinho e fazer duas ou mais refeições fartas em restaurantes por dia. 
 Thomas Wolfe (1900–1938) 
  •  Wolfe tentou descobrir o que havia despertado tão súbita mudança – e percebeu que, na janela, estivera, inconscientemente, acariciando seus órgãos genitais, hábito que tinha desde a infância e que, embora não fosse exatamente de natureza sexual (o pênis “permaneceu inerte e não estimulado”, observou em uma carta ao seu editor), promoveu um “sentimento masculino tão bom” que acabara alimentando suas energias criativas. 
 Patricia Highsmith (1921–1995) 
  •  deixava uma garrafa de vodka ao lado da cama, pegando-a assim que acordava e fazendo marcações na garrafa para definir o limite a ser consumido no dia. Também foi fumante inveterada durante a maior parte da vida, tragando um maço de Gauloises por dia. Em matéria de comida, era indiferente. Um conhecido lembrou-se de que “ela só comia bacon, ovos fritos e cereais, tudo isso em horas incomuns do dia”. 
 Federico Fellini (1920–1993) 
  •  era incapaz de dormir por mais de três horas consecutivas. 
 Ingmar Bergman (1918–2007) 
  •  levantava-se às 8 horas, escrevia das 9 horas até o meio-dia e, em seguida, fazia uma refeição frugal. “Ele sempre almoça a mesma coisa”, recorda-se a atriz Bibi Andersson. “O cardápio não muda. É uma espécie de leite azedo batido, bastante gorduroso, e geleia de morango, bem doce – um tipo de comida para bebê que ele come com flocos de milho.” 
  • Após o almoço, Bergman trabalhava novamente das 13 horas às 15 horas, e então dormia por uma hora. No final da tarde, dava uma caminhada ou pegava o ferry até a ilha vizinha para pegar os jornais e a correspondência. À noite, lia, encontrava-se com amigos, exibia um filme de sua imensa coleção ou assistia à televisão (ele gostava especialmente de Dallas). “Nunca faço uso de drogas ou de álcool”, disse Bergman. “O máximo que bebo é uma taça de vinho, e isso me deixa incrivelmente feliz.”   
 Morton Feldman (1926–1987) 
  •  Quando encontrava tempo para compor, Feldman usava a estratégia que John Cage lhe ensinara – foi “o conselho mais importante que alguém já me deu na vida”, Feldman disse durante uma palestra em 1984. “Ele disse que é muito bom compor um pouco, parar e depois copiar o que você compôs. Quando você copia, está pensando sobre o que fez, e as ideias lhe vêm à cabeça. E é assim que trabalho. E a relação entre compor e copiar é maravilhosa, fantástica.” As condições externas – ter a caneta certa, uma boa cadeira – também eram importantes. Feldman escreveu em um ensaio de 1965: “Minha preocupação, às vezes, não vai além de estabelecer uma série de considerações práticas que me permitam trabalhar. Por anos, eu disse que, se conseguisse encontrar uma cadeira confortável, estaria no mesmo nível de Mozart.” 
 Wolfgang Amadeus Mozart (1756–1791) 
  •  tenho o hábito (especialmente quando chego em casa mais cedo) de compor um pouco antes de ir dormir. Muitas vezes escrevo até a 1 hora – e me levanto às 6 horas. 

 Ludwig van Beethoven (1770–1827) 
  •  Beethoven gostava de tomar vinho durante as refeições, e saboreava um copo de cerveja e fumava seu cachimbo após o jantar. Raramente compunha à noite, e recolhia-se cedo, indo para a cama o mais tardar às 22 horas. 







17 dezembro, 2019

O Hábito de Selecionar Parceiras Sexuais

Photo by Wellington Cunha from Pexels

Introdução 


Lembro de quando era um adolescente pobre, gordo e tinha os hormônios em erupção: a possibilidade de conseguir namorar era remota.  - Parecia simplesmente que eu estava condenado ao celibato.

O engraçado é que isso não faz qualquer diferença hoje em dia e algumas daquelas garotas que um dia desejei se tornaram precocemente mulheres feias e gordas, sem grandes atrativos físicos.

Contudo, quando me tornei um jovem adulto e comecei a ganhar dinheiro, as coisas foram melhorando gradativamente, pois passei a me dedicar ao meu solitário caminho do desenvolvimento pessoal: lendo livros, fazendo musculação e artes marciais e estudando para concursos.


Hoje, já com mais de 30 anos, é fácil demais arranjar uma pepeca, principalmente porque moro aqui na cidade do RJ, uma das maiores capitais de putaria do mundo. 

Minha Experiência: Trabalho atendendo o público e um dia uma jovem morena de 18 anos, de corpo voluptuoso, me passou o nome e o telefone escrito em um papelzinho, por meio da irmã menor. A morena não era linda, mas era razoável, nota 6,0 (vide tabela ao final). Nunca iria imaginar que algo assim aconteceria de forma tão gratuita, pois perto da idade dela sou apenas um tio sukita.

Geração Perdida

  
Casos assim são normais na cena carioca. Como sabido, o RJ é uma cidade permeada de comunidades onde existe um alto e desordenado crescimento demográfico. 

Isso gera uma enorme quantidade de mulheres jovens sem perspectiva por não terem qualquer estrutura: familiar, educacional, econômica ou psicológica.

E o que sobra para elas? Viver de bicos e se dedicar ao tipo de lazer que têm acesso. Ficar, namorar, engravidar e dar continuidade a um ciclo de miséria Intergeracional.

Dessa forma, como a oferta é muito grande, temos que ser seletivos em razão do riscos:

  • Risco Jurídico e financeiro - Pensão alimentícia: possibilidade de ter uma penca de filhos, ser preso por não pagar pensão e fica mais pobre, sem poder aportar;
  • Risco Biológico - DST's: há muita promiscuidade: o problema de dividir a carne é não saber quem comeu antes; 
  • Risco Mental - estresse negativo: certas pessoas criam problemas por coisas mínimas. Prefiro ficar tranquilão, já me bastando meus próprios problemas; 
  • Risco Social - Socialização forçada: quando se amplia o círculo social com um novo relacionamento,  podemos ser jogados em um círculo já existente com todo tipo de gente: traficantes, prostitutas e policiais corruptos.
  • Risco Bélico - Narco guerra: visitar certas comunidades no RJ é uma atividade perigosa, pois, por exemplo, há regulares tiroteios entre a polícia e facções criminosas. Além disso, algum soldado do tráfico pode encrencar com sua cara e te matar por isso (mais de um cara legal já morreu por causa disso).

Planejamento Sexual


A ideia é simples: Planejamento sexual é essencial. 

Além do caráter deve-se também levar em conta a estrutura socioeconômica da pessoa para que o mundo de experiências que ela traga seja positivo, agregando valor a sua vida.


  • Existem duas maneiras quase certas de ser um perdedor na vida. Uma delas é assumir riscos idiotas, ou seja, riscos desproporcionais às recompensas almejadas. E a outra é não assumir risco algum. Pessoas de sorte evitam dois extremos. Elas cultivam a técnica de correr riscos de forma cuidadosamente ponderada. (Max Gunther)

Em síntese: " relacione-se com pessoas iguais ou melhores que você".


Conclusão


A curto prazo não há grandes problemas (evitando as mais doidas) e já tem que estar preparado para terminar. 

Agora se levar a relação a outro degrau e for de longo prazo, pode sim cair em uma situação indesejável. Nesse caso se deve analisar: 


inteligência, profissão, visão de futuro, histórico familiar, temperamento, vida pregressa etc. e não apenas a beleza física da mulher.

Enfim, o tempo favorece os homens: controle sua libido e continue investindo em seu desenvolvimento pessoal. Se um ex-gordo tetinha como eu conseguiu, você também consegue.


Grande abraço!


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ANEXO - Tabela de Beleza Feminina


Autoria desconhecida


Post de 08/2017 atualizado em 12/2019

30 novembro, 2019

[Livro] O poder do tempo livre (2017)/ Luciano Braga





Introdução


É ideia do livro é indicar estratégias de modo a otimizar o tempo livre e direcioná-lo a prática de atividades mais complexas (projetos) que a médio ou longo prazo tornará o indivíduo mais satisfeito com sua existência.

"Existe um culto moderno pelo sucesso, essa coisa subjetiva e super-individual, que ninguém sabe direito o que é e, portanto, como alcançar. Queremos sempre o sucesso dos outros – a fama do Neymar, o dinheiro do Richard Branson, a família do Brad Pitt. Só que não funciona assim. Sucesso é estar feliz com suas escolhas. Não com as escolhas dos outros.
Encontre tempo livre e descubra o poder que ele tem para sua felicidade. Comece projetos paralelos. Agora."


Lições 


O meu conselho para quem ainda não sabe o que fazer com seu tempo livre é buscar na infância e na adolescência aquelas atividades que davam mais prazer. Ou tentar lembrar as respostas que você dava quando alguém perguntava “o que você quer ser quando crescer?”.



As pessoas não decidem seu futuro, elas decidem seus hábitos, e seus hábitos decidem seu futuro.
 
Busque respostas honestas que realmente conversem com aquilo que você deseja em sua vida, e, se por acaso não encontrar nada, pense em um projeto paralelo para descobrir isso.  
Se você não sabe o que fazer, faça qualquer coisa. 


A TV é uma mídia passiva, que suga seu tempo e dá muito pouco em troca (conhecimento e cultura, em alguns casos). Isso porque, para conseguir assistir de forma eficiente, você deve prestar atenção o tempo todo, estando impedido de fazer outras coisas simultaneamente. Se o programa que você está vendo não acrescenta nada em sua vida, você está jogando tempo fora. (...) Sim. Netflix também é TV.


Corte seus feeds pela metade. Pratique o desapego e fique fiel apenas àqueles blogs realmente fora da curva, àqueles que realmente adicionam algo de relevante à sua vida a cada post. Blog bom é aquele que o deixa triste quando você entra e vê que eles não postaram nada nos últimos dias. Todos os outros são descartáveis.

Uma lógica que serve também para os nossos smartphones. Nós os checamos constantemente em busca de uma nova mensagem da pessoa que a gente gosta, um novo seguidor, um comentário numa foto. Uma recompensa que nos faça feliz. E como elas aparecem de forma aleatória, continuamos nossa busca. Pode ser na próxima checada, pode não ser. A partir do momento em que a gente deixa o celular longe, ou no silencioso, estamos dando um motivo a mais para não pegar o celular no meio de um almoço, uma conversa ou durante um filme.

Delete o Facebook, Instagram, Snapchat e todos os jogos do seu celular

Televisão, celulares, blogs e jogos são ferramentas sensacionais. Só que elas precisam trabalhar a nosso favor.

Fabio Lopez, designer carioca, costuma chamar tempo livre de “tempo nobre”. Para ele, o fato de esses momentos do dia serem raros, curtos e exclusivos os classifica como algo muito mais importante que apenas tempo livre. E, já que eles são tão escassos assim, devemos tratá-los com carinho e usá-los com sabedoria em busca de um crescimento pessoal e profissional.

Zapear inconscientemente pelos canais da TV depois do trabalho e fazer um brainstorming para um novo empreendimento criativo exigem aproximadamente o mesmo número de bits do seu cérebro. Qual é o mais significativo para você?

PROJETOS PARALELOS PODEM SER DEFINIDOS COMO AQUELE TRABALHO EMPOLGANTE QUE REALIZAMOS FORA DO NOSSO EMPREGO COTIDIANO, QUANDO USAMOS NOSSO TEMPO LIVRE PARA IR ATRÁS DE UM OBJETIVO.

Todos nós concordamos que “tempo livre” é meio óbvio de ser sempre citado, né? Um projeto feito durante a hora de trabalho costuma ser chamado de emprego, tem oito horas de duração e geralmente vem acompanhado de um salário. Já um projeto paralelo é aquilo que fazemos depois do trabalho (ou antes, para aqueles seres que, inexplicavelmente, gostam de acordar muito cedo), quando estamos com tempo livre.

Um hobby (ou passatempo) não possui um objetivo final, um resultado esperado. São interesses de longa data nos quais você não vê um fim, como surfar, ver filmes ou jogar futebol.

Já um projeto paralelo é o contrário. Ele possui um objetivo, um produto ou um resultado esperado.
Seja qual for o objetivo intrínseco ao projeto paralelo de cada um, existem barreiras a ser quebradas para alcançá-lo. Para construir um site, várias etapas são necessárias, desde pensar no domínio, criar um layout, programar, botar no ar.
Ou seja, projetos paralelos não são fáceis como hobbies, que trazem basicamente relaxamento e diversão. Eles trazem consigo responsabilidades necessárias para sua evolução.
Eles não precisam sustentar sua vida. Você ainda pode comer se eles falharem.
Apenas o fato de um projeto paralelo não ser o responsável pelo seu ganha-pão já tira bastante peso do modo como você pode trabalhá-lo.

Mesmo assim, um projeto paralelo precisa de muita dedicação, e é por isso que a frequência com que você bota a mão nele influencia bastante. Sua vida profissional já ocupa oito horas (se não mais, dependendo da profissão), você precisa dormir (mais 7, 8 horas), e, obviamente, precisa tomar banho (sim, você precisa), almoçar, jantar, descansar, se locomover para algum lugar, etc. Isso dá mais ou menos 20 horas por dia, sobrando pouquíssimo tempo para um projeto pessoal.

O importante, então, é ter uma frequência definida para não deixá-lo morrer, sabendo determinar suas tarefas e responsabilidades para trabalhar com elas naquele período de tempo estipulado.

Social media, atendimento, reuniões, marketing, relações públicas, design, office boy, contabilidade (naqueles casos em que a grana resolve aparecer). Todos são exemplos de atividades que podem ser exigidas pelo seu projeto paralelo. Quanto mais dessas tarefas a gente realizar por nós mesmos, mais expertises a gente acaba aprendendo. Com o tempo, vamos pegando jeito e uma que outra atividade pode ser adicionada ao nosso portfólio de conhecimento. 
Se você trabalhar muito tempo em coisas entediantes, isso irá apodrecer seu cérebro.

A vida começa no final da sua zona de conforto. Quando você faz coisas interessantes, coisas interessantes acontecem com você.


A não ser que você seja o chefe ou o dono de uma empresa, é provável que o que acontece em um ambiente corporativo seja decidido por essas pessoas, nos cargos superiores. Horário, número de pessoas, quem trabalha no quê e onde, rumos para a empresa, parceiros, comunicação. Praticamente tudo vem de cima, cabendo aos funcionários se adaptarem àquilo que seus chefes querem. Embora existam excelentes empresas que sabem escutar seus funcionários e respeitar suas demandas para criar um ambiente de trabalho melhor para todos, a maioria das organizações apenas segue padrões estabelecidos pela sociedade corporativa. E viver dentro de organizações que seguem modelos preestabelecidos e não dão espaço para funcionários participarem de sua construção é viver em um mundo passivo.

Dedicar-se àquele projeto que faz seu olho brilhar pode levar você a atingir resultados inesperados. Quando estamos imersos num trabalho que nos dá tesão, acordamos com muito mais disposição, dormimos tarde por não ver a hora passar, damos aqueles 10% a mais da gente, excedente que raramente investimos para um trabalho que não nos inspira.
Por não precisar ser responsável por pagar suas contas, projetos paralelos costumam ser levados numa velocidade mais lenta, e adicionar dinheiro na jogada pode atrapalhar o andar da carruagem. Isso porque dinheiro traz consigo mais tensões. Quando se começa a ganhar dinheiro, não existe mais voltar atrás. Vira negócio. E, como todo negócio, ele precisa ser tratado como tal, e não mais como uma diversão paralela.

A real é que a maioria dos empregos são padronizados. Feitos para muitos profissionais com a mesma formação acadêmica, porém, de diferentes personalidades. Logo, é muito difícil que eles atendam a todos os anseios de uma única pessoa. Já um projeto paralelo é criado à nossa imagem e semelhança. Ele é feito de forma a satisfazer nossas necessidades. Escolhemos horário, formato de trabalho, parceiros, objetivos, metas, prazos. Somos o Deus da p**** toda.

Levanto-me para realizar uma tarefa de homem. Por que teimar, se vou fazer aquilo para o qual nasci, para o qual fui enviado ao mundo? Terei sido criado, por acaso, para ficar agasalhado sob as cobertas? Não vês as plantas, os pássaros, as formigas, as aranhas executarem cada qual a sua tarefa peculiar, colocando o mundo em ordem, da melhor maneira que podem? Marco Aurélio

Seja honesto, comunique-se como você se comunica no seu dia a dia. Não tente parecer com quem você não é, ou imitar o jeito de outra pessoa. Ser 100% honesto consigo mesmo e com o público é a melhor maneira de gerar identificação com o resto do mundo. Encontre sua voz.

uma pessoa nunca está “pronta” antes de começar algo. Ela fica pronta durante o processo. A gente tem que começar do jeito que der e ir evoluindo com o tempo, com a prática. Só a prática pode nos dar domínio sobre algum assunto.

Quer fazer algo em inglês, mas não tem quem traduza para você? Google Translate. Precisa de um ícone para fazer um logotipo e não sabe mexer em programas de edição? The Noun Project. Quer fazer um card de Facebook? Canva.com. Quer um site e não tem quem faça para você? Tumblr, Wordpress, Squarespace, Wix. Mailing? MailChimp. Formulários? Typeform. Fontes legais? Dafont. GIFs? Giphy. Organização de projetos? Wunderlist, Asana. Trilha sonora? Youtube Audio Library. Estatística? Google Analytics. Fotos de graça? Unsplash, The Stocks. Para todo e qualquer serviço do qual você possa vir a precisar para seu projeto, pode ser encontrado um correspondente free na internet.
projetos paralelos não são feitos para nos tornar ermitões. Vida social é essencial para a felicidade humana.
E o único segredo que eu conheço para manter o foco em qualquer área de trabalho é este: organização. Por mais criativo e cheio de ideias que a gente seja, sem organização não vamos a lugar algum. Scott Belski, fundador da Behance, acredita que, quando o objetivo é impactar, a organização é simplesmente tão importante quanto as ideias.

Adotar uma abordagem mínima para um projeto o levará a um resultado mínimo.

Dinheiro é como gasolina durante uma viagem. Você não quer ficar sem ela, mas também você não está fazendo um tour por postos de gasolina.
Enquanto isso, aproveite a estabilidade e o seu salário para investir mais no seu projeto, para deixá-lo cada vez melhor. É para isso que empregos chatos servem: financiar seu próximo sonho.

Batman precisa do dinheiro infinito do Bruce para financiar seu projeto paralelo de combate ao crime.


Conclusão


Resumindo tudo, conforme o autor explica:

Delete os aplicativos. Delete os jogos. Delete os feeds. Despeça-se dos seriados. Arranje tempo livre. Arranje um calendário. Cancele compromissos inúteis. Avise os amigos que você vai ficar mais em casa nos próximos meses. Comece algo. Comprometa-se. Passe do ponto em que não há volta. Trabalhe. Trabalhe com tanta paixão que será impossível não gostar do que você faz. Esqueça o medo. Esqueça o frio na barriga. Esqueça comentários negativos. Esqueça o WhatsApp. Esqueça o Instagram. Esqueça o que o resto do mundo está fazendo. Você está fazendo aquilo que ama, então não há lugar melhor para se estar. Escolha viver uma vida incrível. Ela é muito curta para não ser.

Recomendo o livro.

Grande abraço!

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