28 abril, 2021

[Livro] Aprendendo a Viver (65 d.C.)/Sêneca - Parte 2

 



Guarda contigo essas palavras: nunca um sábio age mais do que quando se encontra compenetrado acerca das coisas divinas e humanas.

Muitos passam pelas coisas abertas e buscam aquelas escondidas e obscuras; as coisas seladas estimulam o furto. Se algo se mostra a qualquer um, parece de pouco valor; o arrombador despreza o que está aberto. Esse costume tem o povo e, do mesmo modo, todos os ignorantes: desejam penetrar nas coisas secretas.


Crítica a ti mesmo, pois assim te acostumarás a dizer a verdade e a ouvi-la. Trata com maior rigor aquilo que tu sentes como mais débil no teu caráter.

Como sabes, a vida nem sempre deve ser retida, pois o bom não é viver, mas sim viver bem. Por isso, o sábio viverá o quanto for necessário e não o quanto puder.


Verá aonde deve ir, com quem, de que modo e o que deve fazer. Ele pensa na qualidade da vida e não na sua duração. Se muitas adversidades ocorrem e perturbam a sua serenidade, ele se afasta. E não faz isso em caso de extrema necessidade, mas sim quando começa a duvidar da sorte; ele diligentemente examina se não deve deixar de viver. 

Não considero importante se buscar ou aceitar o seu fim, se virá mais cedo ou mais tarde. Não teme uma grande perda; ninguém pode perder grande coisa naquilo que se escorre gota a gota. Morrer mais cedo ou mais tarde não importa, importa é morrer bem ou mal. Morrer bem é fugir do perigo de viver mal.

· Eu esperarei a crueldade da doença ou do homem quando posso sair através das tormentas e despistar as adversidades? Este é único ponto sobre o qual não podemos nos queixar da vida: ela não prende ninguém. 

As condições humanas estão assentadas em bases sólidas, pois ninguém é infeliz a não ser por sua culpa. Te agrada? Vive. Não te agrada? És livre para regressar de onde vieste.


· Queres ser livres em relação ao próprio corpo? Habita-o, pois, como se fosses migrante. Propõe-te que, cedo ou tarde, esta companhia virá a faltar: mais forte te sentirás quando tiveres que deixa-lo. Mas de que modo pensarão no seu fim aqueles cujos desejos por todas as coisas não tem fim?


· Deve-se preferir a mais imunda morte à mais limpa servidão.

· Não existem obstáculos para quem deseja deixar a vida. A natureza nos mantém em cárcere aberto. Quando as necessidades permitem, busque-se uma saída fácil; quando se tem em mãos muitas saídas possíveis, deve-se fazer a escolha e considerar o melhor modo de se libertar; quando a ocasião é difícil, deve-se considerar a melhor, a que estiver mais próxima, seja inaudita ou insólita. A quem não falta coragem para a morte não faltará também imaginação.


· Seria uma viagem incompleta se parássemos na metade ou antes do lugar estabelecido? A vida não é incompleta se é honesta. Onde quer que pares, se parares bem, estará completa. Muitas vezes, pois, há que acaba-la por motivos fortes; na verdade, não são mais importantes as causas que nos mantêm vivos.

· Não existe caminho sem fim.


· Tal como uma fábula, assim é a vida: não interessa pelo que dura, mas por quão bem foi vivida. Não importa onde irás parar. Onde quiseres, para; apenas lhe impõe um bom desfecho.


· Devemos evitar apenas escrever e apenas ler, pois se só escrevemos esgotaremos nossas forças (falo do trabalho de escritura), enquanto somente escrever fará com que se diluam. É necessário passar de um exercício para outro com justa medida, a fim de que a escritura organize tudo que foi recolhido na leitura.


· Também devemos imitar as abelhas, e tudo e tudo que acumularmos com nossas diferentes leituras devemos ordenar(melhor se conservam as coisas, se estão em lugares certos) e, após, com todo o nosso esforço e a nossa inteligência, unir em um só saber todos os diversos conhecimentos, de forma a que se consiga perceber a sua origem e possa demonstrar, igualmente, a sua transformação. Podemos percebe que a natureza faz o mesmo com o nosso sem que o percebamos.


· “deixe de lados essas coisas atrás das quais os homens correm. Deixa as riquezas, perigo e fardo para aqueles que as possuem. Renuncia aos prazeres do corpo e da alma; eles amolecem e debilitam. renuncia à ambição, coisa vã e pomposa, que não tem limite e nem freio, procurando sempre ultrapassar os que caminham à frente ou ao lado, atormentada pela dupla inveja. Sabes bem como é ruim invejar e ser invejado.”


· O que é mais correto, pergunto, obedecer à natureza ou ser obedecido por ela? O que importa sair antes ou depois de um lugar de onde deveremos todos sair um dia? O que importa não é viver muito, mas viver com qualidade. Com efeito, viver muito tempo quem decide é o destino. Viver plenamente, o teu espírito. A vida é longa se for vivida com plenitude. Assim, ela está plena quando a alma tomou posse do bem que lhe é próprio e não depende senão de seu poder.


· Queres saber qual é a vida mais longa? Aquela que tem seu fim na sabedoria. Chegar a esse ponto é atingir o fim mais longínquo e também mais elevado. Assim, o homem pode celebrar audaciosamente, prestar homenagem aos deuses e, dentre os deuses, a ele próprio, fazendo com que a natureza agradeça-lhe pelo que é, pois devolver a ela uma vida melhor que a recebida. Estabeleceu o tipo ideal do homem de bem, demonstrou sua qualidade e magnitude. Se algo mais fosse acrescentado a seus dias, apenas conseguiria levar adiante o se passado.


· Tu ficas indignado e te queixas! Não compreendes que todo mal provém não do que te acontece, mas sim de tua indignação e de tuas reclamações? Do meu ponto de vista, não existe miséria para um homem a não ser a de achar que algo que faz parte da natureza das coisas não está correto.


_________________________ continua...

25 abril, 2021

[Corpo] Mesa de Inversão

Modelo q uso: na época, foi o melhor
custo benefício que pude encontrar



Introdução


Comprei uma mesa de inversão há algum tempo.

A ideia era usar para melhorar minha postura. Creio que tem me ajudado, sendo um dentre vários instrumentos de cuidados pessoais.

mesmo tendo gastado uns 1500 reais via Mercado Livre, ainda acho que valeu o custo, pois não conheço muitas outras alternativas que permitam alguém de mais de 100 quilos ficar suspenso de cabeça para baixo com segurança. Fora que o material é robusto e não tem apresentado deteriorações relevantes.

Protocolo




  • duas ou três séries de cinco a sete segundos, após a atividade física e/ou antes de dormir

Conclusão


Use por sua própria conta e risco

Grande abraço!


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21 abril, 2021

[Livro] O lado difícil das situações difíceis (2014)/ Ben Horowitz - parte 2


Valorizar mais a ausência de pontos fracos do que a presença de pontos fortes. Com a experiência, vamos percebendo que todos os funcionários da empresa (incluindo nós mesmos) têm falhas graves. Ninguém é perfeito. Por isso, é indispensável que você contrate uma pessoa por causa dos seus pontos fortes, não da ausência de pontos fracos. 

Todos têm pontos fracos. A única diferença é que, em algumas pessoas, eles sobressaem. Se você se preocupar com a ausência de pontos fracos, estará dando preferência aos candidatos simpáticos. Mas não deve fazer isso.
 

Todos os diretores executivos bons e experientes que conheço partilham uma importante característica: tendem a optar pela solução mais severa e implacável para os problemas da organização. Entre dar a todos o mesmo bônus para facilitar as coisas ou oferecer uma compensação muito maior a quem tem melhor desempenho e desagradar a muitos, eles preferem desagradar a muitos. 

Entre interromper hoje um projeto de que todos gostam, mas não se encaixa nos planos de longo prazo, ou manter o projeto para não abalar o moral dos funcionários e demonstrar coerência, eles cortam o projeto. Por quê? Porque já pagaram o preço das dívidas de gestão e preferem não cometer de novo os mesmos erros.
 

De acordo com Andy Grove, a ambição sadia é aquela que visa ao sucesso da empresa, sendo o sucesso do próprio executivo uma consequência do alcançado pela empresa. A ambição doentia é a ambição pelo sucesso pessoal independentemente do sucesso da empresa.
 

Para ter ideia clara de um padrão elevado, uma das melhores maneiras é entrevistar pessoas que trabalham bem na área. Descubra qual é o padrão delas e integre-o ao seu. Uma vez determinado um padrão alto, mas factível, submeta o seu executivo a esse padrão, mesmo que não tenha ideia de como ele poderá alcançá-lo.

 
Seguem algumas perguntas que a experiência me mostrou serem muito eficazes nas reuniões individuais: 
  • Se pudéssemos nos aperfeiçoar de algum modo, como poderíamos fazê-lo? 
  • Qual é o principal problema da nossa empresa? Por quê? 
  • Do que você não gosta no seu trabalho aqui? 
  • Quem está fazendo um ótimo serviço na empresa? 
  • Quem você mais admira? 
  • No meu lugar, que mudanças você implementaria na organização? 
  • Do que você não gosta no nosso produto? Q
  • ue grande oportunidade estamos perdendo? 
  • O que deveríamos estar fazendo e não estamos? 
  • Você gosta de trabalhar aqui?
 
Embora isso varie de acordo com a situação, lembre sempre que é mais fácil inserir gente nova em processos antigos do que processos novos em gente antiga.
 

Olhe para a pista, não para o muro. Quando aprendemos a dirigir um carro de corrida, uma das primeiras lições é que, ao fazer uma curva a 320 quilômetros por hora, não devemos olhar para o muro, mas para a pista. Se olharmos para o muro, colidiremos com ele. 

Se olharmos para a pista, seguiremos por ela. Administrar uma empresa também funciona assim. Sempre existem mil coisas que podem dar errado e fazer afundar o navio. Se você olhar demais para elas, vai enlouquecer e, provavelmente, afundar a empresa. Olhe para onde está indo, não para aquilo que quer evitar.
 
________________________________ continua...

18 abril, 2021

Mentores: Minha Busca por Eles

 

Foto de Thirdman no Pexels
"Eu era cego e agora posso ver..."


Introdução


Infância (pode pular essa parte)


Desde criança, me era uma verdade óbvia por si mesma que ser forte é importante pra caramba nesse mundo.

Talvez porque eu apanhasse de meu irmão, que era 5 anos mais velho, ou porque sofria bullying leve na escola, ser forte era essencial e eu não era.

Influenciado pelos filmes de ação dos anos 90, percebi nessa época que precisava de um treinador para me tornar menos fraco, afinal eu era um gordinho tetudo e nada mais.

Não encontrei nenhum Sr. Miagi para me chamar de Daniel e nem tinha nenhum japa na minha vizinhança que pudesse me adotar como pupilo. Pior: minha mãe tinha ojeriza de artes marciais. Eu estava condenado a ser um beta...


Adolescência (pode pular essa parte)


Essa fase mudou minha vida.

Quando cheguei no ensino médio, o bullying já era uma mera lembrança. Nada como sair de 1,74 a chegar a 1,87 em poucos meses.

Mesmo praticando artes marciais, nenhum de meus professores conseguia ou parecia querer passar a parte filosófica além do decoreba de 4 ou 5 frases (o negócio deles era comer pepeka /beber cerveja no tempo livre, hehe). Até tinha um professor que conseguia passar algo de relevante, mas ele era de caratê estilo shotokan e eu não gostava desse estilo (achava muito parado).

 

Minha Experiência (Fase Adulta)


"provai de tudo e retei o que funciona"


"Criei" um método de auto-mentoria.


Leio várias fontes (livros/filmes/animações/documentários/memórias/ fóruns/posts/blogs/médicos/fisioterapeutas/parentes/anônimos/ colegas de trabalho/cultos religiosos/funerais/outros rituais etc) ao longo dos anos dos temas que elegi como interessantes (carreira/corpo/finanças/ mente/hobbies/ organização/ social), testo/reflito/ medito várias ideias /sentimentos/ teorias/drogas/alimentos/ hábitos/práticas/rotinas etc por semanas/meses/anos. Cada uma dessas fontes contribui de maneira cada vez mais ínfima com o resultado final, mas esse processo não pode parar porque a mente não se alimenta apenas de pão.

 

Chamo esse "método" de pensar, hehe, e acho que vou patentear como coach.

O que aparentemente funciona é incorporado a meus hábitos/personalidade como sempre tivesse sido assim. 

E os (muitos) erros?

Sofri, sofro, sofrerei a consequência deles até o fim.


Conclusão


Enfim, tornei-me, de certa forma, o mentor que sempre busquei na infância (antes tarde do que nunca, hehe).

O "método" é tentar pensar melhor a cada dia.

Grande abraço!

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14 abril, 2021

[Livro] A Bíblia (2007)/ Karen Armstrong - Parte 3



Nos primeiros anos do século I, o grande sábio fariseu Hillel viera da Babilônia para Jerusalém, onde pregou ao lado de seu rival Shamai, cuja versão do farisaísmo era mais rigorosa. Diz-se que um dia um pagão aproximou-se de Hillel e prometeu converter-se ao judaísmo caso ele conseguisse resumir toda a Torá enquanto se equilibrava numa perna só. Equilibrando-se numa perna só, Hillel respondeu: “Não faz a teu próximo o que for odioso para ti mesmo. Esta é toda a Torá, e o restante não passa de comentário. Vai estudá-la.” Esse foi um espantoso e deliberadamente controverso exemplo de midrash. A essência da Torá era a recusa disciplinada de infligir dor a outro ser humano. Tudo mais que estava nas Escrituras era meramente “comentário”, uma glosa à Regra de Ouro. 

No fim da exegese, Hillel pronunciou um miqra, um chamado à ação: “Vai estudá-la!” Quando estudavam a Torá, os rabinos deviam tentar revelar o núcleo de compaixão que residia no coração de toda a legislação e das narrativas nas Escrituras – mesmo que isso significasse torcer o sentido original do texto. Os rabinos de Yavneh eram seguidores de Hillel. O rabino Akiba, o sábio mais importante do fim do período Yavneh, declarou que o princípio básico da Torá era o mandamento que consta no Levítico: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” Somente um dos rabinos contestou isso, afirmando que as simples palavras “Este é o legado dos descendentes de Adão”, eram mais importantes porque revelavam a unidade de toda a raça humana.

O estudo da Torá não era uma atividade solitária. O rabino Berachiah, um sábio palestino do século VII, comparou a discussão rabínica com uma peteca: “As palavras voam para um lado e para outro quando o sábio chega a uma casa de estudo e discute a Torá, um expondo sua opinião, outro expondo outra opinião, e um terceiro expondo uma opinião diferente.” Contudo, havia uma unidade fundamental, porque os sábios não estavam meramente expressando suas próprias opiniões: “As palavras desses e dos outros sábios eram todas dadas por Moisés o Pastor a partir do que ele recebeu do Único do Universo.” Mesmo quando envolvido num acalorado debate, o estudante verdadeiramente empenhado sabia que tanto ele quanto seu oponente de alguma maneira participavam de uma conversa que se estendia no passado até Moisés e continuaria no futuro, e de que o que ambos diziam já havia sido previsto e prometido por Deus.

Agostinho não era um lingüista. Não sabia hebraico e não poderia ter conhecido o midrash judaico, mas chegara à mesma conclusão que Hillel e Akiba. Qualquer interpretação da Escritura que espalhasse ódio e dissensão era ilegítima; toda exegese devia ser guiada pelo princípio da caridade.


Os cabalistas combinavam suas meditações místicas sobre a Escritura com vigílias, jejuns e constante auto-exame. Eles tinham de viver juntos em companheirismo, reprimindo o egoísmo e a egolatria porque a ira penetrava na psique como um espírito mau e estilhaçava a harmonia divina de sua alma. Era impossível experimentar a unidade das sefirot nesse estado dividido. O amor dos amigos era fundamental para o ekstasis da Cabala. No Zohar, um dos sinais de uma exegese bem-sucedida é o grito de alegria proferido pelos colegas do intérprete quando ouvem o que experimentam como verdade divina, ou quando os exegetas se beijam um ao outro antes de recomeçar sua viagem mística.


Calvino nunca se cansou de salientar que, na Bíblia, Deus foi condescendente com nossas limitações. A Palavra foi condicionada pelas circunstâncias históricas em que foi pronunciada, de modo que as histórias menos edificantes da Bíblia devem ser vistas em contexto, como fases de um processo em curso. Não havia nenhuma necessidade de explicá-las alegoricamente. A história da criação no Gênesis era um exemplo desse balbucio divino, que adaptava processos imensamente complexos à mentalidade de pessoas sem instrução. Não era surpreendente que a história do Gênesis diferisse das novas teorias dos filósofos instruídos. Calvino tinha grande respeito pela ciência moderna. 

Achava que ela não devia ser condenada simplesmente “porque alguns frenéticos costumam rejeitar com atrevimento tudo que lhes é desconhecido. Pois a astronomia não só é agradável, como seu conhecimento é de muita utilidade: não se pode negar que essa arte revela a admirável sabedoria de Deus”. Era absurdo esperar que a Escritura ensinasse o fato científico; quem desejasse aprender sobre astronomia devia procurar em outro lugar. O mundo natural era a primeira revelação de Deus, e os cristãos deveriam encarar as novas ciências geográficas, biológicas e físicas como atividades religiosas. 


A nova disciplina da sola scriptura não foi capaz de fazer isso pelos cristãos da Europa. Mesmo após sua grande ruptura, Lutero continuou aterrorizado pela morte. Parecia estar constantemente num estado de fúria latente: contra o papa, os turcos, os judeus, as mulheres, os camponeses rebeldes, os filósofos escolásticos e cada um de seus opositores teológicos. Ele e Zwingli envolveram-se numa furiosa controvérsia acerca do significado das palavras de Cristo ao instituir a Eucaristia na última ceia, dizendo: “Este é o meu corpo.” Calvino ficou consternado com a raiva que anuviara as mentes dos dois reformadores e causou uma desavença ímpia que podia e devia ter sido evitada: “Ambos os lados foram completamente incapazes de ter paciência para ouvir o outro, de modo a seguir a verdade sem paixão, onde quer que ela estivesse”, concluiu ele. 

“Ouso afirmar com deliberação que, se suas mentes não tivessem estado em parte exasperadas pela extrema veemência das controvérsias, a divergência não teria sido tão grande que uma conciliação não pudesse ter sido facilmente alcançada.” Era impossível para intérpretes concordar acerca de cada passagem da Bíblia; disputas deviam ser conduzidas com humildade e mente aberta. Contudo, o próprio Calvino nem sempre pôs em prática esses princípios elevados e estava disposto a executar dissidentes em sua própria igreja.


Sola scriptura havia sido um ideal nobre, ainda que controverso. Na prática, porém, ela significava que todo mundo tinha o direito, concedido por Deus, de interpretar aqueles documentos extremamente complexos como bem entendesse. As seitas protestantes proliferaram, cada uma proclamando que somente ela compreendia a Bíblia. Em 1534, um grupo apocalíptico radical em Munster fundou um Estado teocrático independente baseado numa leitura literal da Escritura, que permitia a poligamia, condenava toda violência e proscrevia a propriedade privada. Esse breve experimento durou apenas um ano, mas alarmou os reformadores. 

Se não havia nenhum corpo autorizado para controlar a leitura bíblica, como poderia alguém saber quem estava certo? “Quem dará à nossa consciência informação segura sobre quem está nos ensinando a pura Palavra de Deus, nós ou nossos oponentes?”, perguntou Lutero. “Deve todo fanático ter o direito de ensinar o que bem entende?” , concordou Calvino: “Se todos têm direito de ser juíz e árbitro nessa matéria, nada pode ser considerado certo, e toda a nossa religião estará cheia de incerteza.”


Os antigos reinos feudais tinham de ser transformados em Estados eficientes, centralizados, inicialmente sob monarcas absolutos que podiam impor a unidade pela força. Fernando e Isabel fundiam os antigos reinos ibéricos para formar uma Espanha unida, mas ainda não tinham recursos para conceder aos seus súditos uma liberdade irrestrita. Não havia lugar para corpos autônomos, que se autogovernassem, como as comunidades judaicas. A Inquisição espanhola, que perseguiu tenazmente esses dissidentes, foi uma instituição modernizante, projetada para criar conformidade ideológica e unidade nacional. 

À medida que a modernização avançava, soberanos protestantes em países como a Inglaterra também foram cruéis com seus súditos católicos, vistos como inimigos do Estado. As chamadas Guerras Religiosas (1618-48) foram de fato uma luta de 30 anos da parte dos reis da França e dos príncipes alemães para se tornarem politicamente independentes do Sacro Império Romano e do papado, embora tivessem se complicado com a confrontação entre um calvinismo militante e um catolicismo revigorado, reformado.


Nem todos os colonos americanos partilhavam da visão puritana, mas ela deixou uma marca indelével no ethos dos Estados Unidos. O Êxodo continuaria a ser um texto crucial. Foi citado pelos líderes revolucionários da Guerra da Independência contra a Grã-Bretanha. Benjamin Franklin queria que o “grande selo” da nação retratasse a separação das águas do mar dos Juncos, mas a águia que se tornou o símbolo dos Estados Unidos era não só um antigo emblema imperial como estava também associada ao Êxodo. 

Outros migrantes valeram-se da história do Êxodo da mesma maneira: os mórmons, os africâners da África do Sul e os judeus que fugiram da perseguição na Europa e buscaram refúgio nos Estados Unidos. Deus os salvara da opressão e os estabelecera numa nova terra – algumas vezes à custa de outros.


Um único texto podia ser interpretado para servir a interesses diametralmente opostos. Quanto mais as pessoas eram estimuladas a fazer da Bíblia o foco de sua espiritualidade, mais difícil se tornava encontrar uma mensagem essencial. Ao mesmo tempo que afro-americanos recorriam à Bíblia para desenvolver sua teologia da libertação, a Ku Klux Klan a utilizava para justificar o linchamento de negros. Mas a história do Êxodo não significa libertação para todos. Os israelitas que se rebelaram contra Moisés no deserto foram exterminados; os cananeus indígenas foram massacrados pelos exércitos de Josué. 

Teólogas feministas negras mostraram que os israelitas possuíam escravos; que Deus lhes permitia vender suas filhas para a escravidão; e que Deus realmente ordenou a Abraão que abandonasse a escrava egípcia Hagar no deserto. Sola scriptura podia orientar as pessoas na direção da Bíblia, mas jamais conseguia fornecer uma prescrição absoluta: as pessoas sempre podiam encontrar textos alternativos para apoiar um ponto de vista oposto. No século XVII, as pessoas religiosas estavam se tornando agudamente conscientes de que a Bíblia era um livro muito confuso, e isso numa época em que a clareza e a racionalidade eram valorizadas como nunca.


Outros estudiosos aplicaram suas habilidades ceticamente críticas à Bíblia. Baruch Spinoza (1632-77) um judeu sefardita de ascendência espanhola nascido na liberal cidade de Amsterdam, havia estudado matemática, astronomia e física e as considerava incompatíveis com suas crenças religiosas.  Em 1655 ele começou a expressar dúvidas que perturbaram sua comunidade: as contradições manifestas na Bíblia provavam que ela não podia ser de origem divina; a idéia de revelação era uma ilusão; e não havia nenhuma divindade sobrenatural – o que chamávamos de “Deus” era simplesmente a própria natureza.


Israel ben Eliezer iniciou um movimento de reforma e tornou-se conhecido como o Baal Shem Tov – ou o “Besht” –, um mestre de condição excepcional. No fim de sua vida, havia cerca de 40 mil de seus hassidim (“piedosos”). O Besht afirmava que não havia sido escolhido por Deus porque estudara o Talmude, mas porque recitava as preces tradicionais com tamanho fervor e concentração que alcançava uma união extática com Deus.


Os hassidim expressavam essa consciência acentuada em preces extáticas, ruidosas e agitadas, acompanhadas por gestos extravagantes – tal como saltos mortais que simbolizavam uma total inversão de visão – que os ajudavam a se lançar com todo o seu ser no culto.


O hassidismo despertou arrebatada oposição entre os judeus ortodoxos, que ficaram horrorizados com a aparente difamação do estudo erudito da Torá por parte de Besht. Eles se tornaram conhecidos como os misnagdim (“oponentes”). Seu líder foi Elijah ben Solomon Zalman (1720-97), diretor (gaon) da academia de Vilna na Lituânia. O estudo da Torá era a maior paixão do gaon, mas ele era também versado em astronomia, anatomia, matemática e línguas estrangeiras. Embora estudasse a Escritura de maneira mais agressiva que os hassidim, o método do gaon era místico à sua maneira. 

Ele apreciava o que chamava de “esforço” do estudo, uma intensa atividade mental que o fazia cair num novo nível de consciência e o prendia aos livros a noite toda, os pés imersos em água gelada para impedir que adormecesse. Quando o gaon se permitia cochilar, a Torá penetrava seus sonhos e ele experimentava uma elevação ao divino.


A modernidade secular foi sob muitos aspectos benigna, mas foi também violenta e tendeu a romantizar a luta armada. Entre 1914 e 1945, 70 milhões de pessoas na Europa e na União Soviética morreram em conseqüência de guerra e conflito. Houve duas guerras mundiais, limpeza étnica brutalmente eficiente e atos de genocídio. Algumas das piores atrocidades haviam sido perpetradas pelos alemães, os criadores de uma das mais cultas sociedades da Europa. Não era mais possível presumir que uma educação racional eliminaria o barbarismo. A simples escala do Holocausto nazista e do Gulag soviético revela suas origens modernas. Nenhuma sociedade anterior tinha tecnologia para implementar esses esquemas grandiosos de extermínio.


Michael Fishbane, atualmente professor de estudos judaicos na Universidade de Chicago, acredita que a exegese poderia nos ajudar a recobrar a idéia de um texto sagrado. A crítica histórica da Bíblia não nos permite mais ler as Escrituras de modo sincrônico, vinculando passagens vastamente separadas no tempo. Mas a crítica literária moderna reconhece que nosso mundo interior é criado por fragmentos de muitos textos diferentes, que convivem em nossas mentes, um restringindo o outro. Nosso universo moral é moldado por Rei Lear, Moby Dick e Madame Bovary tanto quanto pela Bíblia. Raramente absorvemos textos inteiros: imagens isoladas, frases e fragmentos vivem em nossas mentes em conjuntos incontáveis, fluidos, que agem e reagem uns sobre os outros. 

De maneira semelhante, a Bíblia não existe inteira em nossas mentes, mas nelas se encontra de forma fragmentária. Criamos nosso próprio “cânone dentro do cânone”, e deveríamos nos assegurar deliberadamente de que nossa seleção é uma coleção de textos benignos. O estudo histórico da Bíblia mostra que houve muitas visões rivais no antigo Israel, cada qual afirmando – muitas vezes de maneira agressiva – ser a versão oficial do jeovismo. Podemos ler a Bíblia hoje como um comentário profético ao nosso próprio mundo de ortodoxias furiosas; mas ela pode nos proporcionar a distância compassiva para compreender os perigos desse dogmatismo estridente e substituí-lo por um pluralismo purificado.


Desde o início, os autores bíblicos se contradisseram uns aos outros, e suas visões conflitantes foram todas incluídas pelos editores no texto final. O Talmude era um texto interativo que, adequadamente ensinado, compelia o estudante a encontrar as próprias respostas. Hans Frei estava certo: a Bíblia foi um documento subversivo, desconfiado da ortodoxia desde o tempo de Amós e Oséias. 

O hábito moderno de citar textos comprobatórios para legitimar políticas e governos não está em consonância com a tradição interpretativa. Como Wilfred Cantwell Smith explicou, a Escritura não era realmente um texto, mas uma atividade, um processo espiritual que introduzia milhares de pessoas à transcendência.

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Fim

07 abril, 2021

Disciplina, Como obter?

Foto de Simon Migaj no Pexels




Introdução



Gostei da proposta Scant e vou tentar ser o mais sucinto possível, expondo as minhas dores em um ou dois parágrafos.

Creio que o meu maior problema no mundo hoje é ter constância e disciplina nas coisas que eu quero fazer. Eu sei exatamente o que eu quero da minha vida, eu tenho todas as ferramentas para atingir os meus objetivos: tenho saúde, tenho um bom emprego concursado, sou razoavelmente inteligente e tenho conhecimentos. Porém, sou muito acomodado, demoro para tomar iniciativa de fazer as coisas, perco muito tempo em redes sociais e tenho muita dificuldade de organizar as coisas em minha mente. Nesse sentido, as minhas finanças estão desorganizadas, não consigo ter uma visão dos meus projetos, dos meus objetivos, dos meus sonhos, daquilo que realmente quero. Já até pensei em contratar algumas horas de coaching, mas não sei se seria legal terceirizar para outra pessoa algo que deveria ser feito por mim. Então, se você puder me dar algumas dicas de como organiza o seu tempo, como define e atinge os seus objetivos, como faz o acompanhamento disso para ter os resultados que deseja, eu ficarei muito grato. Dá pra perceber pelo seu blog que você é uma pessoa organizada, disciplinada e que sabe o que quer e como chegar lá.

Desde já obrigado!


Todo mundo, em regra, tem uma rotina disciplinada (conjunto de hábitos).

Todos os dias, o ser humano comum acorda, faz algum tipo de higiene (ou não), come (ou não) alguma coisa, gasta sua atenção com pessoas ou coisas (internet, televisão, rádio etc); vai trabalha  em casa ou fora dela (ou não) e termina o dia da mesma forma (jantando ou vendo tv ou lendo etc, para em seguida dormir e recomeçar esse ciclo)

Eventualmente, por um desejo/necessidade psicológica (sentimento de auto realização,  por exemplo)  ou fisiológica (ganhar dinheiro para comprar comida, por exemplo) somos obrigados a alterar a rotina para nos dedicarmos a desenvolver uma atividade útil no sistema capitalista para atingir um dos fins acima.

Se o sentimento que motiva esse desejo/necessidade não for forte o suficiente dentro de nós, dificilmente mudaremos: "a necessidade faz o sapo pular".

Fase Inicial


Como não somos anfíbios de cérebro simples, podemos por meio do pensamento/reflexão/meditação amplificar o(s) sentimento (s) que nos motivam a sair da inércia (ambição, prazer, alegria etc) e reduzir o(s) sentimento(s) que nos fazem continuar inertes (preguiça, medo, etc*)

* as vezes, o sentimento negativo pode ser a emoção mais motivadora, como no caso do medo de passar fome associada a vontade de trabalhar.


 Aqui não há muito a ser feito além de de concentrar e ir vencendo cada minuto na guerra contra a inércia em um dia de cada vez.


A boa notícia é que superada a fase inicial de conflito entre antigos e novos hábitos; um novo hábito (melhor ou pior que o antigo) é consolidado  e passamos a utilizá-lo como se sempre tivéssemos agido desse jeito.

A má notícia é que essa fase inicial pode demorar semanas ou meses para ser ultrapassada, a depender de pessoa para pessoa.  

Métodos 


Existem inúmeros métodos prontos que prometem aumentar sua produtividade. 

Isso pode ser ou não uma verdade a depender ou não da sua adaptabilidade a eles: provai de tudo e retei o que é bom. Na verdade, nada supera a prática e o que aprendemos diretamente com ela sem passar por nenhum método. Fora que muita gente procrastina lendo sobre a prática ao invés de simplesmente fazer.

Ler sobre sexo não se compara a copular. Ler sobre nadar não se compara a nadar.


Você pode escolher um método e tentar implementá-lo desde a fase inicial, sabendo que o efeito não é imediato e pode demorar semanas até ser consolidado.

Divido os métodos em métodos gerais e especiais.

Métodos Gerais


São Impessoais 

Buscam abarcar a realidade como um todo e otimizar nossa maneira de lidar com ela


Eis alguns métodos Gerais:

  • - GTD
  • - ZTD
  • - Scrum
  • -5S
  • - Bullet Journal
  • - Milagre da Manhã

Métodos Especiais


São pessoais

São os hábitos práticos que as pessoas utilizam. 

É o jeito pessoal de cada pessoa diante da realidade

aprendemos sobre eles de forma esparsa, mas hoje em dia já temos compilações como no caso do livro "O segredo dos artistas"

Obs: há alguns métodos especiais que, apesar de não serem pessoais, só abarcam um ou poucos aspectos de uma área da vida, como métodos de finanças (Bastter System, por exemplo) ou para o corpo/saúde ideal (programa Clean, por exemplo)


Conclusão


Mude (ou não) seus hábitos e obtenha (ou não) seu objetivos.

Grande abraço!

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[Livro] Acredite, estou mentindo (2012)/ Ryan Holiday - parte 1

 


 BLOGS FAZEM AS NOTÍCIAS Jogamos pelas regras deles por tempo o bastante e o jogo se torna nosso. —ORSON SCOTT CARD, O JOGO DO EXTERMINADOR

 

BLOGS SÃO IMPORTANTES 

Por “blog” eu me refiro coletivamente a todas as formas de publicação online. Isso abrange tudo, de contas no Twitter aos sites dos grandes jornais, aos serviços de vídeo e aos sites com centenas de redatores. Não me importa se os donos se consideram blogueiros ou não. A realidade é que todos estão sujeitos aos mesmos incentivos, e eles lutam por atenção com táticas semelhantes.

 

Embora existam milhões de blogs na internet, você perceberá que alguns serão mencionados com frequência neste livro: Gawker, Business Insider, Politico, BuzzFeed, Huffington Post, Drudge Report e outros semelhantes. Isso não é porque eles sejam os mais lidos pelo público, mas porque são os mais lidos pela elite da mídia, e seus donos-apóstolos, Nick Denton, Henry Blodget, Jonah Peretti e Arianna Huffington têm imensa influência. Um blog não é pequeno se o seu punhado de leitores é constituído de produtores de TV e redatores de jornais de abrangência nacional.


Resumindo, os blogs são veículos nos quais os jornalistas dos meios de comunicação de massa – e seus amigos mais tagarelas e “informados” – descobrem e pegam notícias. Esse ciclo oculto está na origem dos memes que se tornam nossas referências culturais, das estrelas em ascensão que se tornam nossas celebridades, dos pensadores que se tornam nossos gurus e das notícias que se tornam nossas notícias.


(...) somos um país governado pela opinião pública, e a opinião pública é amplamente governada pela imprensa, então não é essencial compreendermos o que governa a imprensa? O que controla a imprensa, concluiu ele, controla o país.


(...) aqui está o ciclo novamente: 

Blogs políticos precisam de coisas para cobrir; o tráfego aumenta durante as eleições 

A realidade (eleição muito distante) não combina com isso Blogs políticos criam candidatos mais cedo; antecipam o início do período eleitoral 

A pessoa que eles cobrem, por ter a cobertura, torna-se um candidato real (ou até presidente) 

Os blogs lucram (literalmente); o público perde


A estrutura dos blogs cria conteúdo artificial, que se torna real e tem impacto no resultado de eventos do mundo real.

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06 abril, 2021

Casou se f**** meu jovem

 

Foto de Tara Winstead no Pexels

Introdução 


Gostaria muito de saber como conciliar vida de casado e com filhos e saúde financeira, porque ando quase surtando. Não consigo criar uma reserva de emergência sem que a companheira me apresente uma conta nova para resolver, além do fato de que ela trabalha mas está fudida com cartão, no fim eu arco com as despesas fixas e ainda tenho que me virar para cobrir."


Muita gente pode pensar que casamento é incompatível com acumulação de patrimônio


Não acredito que seja incompatível; pois, do ponto de vista financeiro, mulher e filhos são apenas passivos, assim como ir a um restaurante ou fazer uma viagem de férias.

 Situação do Scant: Sou casado e não tenho filhos (nem cachorro!).  Minha mulher me ajuda bastante cuidando de afazeres domésticos, que, do ponto de vista financeiro, são relevantes: economizo muito dinheiro comendo em casa e não preciso pagar pelo tempo de alguém para o serviço de limpeza.

Por outro lado, ao longo de anos consegui mostrar para minha mulher que poupar faz bem pro bolso e pra alma. Em tempos recentes pude mostrar para ela que um simples investimento em tesouro direto poderia retornar em dobro depois de 5 anos e ainda disse que ações no longo prazo poderiam render mais ainda.

Nada é mais lucrativo que educação e cabe ao marido educar financeiramente sua mulher (quando ela precisar disso), pois um "mindset" esbanjador pode, esse sim, ser incompatível com a acumulação de patrimônio. Muita gente gasta por razões de autoafirmação, orgulho, inveja etc e esquece de priorizar necessidades. Ser low profile é raro.


Hipóteses


Por outro lado, se a grana está curta e você não tem certeza do que está acontecendo, levanto duas hipóteses:

1 -  seus ativos (salário etc) são suficientes para pagar seus passivos -  você simplesmente está passando por um descontrole pontual, seja por uma questão de estar gastando mais com supérfluos ou um baita azar momentâneo: por exemplo, doença de tratamento caro não coberto pelo plano de saúde ou SUS de sua cidade. Nesse caso, tudo deve se normalizar em poucos meses.

Como exercício prático, pode ser interessante anotar todas as despesas por 3 meses seguidos, para entender para onde o dinheiro está indo e o porquê disso. É importante envolver sua mulher nisso e esse aplicativo pode te ajudar. Eu mesmo fiz isso (numa planilha do excel) por vários meses quando saí da casa da minha mãe e fui morar com minha mulher.

 



2 - seus ativos são insuficientes para pagar por seus passivos - nesse caso a solução vem de diversas opções: 

  • arranjar mais um emprego ou trocar de profissão, 
  • diminuir despesas de supermercado ou padrão de vida, ainda que temporariamente, para investir em qualificação profissional, 
  • fazer horas extras ou bicos no fim de semana, 
  • trocar a academia por correr na rua e malhar em casa 
  • concurso público
  • etc.

Conclusão


Não se divorcie para comer prostitutas e buscar a IF de corpo e alma.

Creio que o dinheiro é importante, mas relacionamentos dão significado à vida e por isso nos são tão caros.

Por outro lado, flores são mais baratas que um divórcio.

Grande abraço!

04 abril, 2021

[Youtube] Canal Nutricionista Rodolfo Peres (2010-)

 


Conheci o canal recentemente. 

Esse vídeo me parece esclarecedor e recomendo a visualização.

O autor tem alguns livros direcionados para leigos que pretendo ler com atenção no futuro.

Grande abraço!

 

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  • http://rodolfoperes.com.br/

01 abril, 2021

[Lista] Plano de Leitura - Módulo 1 (Ciências humanas, História e Biografias)

 





OBRA 
STATUS
RESENHA


(1903) Andrew Lang – Social origins



(1903) James Jasper Atkinson – Primal law




V a.C. Heródoto 
– Histórias (450-420 a.C.)


V a.C. Tucídedes
– A guerra do Peloponeso (433-411 a.C.)

A ideia é começar a ler depois de obras introdutórios com as de Victor Davis Hanson, como essas:






(1890) James George Frazer – O ramo de ouro
esgotado, mas achei em versão eletrônica amadora

(1949) Joseph Campbell – O herói das mil faces




vi o documentário em agosto de 2020 - simplesmente excelente





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