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25 maio, 2021

[Livro] 5S. Práticando Os Cinco Sensos (1997)/Antonio Mendes Barros Filho et al.

 


Introdução


Comprei pra entender mais sobre o tema e adorei a abordagem prática

Parece-me bastante útil para aplicar na minha própria casa ou para  empresas.


Conselhos Úteis


 


Conclusão 


Enfim, uma ótima leitura.

Recomendo.

Grande abraço!

minha aplicação dessas ideias no estoque daqui de casa


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25 novembro, 2020

[Livro] Como Proust pode mudar sua vida (1997)/ Alain de Botton - Parte 3

 


Como abrir os olhos


Os grandes pintores têm o poder de abrir nossos olhos por causa da receptividade incomum de seus próprios olhos para aspectos da experiência visual, para os jogos de luz no fundo de uma colher, a maciez fibrosa de uma toalha de mesa, a pele aveludada de um pêssego ou os tons rosados da pele de um idoso.

A felicidade que pode surgir quando lançamos um segundo olhar sobre algo é essencial para a concepção terapêutica de Proust, pois revela até que ponto nossa insatisfação pode derivar da nossa incapacidade de olhar apropriadamente para nossa própria vida, e não de uma deficiência inerente ao nosso cotidiano. A apreciação da beleza de pães não impede nosso interesse por um castelo, mas, se não formos capazes de apreciá-los, devemos questionar nossa capacidade geral de apreciação.

A memória voluntária, a memória do intelecto e dos olhos, nos [dá] apenas fac-símiles imprecisos que se parecem tanto com o passado quanto os quadros de pintores ruins lembram a primavera (…) Então, não acreditamos que a vida é bela porque não a recordamos, mas, se sentirmos o sopro de um aroma há muito esquecido, ficamos repentinamente inebriados. Da mesma maneira, achamos que não amamos mais os mortos porque não os lembramos, mas, se por acaso nos deparamos com uma velha luva, caímos em prantos.


Como ser feliz no amor


 Nós apenas conhecemos de verdade o que é novo, o que repentinamente apresenta à nossa sensibilidade uma mudança de tom que nos abala, o que o hábito ainda não substituiu por pálidos fac-símiles.

o fato de haver algo fisicamente presente está longe de constituir a circunstância ideal para notá-lo. De fato, a presença talvez seja o próprio elemento que nos estimula a ignorar ou a negligenciar tal coisa, pois achamos que já fizemos todo o trabalho simplesmente garantindo o contato visual.

Se um longo relacionamento com um amante muitas vezes gera tédio, uma sensação de conhecer bem demais essa pessoa, o problema pode, ironicamente, ser que não a conhecemos suficientemente bem. Enquanto a novidade inicial do relacionamento não deixa dúvidas quanto à nossa ignorância, a subsequente presença física confiável do amante e as rotinas da vida em comum podem nos iludir e nos fazer pensar que alcançamos uma familiaridade genuína e maçante, mas, na verdade, é possível que se trate apenas de uma falsa sensação, fomentada pela presença física,


Para Proust, uma injeção de ciúme é a única coisa capaz de resgatar um relacionamento arruinado pelo hábito. Um conselho para quem deu o passo fatal da coabitação: Vivei inteiramente com a mulher e não vereis mais nada do que vos fez amá-la; é certo que os dois elementos desunidos, pode o ciúme ajuntá-los novamente.

Basta que receemos perdê-la para esquecermos todas as outras. Seguros de a conservar, comparamo-la a essas outras, que imediatamente preferimos a ela.

Como abandonar os livros


(...) que todos os livros podem fazer por seus leitores; isto é, ressuscitar aspectos valiosos, embora menosprezados, da experiência, os quais estavam até então entorpecidos pelo hábito e pela falta de atenção.

(…) Não há maneira melhor de nos conscientizarmos a respeito do que nós mesmos sentimos do que tentando recriar em nós mesmos o que um mestre sentiu. Nesse esforço profundo, é nosso próprio pensamento, junto com o do nosso mestre, que trazemos à luz.

Devemos ler livros escritos por outras pessoas a fim de conhecer o que nós sentimos; são nossos próprios pensamentos que deveríamos desenvolver mesmo que seja com a ajuda do pensamento de um outro escritor. Portanto, uma vida acadêmica plena exigiria que julgássemos que os escritores que estudamos articularam em seus livros uma quantidade satisfatória das nossas próprias preocupações e que, ao entendê-las por meio de tradução ou comentário, estivéssemos simultaneamente entendendo e desenvolvendo as partes espirituais significativas daqueles autores.

E é aí que reside o problema de Proust, pois, na sua visão, os livros não poderiam nos conscientizar de muitas coisas que sentimos. Talvez pudessem abrir nossos olhos, nos sensibilizar, intensificar nossos poderes de percepção, mas, em dado momento, esse efeito cessaria, não por coincidência, não de maneira ocasional, não por má sorte, mas inevitavelmente, por definição, pelo forte e simples motivo de que não somos o autor. Chegaria um momento, em todo livro, no qual sentiríamos que algo é incongruente, mal-entendido ou restritivo, e isso nos daria a responsabilidade de deixar nosso guia para trás e de continuar nossos pensamentos sozinhos.

Uma das grandes e maravilhosas características dos bons livros (que nos permite ver o papel ao mesmo tempo essencial e limitado que a leitura pode desempenhar em nossa vida espiritual) é que, para o autor, os livros podem ser chamados de “Conclusões”, mas, para o leitor, são “Provocações”. Sentimos fortemente que nossa própria sabedoria tem início quando a do autor termina e gostaríamos que ele nos desse respostas quando tudo o que ele é capaz de fazer é nos fornecer desejos (…) Esse é o valor, e também a inadequação da leitura. Transformá-la em disciplina é atribuir um papel grande demais ao que é apenas um incentivo. A leitura está no limiar da vida espiritual e pode apresentá-la a nós, mas não a constitui.

Contanto que a leitura seja para nós o instigador cujas chaves mágicas abriram as portas daqueles lugares recônditos de nós mesmos nos quais não saberíamos como entrar, seu papel em nossa vida é salutar. Por outro lado, ele se torna perigoso quando a leitura, em vez de nos despertar para os pensamentos próprios, tende a tomar seu lugar, quando a verdade não se configura mais para nós como um ideal que só podemos concretizar por meio do progresso íntimo do nosso próprio pensamento e dos esforços do nosso coração, mas como algo material, depositado entre as folhas de livros, como mel inteiramente preparado por outros e que só precisamos pegar das estantes das bibliotecas e experimentar passivamente em total repouso da mente e do corpo.

Transformar [a leitura] em disciplina é atribuir um papel grande demais ao que é apenas um incentivo. Ler está no limiar da vida espiritual e pode apresentá-la a nós, mas não a constitui. Até mesmo os melhores livros merecem ser abandonados.



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15 agosto, 2020

[Livro] Como Proust pode mudar sua vida (1997)/ Alain de Botton - Parte 2

 

Como sofrer com sucesso

Embora possamos, obviamente, usar nossa mente sem estar em sofrimento, Proust sugere que nos tornamos apropriadamente inquisitivos apenas na aflição. Sofremos, portanto pensamos, e o fazemos porque o pensamento nos ajuda a contextualizar a dor, a entender sua origem, a medir suas dimensões e a nos reconciliar com sua presença. Assim sendo, ideias que surgiram sem dor carecem de uma importante fonte de motivação.

A arte de viver consiste em nos sabermos servir de quem nos atormenta (…).
A moral? Reconhecer que a melhor chance para nos sentirmos contentes reside na absorção da sabedoria que nos é oferecida em código por meio de tosses, alergias, gafes sociais e traições emocionais e evitar a ingratidão daqueles que culpam as ervilhas, as pessoas maçantes, o tempo e o clima.

Como expressar suas emoções

Ficamos do lado de fora das nossas impressões, como se estivéssemos olhando-as através de um vidro fosco, superficialmente relacionados a elas, mas afastados de tudo o que ultrapassa uma definição casual.
O problema dos clichês não é conter ideias falsas, mas ser articulações superficiais de ótimas ideias.
Os clichês são prejudiciais na medida em que nos inspiram a acreditar que descrevem adequadamente uma situação quando estão apenas arranhando sua superfície. E, se isso tem alguma importância, é porque nossa maneira de falar está, em última instância, ligada ao nosso modo de sentir, a maneira como descrevemos o mundo deve, em algum nível, refletir o modo como o vivemos.
todos nós temos o hábito de dar ao que sentimos uma expressão totalmente falsa, que tomamos, ao cabo de algum tempo, pela realidade mesma.
Nas palavras de Proust: O trabalho feito pelo amor-próprio, pela paixão, pelo espírito de imitação, pela inteligência abstrata, pelos hábitos, é o que há de desmanchar a arte, na marcha em sentido contrário, na volta que nos fará empreender aos abismos onde jaz ignorado de nós o que realmente existiu.


Como ser um bom amigo


Proust uma vez comparou a amizade à leitura porque ambas as atividades envolviam comunhão com os outros, mas acrescentou que a leitura tem uma vantagem fundamental: Na leitura, a amizade é repentinamente levada de volta à sua pureza original. Não há amabilidade falsa com livros. Se passamos a noite com esses amigos é porque realmente queremos.
Proust propôs que “aqueles que menosprezam a amizade podem (…) ser os melhores amigos do mundo”, talvez porque abordem esse vínculo com expectativas mais realistas. Eles evitam falar por muito tempo sobre si mesmos, não porque achem o assunto irrelevante, mas porque o consideram importante demais para ser deixado à mercê do instrumento casual, fugaz e, em última instância, superficial que é a conversa.
Isso significa que eles não têm ressentimento em fazer mais perguntas do que responder, pois veem a amizade como uma oportunidade de conhecer os outros, e não de fazer preleções.


13 junho, 2020

[Livro] Como Proust pode mudar sua vida (1997)/ Alain de Botton - Parte 1

 



 Como amar a vida hoje



  • Acho que, de repente, a vida nos pareceria maravilhosa se estivéssemos ameaçados de morte (...). Pense em quantos projetos, viagens, casos de amor e estudos a vida oculta de nós, tornando-os invisíveis por causa da nossa preguiça, que, certa de um futuro, adia-os incessantemente.


Como ler para si mesmo




  • “sob o ponto de vista estético, o número de tipos humanos é tão restrito que podemos com frequência, onde quer que estejamos, ter o prazer de ver pessoas conhecidas”. Tal prazer não é simplesmente visual: o número restrito de tipos humanos também significa que podemos o tempo todo ler, em lugares completamente inesperados, a respeito de pessoas que conhecemos.



  • Na verdade, todo leitor, enquanto está lendo, é o leitor do seu próprio eu. O trabalho do escritor é simplesmente uma espécie de instrumento ótico oferecido ao leitor para lhe permitir distinguir o que, sem o livro, ele talvez nunca fosse vivenciar em si mesmo. E o reconhecimento em si próprio, por parte do leitor, daquilo que o livro diz é a prova da sua veracidade.

  •  As pessoas de eras passadas parecem infinitamente distantes de nós. Achamos que não temos motivo para lhes atribuir qualquer intenção subjacente além da que elas expressam formalmente; ficamos surpresos ao nos depararmos com um herói homérico cuja emoção é mais ou menos semelhante à que sentimos hoje (…) é como se imaginássemos que o poeta épico (…) está tão distante de nós quanto um animal em um zoológico.

  • O valor de um romance não se limita à representação de emoções e de pessoas parecidas com aquelas da nossa vida, mas também se estende à capacidade que adquirimos de descrevê-las muito melhor do que antes e de identificar percepções que reconhecemos como nossas, embora não fôssemos capazes de formulá-las sozinhos.

  •  Ao lermos a nova obra-prima de um homem brilhante, ficamos felizes em descobrir reflexões nossas que havíamos menosprezado, alegrias e tristezas que havíamos reprimido, todo um mundo de sentimentos que havíamos desdenhado e cujo valor nos é repentinamente ensinado por aquele livro.


Como não se apressar



  • a grandiosidade das obras de arte nada tem a ver com a qualidade aparente do seu tema, e sim com o tratamento subsequente que lhe é dado. Donde suas alegações de que tudo é potencialmente um tema fértil para a arte e que podemos fazer descobertas tão valiosas em um anúncio de sabonete quanto nos Pensamentos de Pascal.

  •  um anúncio de sabonete podia ser o ponto de partida para pensamentos que talvez acabassem sendo tão profundos quanto aqueles já expressos e desenvolvidos por Pascal. 
 

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02 maio, 2020

[Livro] Ah, Se Eu Soubesse… (1997)/ Richard Edler - Parte II

 


Case-se com alguém que se interesse em ajudá-lo em sua carreira;

Se você se transformar numa pessoa intransigente, irá perder oportunidade interessantes de se relacionar com outros de forma mais intensa;

No seu nascimento, você chorou e as pessoas se alegraram. Viva sua vida de tal modo que, quando você morrer, as pessoas chorem e você se sinta feliz pelo que viveu;

Embora esteja cercado de "experts" todos os dias, você deve confiar em si próprio e no seu julgamento, e, a partir daí, definir sua conduta.

As pessoas acreditam em quem elas vêem regularmente;

Não se intimide com o mundo a sua volta. A maioria das pessoas não tem soluções;

Construa uma ampla rede de relacionamentos, muito além da sua zona de conforto;

Se você não pode perder, você não pode ganhar; mas se você pode romper o acordo, aí sim poderá se aproximar da mesa objetivando que as duas partes ganhem, ou fiquem simplesmente sem acordo;

Procure ter um intervalo de dois minutos entre uma reunião e outra, ou entre uma ligação e outra;

Mantenha os seus olhos e ouvidos aberto e a boca fechada. Grandes fontes de ingenuidade o cercam;

A maioria dos prazos são artificiais e flexíveis;

Espere 24 horas para reagir;


Conclusão


O livro tem bons conselhos demais e, para o post não ficar exageradamente grande, mencionei alguns poucos.

Recomendo a leitura.

Grande abraço!


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06 dezembro, 2019

[Livro] A Última Grande Lição (1997)/ Mitch Albom

 

A - Introdução


A vida um dia acaba e o fim inesperado do Viver de Construção nos mostra o quanto ela é preciosa.

Esse livro busca ensinar quais são os  ativos mais importantes de nossas vidas: nossos relacionamentos.

B - Lições 


Falas de Morrie (professor)


- Estar morrendo é apenas uma circunstância triste, Mitch. Viver infeliz é diferente. Muitas das pessoas que me visitam são infelizes. Por quê? - Porque a cultura que temos não contribui para que as pessoas estejam satisfeitas com elas mesmas. 

Estamos ensinando coisas erradas. E é preciso ser forte para dizer que, se a cultura não serve, não interessa ficar com ela. Que é melhor criar a sua própria. A maioria das pessoas não consegue fazer isso. São mais infelizes do que eu, mesmo na situação em que estou.

"A cultura que temos não contribui para que as pessoas se sintam felizes com elas mesmas. É preciso ser forte para dizer que, se acultura não serve, não interessa ficar com ela.".

"Tanta gente anda de um lado para outro levando vidas sem sentido. Parecem semiadormecidas, mesmo quando ocupadas em coisas que julgam importantes. Isso acontece porque estão correndo atrás do objetivo errado. Só podemos dar sentido à vida dedicando-nos a nossos semelhantes e a comunidade e nos empenhando na criação de alguma coisa que tenha alcance e sentido.".

O mais importante na vida é aprender a dar amor e a recebê-lo.

Deixe o amor vir. Pensamos que não merecemos amor; pensamos que, se nos submetemos a ele, nos enfraquecemos. Mas um sábio chamado Levine disse a palavra certa: "O amor é o único ato racional."

Às vezes, não acreditamos no que vemos e precisamos acreditar no que sentimos. E, se quisermos que os outros confiem em nós, precisamos sentir que nós confiamos neles. Mesmo que estejamos no escuro. Mesmo quando estamos caindo.

a cultura não nos ajuda a pensar nessas coisas quando a morte ainda parece longe. Vivemos tão enrolados em objetivos egoístas, carreira, família, ter dinheiro, pagar a hipoteca, comprar carro novo, consertar o aquecedor. Vivemos envolvidos em trilhões de pequenas coisas apenas para continuar tocando para a frente. Por isso, não adquirimos o hábito de dar uma parada, olhar n ossa vida e dizer: é só isso? É só isso que eu quero? Não está me faltando alguma coisa? Fez uma pausa. - Precisamos que alguém nos empurre nessa direção. Não é coisa que venha automaticamente.
  

Todo mundo sabe que vai morrer - repetiu Morrie -, mas ninguém acredita. Se acreditássemos, mudaríamos nosso comportamento. - De maneira que nos iludimos a respeito da morte - sugeri. - Isso. Mas há uma abordagem melhor. Saber que se vai morrer e preparar-se para receber a morte a qualquer momento. Assim é melhor. Assim, podemos ficar mais envolvidos com a vida enquanto vivemos. - Como podemos nos preparar para morrer? - perguntei. - Fazendo como os budistas. No começo de cada dia ter um passarinho pousado no ombro, que pergunta: "É hoje que vou morrer? Estou preparado? Estou fazendo tudo que preciso fazer? Estou sendo a pessoa que quero ser?"

- Ah, a maioria de nós anda em círculos, como sonâmbulos. Não experimentamos a vida em sua plenitude, porque vivemos semiadormecidos, praticando atos que automaticamente achamos que precisamos praticar.

- E encarar a morte muda tudo? - Claro que muda. A pessoa descarta toda essa tralha e se concentra no que é essencial. Quando se descobre que se vai morrer, vê-se o mundo de maneira bem diferente - ele suspirou. - Como eu disse, aprenda a morrer e aprenderá a viver.

 A verdade é que não existe base, não existe um fundamento sólido no qual as pessoas possam se apoiar hoje em dia, a não ser a família. Depois que adoeci, isso ficou claro para mim. Quem não tem o apoio, o amor, os cuidados de uma família, não tem muito com que contar. O amor é supremamente importante. Como disse o nosso grande poeta, Auden, "Amem-se uns aos outros, ou pereçam".

Foi disso que senti tanta falta quando minha mãe morreu. Falta do que eu chamo de "segurança espiritual", de saber que existe uma família cuidando sempre da gente. Nada substitui isso. Nem dinheiro. Nem fama. - Nesse ponto ele olhou para mim e acrescentou: - Nem trabalho.

Sempre que me perguntam sobre ter filhos ou não ter filhos, nunca digo o que devem fazer - disse Morrie olhando uma fotografia do filho mais velho. -Só digo que não existe emoção comparável à de ter filhos. Nada substitui essa experiência. Não se pode experimentá-la com um amigo. não se pode experimentá-la com uma amante. Quem quiser experimentar a emoção de assumir responsabilidade total por outro ser humano, e aprender a amar e se dedicar no grau mais alto precisa ter filhos.
- Tome qualquer emoção: amor por uma mulher, sofrimento por um ente querido, ou isso por que estou passando, medo e dor causados por uma doença mortal. Se você bloquear suas emoções, se não se permitir ir fundo nelas, nunca conseguirá se desapegar, estará muito ocupado em ter medo. Terá medo da dor, medo do sofrimento. Terá medo da vulnerabilidade que o amor traz com ele. - Mas atirando-se a essas emoções, mergulhando nelas até o fim, até se afogar nelas, você as experimenta em toda a plenitude, completamente. Saberá o que é dor. Saberá o que é amor. Saberá o que é sofrimento. Só então poderá dizer, muito bem, experimentei essa emoção. Eu a reconheço. Agora preciso me desapegar dela por um momento.
O mesmo se aplica à solidão. Abra-se, deixe as lágrimas correrem, sinta a solidão em sua plenitude, e chegará o momento de se poder dizer, "muito bem, esse foi o meu momento de solidão, não tenho medo de me sentir solitário, mas agora vou afastar essa solidão do meu caminho e reconhecer que existem outras emoções no mundo e que quero experimentá-las também’. Desapegue-se - repetiu Morrie.

A verdade é que, quando nossas mães nos pegavam, nos embalavam, nos acariciavam, sempre queríamos mais. Todos desejaríamos voltar àqueles dias em que éramos completamente cuidados. Amor incondicional, atenção incondicional. A maioria de nós ficou carente. Eu sei que fiquei.

À medida que se cresce, aprende-se mais. Se ficássemos parados nos vinte e dois anos, ficaríamos sempre ignorantes como quando tínhamos vinte e dois. Envelhecer não é só decair fisicamente. É crescer. E mais do que o fato negativo de que se vai morrer, é também o fato positivo de que se compreende que se vai morrer e que se pode viver melhor por causa disso.
É - eu disse -, mas se envelhecer fosse tão valioso, por que as pessoas vivem dizendo, "ah, se eu ainda fosse jovem..."? Nunca ouvimos ninguém dizer,"quem me dera já ter sessenta e cinco!". Ele sorriu e acrescentou: - Sabe o que significa isso? Vidas insatisfeitas. Vidas sem realizações. Vidas que não encontraram um sentido. Quem encontra um sentido para a vida não deseja voltar atrás. Deseja irem frente. Quer ver mais, fazer mais. Não se pode ficar esperando chegar aos sessenta e cinco.
Quem passa o tempo batalhando contra o envelhecimento sempre será infeliz, porque o envelhecimento é inexorável.

- Temos uma forma de lavagem cerebral em nosso país - disse suspirando. - Sabe como se lavam cérebros? Repete-se uma coisa constantemente. É isso que fazem em nosso país. Possuir coisas é bom. Mais dinheiro é bom. Mais posses é bom. Mais consumo é bom. Mais é bom. Mais é bom. Repetimos isso, e nos repetem isso constantemente, até ninguém sequer pensarem pensar diferente. O cidadão comum fica tão zonzo com tudo isso que perde a perspectiva do que é verdadeiramente importante. - Em toda parte por onde andei, conheci pessoas querendo abocanhar alguma coisa. Abocanhar um carro novo. Uma nova propriedade. O brinquedinho mais recente. Depois que abocanham, precisam contar aos outros: "Sabe o que comprei!" Adivinhe o que comprei."- Sabe como sempre interpretei isso? São pessoas tão famintas de amor que aceitam substitutos. Abraçam coisas materiais e ficam esperando que essas coisas retribuam o abraço. Nunca dá certo. Não se pode substituir amor, ou suavidade, ou ternura, ou companheirismo, por coisas materiais. Dinheiro não substitui ternura, poder não substitui ternura. Escreva o que estou dizendo, sentado aqui perto da morte: quando mais se precisa dos sentimentos que nos faltam, nem dinheiro nem poder nos podem dá-los, não importa quanto dinheiro nem quanto poder possuímos.


Ninguém precisa do último carro esporte, ninguém precisa daquela casa maior. - Essas coisas não trazem satisfação. Sabe o que traz satisfação? - O quê? - Oferecer aos outros o que temos para dar. - Parece conversa de escoteiro. - Não falo de dinheiro. Mitch. Falo de tempo útil. Do interesse por outros. De contar-lhes histórias. Não é tão difícil. Abriram aqui perto um centro para a terceira idade. Dúzias de idosos vão a ele todos os dias. Qualquer jovem, homem ou mulher, que domine um conhecimento, é convidado a ir lá ensiná-lo.

se você está querendo se exibir para pessoas que estão por cima, desista. Faça o que fizer, elas olharão para você com superioridade. E se está querendo se exibir para os que estão por baixo, desista também. Eles invejarão você, só isso. Posição não leva a nada. Só um coração aberto permite à pessoa flutuar em igualdade entre os semelhantes.

Por que acha que é tão importante para mim escutar os problemas dos outros? Já não estou carregado de dor e sofrimentos? É claro que estou. Mas doar-me a outros é o que me faz sentir vivo. Não é a minha casa nem o meu carro. Não é o que o espelho me mostra. Quando doo o meu tempo a alguém, quando consigo fazer alguém que está triste sorrir, sinto-me quase tão sadio como fui antes.

- Parte do problema, Mitch, é que todo mundo tem muita pressa - disse Morrie. - As pessoas não encontraram sentido na vida, por isso correm o tempo todo procurando-o. Pensam no novo carro, na nova casa, no novo emprego. Depois percebem que tudo isso também é vazio; e continuam correndo.

há algumas normas aplicáveis a amor e casamento: se não respeitarmos a outra pessoa, vamos ter muitos problemas. Se não soubermos ceder aqui e ali, vamos ter muitos problemas. Se não conseguirmos falar abertamente sobre o que está acontecendo entre os dois, vamos ter muitos problemas. E se não tivermos um conjunto de valores em comum com a outra pessoa, vamos ter muitos problemas. Os valores devem ser semelhantes.

As pessoas só ficam mesquinhas quando ameaçadas disse nesse mesmo dia - e isso é consequência da nossa cultura. Consequência da nossa economia. Até os que têm trabalho em nossa economia estão ameaçados, porque receiam perder o emprego. E, quando estamos ameaçados, passamos a nos preocupar só com nós mesmos. Passamos a fazer do dinheiro um deus. É da cultura - ele expirou. - Por isso é que não entro no jogo.

Toda sociedade tem seus problemas - disse Morrie, erguendo as sobrancelhas. - A solução não é fugir. Precisamos trabalhar para criar a nossa própria cultura. - Não importa onde vivamos, o maior problema dos seres humanos é a miopia intelectual. Não enxergamos o que podemos ser. Devíamos atentar para o nosso potencial e nos esforçarmos por alcançar tudo o que podemos ser. Mas quando se vive cercado de pessoas que dizem "quero o meu agora", acaba-se tendo poucas pessoas possuindo tudo e uma organização militar para impedir os pobres de se levantarem e roubarem.


O problema, Mitch, é não acreditarmos que os seres humanos são muito parecidos. Brancos e negros, católicos e protestantes, homens e mulheres. Se olhássemos uns para os outros como iguais, talvez sentíssemos o desejo de nos unirmos, formando uma grande família humana no mundo, e nos dedicarmos a essa família como nos dedicamos à nossa família particular.

No começo da vida, quando somos criancinhas, precisamos de outros para viver, certo? E no fim da vida, quando chegamos ao estado em que cheguei, precisamos de outros para viver, certo? A voz dele reduziu-se a um murmúrio. - Mas o segredo é que, entre a infância e o fim, também precisamos de outros.

"Não ir tão cedo, mas não se agarrar por muito tempo.".

Perdoe a si mesmo antes de morrer. Depois, perdoe os outros.

Não devemos ficar presos ao remorso do que não aconteceu quando devia acontecer.

Enquanto pudermos amar uns aos outros, e recordarmos a sensação de amor que tivemos, podemos morrer sem desaparecer. Todo o amor que criamos fica. Todas as lembranças ficam. Continuamos vivendo. Nos corações daqueles que tocamos e acalentamos enquanto estivemos aqui.

- A morte é o fim de uma vida, mas não de um relacionamento.

Não existem fórmulas para relacionamentos. Elas precisam ser negociadas em clima de amor, com espaço para ambas as partes, para o que querem e o que necessitam, para o que podem fazer, levando em conta a vida de cada uma. - No comércio, as pessoas negociam para ganhar. Para alcançar o que desejam. Talvez você esteja muito habituado a isso. O amor é diferente. O amor existe quando estamos tão preocupados com a situação do outro como estamos com a nossa.

Falas de Mitch (Aluno)


Antes da faculdade, eu não sabia que o estudo das relações humanas podia ser considerado matéria acadêmica. Antes de conhecer Morrie, não acreditava que pudesse. Mas o amor dele pelos livros é autêntico e contagioso. Passamos a discutir assuntos sérios depois da aula, quando a sala está vazia. Ele me indaga sobre a minha vida, cita passagens de Erich From, Martin Buber, Erik Erikson. As vezes, concorda com eles, mas acrescentando a sua opinião sem negar a concordância. É nessas ocasiões que percebo que ele é mesmo um professor, não um tio.

Tensão dos opostos? - A vida é uma série de puxões para a frente e para trás. Queremos fazer uma coisa, mas somos forçados afazer outra. Algumas coisas nos machucam, apesar de sabermos que não . Aceitamos certas coisas como inquestionáveis, mesmo sabendo que não devemos aceitar nada como absoluto. - Tensão de opostos, o estiramento de uma tira de borracha. A maioria de nós vive mais ou menos no meio. - Parece luta livre - pondero. - Luta livre - ele repete, e ri. - É. Pode-se definir a vida dessa forma. - E que lado vence? - pergunto. - Que lado vence? Ele sorri para mim, os olhos enrugados, os dentes tortos. - O amor vence. Sempre.
Eu sabia o que ele estava dizendo. Na vida, todos precisamos de professores. E o meu estava ali na minha frente.

C - Conclusão 


Carpe Diem.

Recomendo.

Grande abraço!



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08 outubro, 2019

[Livro] Confissões do Pastor (1997)/Caio Fábio

 




Era uma vez um jovem rebelde, arruaceiro e dissoluto que amava "alucinadamente" as mulheres e fumava maconha e cheirava cocaína no mesmo ritmo que dirigia sua moto - mais do que uma alma perdida, era a promessa de um legítimo cafajeste.
Um dia, esse moço acordou aos gritos achando que estava com uma cobra sucuri enrolada no corpo, mordendo-lhe o braço e inoculando-lhe veneno. Era uma visão, claro, não uma cena real, mas foi como se fosse. Caio Fábio tinha então 19 anos, já estivera perto da morte por acidente ou suicídio, e aquela foi a última vez que, simbolicamente, se sentiu possuído pelo demônio.
No dia seguinte, decidiu, iria nascer de novo: "Vou viver com Jesus e ser um homem de Deus para o resto da minha vida." Convertido, o jovem acabou se tornando pastor protestante, assim como seu pai, um agnóstico que certo dia, lendo a Bíblia, também se convertera e abandonara tudo, inclusive um próspero escritório de advocacia do qual era sócio o senador Bernardo Cabral, ex- ministro e presidente da CPI dos precatórios.
As memórias que Caio Fábio lança agora encerram mais do que a conversão de uma alma desgarrada que escolheu como referência não um presbiteriano como ele, mas um santo, Santo Agostinho, cujas Confissões pontuam como epígrafes os capítulos do livro, criando um curioso contraponto católico a essa saga protestante.
Encerram mais do que isso. As Confissões são também a emocionante aventura de uma vocação pastoral sem temor e sem preconceitos, que sobe os morros, entra nos presídios, freqüenta palácios, catequiza traficantes, batiza governador, é perseguida politicamente, e nada abala a sua crença de que o Evangelho é imbatível, de que tem o poder de "mudar bichos, monstros e pervertidos". (ZUENIR VENTURA)

Li lá pelo começo da década de 2000.

Excelente livro. Se algum dia tiver tempo, leio a nova edição.

Recomendo a leitura.

Grande abraço!

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12 setembro, 2019

[Livro] Ah, Se Eu Soubesse… (1997)/ Richard Edler




Conselhos Úteis


Aprenda a falar em público. Existe algo nas palavras ditas de cima de um púlpito que acrescenta uma majestade impossível nas conversas normais;


Aparentar ter competência é tão importante quanto a própria competência;

Nunca comece numa posição onde tudo vai bem;

Não tenha receio de começar uma carreira sem saber exatamente o que você que fazer. Muita poucas pessoas sabem;

Não pense que você tem que vencer. O Importante é você conseguir o que deseja;

Nos negócios: Negocie com pessoas decentes/ Gerencie seus custos / Caia fora no momento certo.

Pague pela qualidade e compre menos. Compre e use apenas boas roupas;

Não resista a mudanças; elas são eternas;

Os padrões que você define para si mesmo serão sempre mais importantes. Estes devem ser superiores àqueles que qualquer um possa lhe definir, porque, no fim, você terá que conviver consigo mesmo, julgar a si próprio e se sentir bem com isto. E a melhor maneira de isto acontecer é viver de acordo com o máximo do seu potencial;

Aprender, ganhar, devolver - estas são as três fases da vida;

Aprenda a distinguir o que é um contratempo, um revés e uma tragédia;

Especialize-se em alguma atividade: saiba mais do que qualquer pessoa sobre determinado tópico;


30 junho, 2018

[Livro] O Primeiro Ano - Como se faz um Advogado (1997)/ Scott Turow

Mais um que peguei
na biblioteca (220 páginas)


Introdução



Um professor na faculdade certa vez me disse que na época dele de aluno o livro "O Primeiro Ano - Como se faz um Advogado" era a leitura obrigatória na matéria de introdução ao Direito e não "O Caso dos Exploradores de Cavernas". Realmente, tem coisas que não deviam mudar.

"O Primeiro Ano", livro muito interessante e esclarecedor, trata, como o próprio título diz, do primeiro ano na vida de estudante em Harvard, famosa universidade americana, mostrando como é a cansativa rotina de estudos por lá.

Muito diferente da maioria das faculdades de Direito do Brasil, onde qualquer um pode se formar com o mínimo de esforço, sair sem saber nada e ainda ter de ficar estudando durante anos para conseguir passar na prova da OAB, mesmo depois de 5 anos de faculdade.

Rotina de estudo em Harvard X Brasil



Harvard

Brasil

O método utilizado no sistema de ensino é o Socrático.
Não há a adoção de um sistema próprio e cada professor se vira como pode.
Todo o curso é baseado em causas reais: ênfase na prática
Cada professor escolhe o que aborda, seja a mera teoria, seja a prática, mas a ênfase é na teoria
Os preparativos para os exames são massacrantes, exigindo até 16 horas por dia de estudo
Basta assistir mal e porcamente as aulas ou ler o caderno de um cdf
Boas notas são vitais por servirem de base para contratação pelos grandes escritórios e pelas mais importantes agências
governamentais
Basta passar no concurso público e a maioria dos escritórios contrata baseado em Networking ou em outro critério subjetivo.

Pequenas diferenças, não é?

Talvez isso explique porque aqui no Brasil o bacharel em Direito recém-formado normalmente não passa na OAB e nem em concurso público (seja para cargo de técnico, seja para cargo de Juiz). 

Há um enorme descompasso entre a realidade do mercado de trabalho e a formação universitária. É assim há muito tempo e vai continuar sendo, pois quase ninguém se importa (vide o índice de reprovações na prova da OAB).


Minha Experiência 


Pessoalmente, aprendi muito mais sozinho do que com meus professores na faculdade, onde a maioria era bem fraquinha em termos de conhecimento e didática. Somente nos cursinhos, depois de formado, que conheci muitos grandes professores de Direito.

Para que serviu a faculdade? Para me permitir pagar por meu diploma de forma parcelada (ainda sim foi bem caro) e me dar a habilitação legal para praticar uma profissão desconhecida à época.


Minha situação só melhorou quando fui fazer cursos preparatórios depois da faculdade, quando tive aula com grandes professores de diversos tipos: advogados, juízes, promotores etc.


Conclusão


Enfim, concordamos com JR Tostes

Esse livro deve ser lido por todos os advogados e estudantes de direito no Brasil, onde as faculdades são pouco exigentes e o índice de reprovação é quase zero. Daí a decepção quando dos exames da OAB, onde há um grau mínimo de exigência.

Grande abraço!



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Sites consultados:

  • http://jrtostes.blogspot.com.br/2013/07/o-primeiro-ano-como-se-faz-um-advogado.html